Amanhecer capitulo 5-Ilha de esme original|noite de Edward e Bella detalhadamente!!

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[Edward narrando]

Isabella Swan. O nome dela rodava em minha mente, inúmeras vezes, como se um bando de mariposas se chocasse contra uma luz invisível. Por fora eu estava calmo, mas por dentro os pensamentos se agitavam. Ela era minha esposa. Se entregara a mim de uma forma que pertencia somente a ela; integralmente, apesar de tudo que nos separava. E agora estava disposta, mais do que isso, ansiosa para entregar a única coisa que eu relutava ainda em lhe tirar. Era tão difícil resistir. Eu queria me deixar levar pelo desejo, abraçá-la, tocá-la, afundar meu corpo no dela; sentir o calor que emanava dela, fazê-la sentir o prazer que ela queria sentir, que eu queria sentir, e muitas vezes essa necessidade apagava todas as outras coisas. Mas era nesse momento de abandono que a sede por seu sangue voltava tão forte quanto nas primeiras vezes. Aquilo me enchia de medo. E se eu não conseguisse me controlar? Ela era tão frágil. E tão teimosa. Não podia esperar. E eu não podia lhe negar nada. Não depois de tudo que ela sofrera por mim. Assim, tomei todas as providências que podia. Estava alimentado. A ilha nos daria a privacidade necessária e a beleza que ela merecia para emoldurar aquele momento. Queria que tudo fosse perfeito, inesquecível, mas ainda tinha medo. E sabia que ela poderia ficar magoada facilmente caso se sentisse rejeitada. Bella... Ainda não entendera que para mim não existia perfeição além dela.

Tudo isso se passava em minha mente enquanto a esperava, dentro do mar. A temperatura era agradável, quente. Estava consciente de tudo: do mar prateado pelo luar; do calor do ar úmido; dos ruídos da noite, dos grilos e insetos tropicais, os pequenos animais que evitavam aquela região da praia, percebendo a presença do predador. Porque Bella não conseguia perceber isso da mesma forma? Ainda me perguntava isso todos os dias, admirado com sua coragem, encantado com sua força e ousadia. Ao longe ouvia os sons que ela fazia na casa. Ouvi quando se arrumou, os golpes lentos e rítmicos da escova em seus cabelos, o barulho da água na torneira, depois o chuveiro ligado. Ouvi seus passos quando se aproximou de mim, trazendo o cheiro marcante, doce e vivo que eu tanto amava, quando entrou na água e se aproximou devagar. Podia sentir a água formando pequenas ondas com a movimentação do seu corpo. Podia ouvir sua respiração se acelerar um pouco, como sempre se acelerava nos momentos de desejo e tensão. Senti vontade de sorrir, mas estava muito tenso com o que estava prestes a acontecer. Continuei de costas para ela, as mãos flutuando na linha da água, esperando que ela tomasse o primeiro passo. Que nos levaria para o desconhecido. E eu tinha certeza que ela não hesitaria. Logo ela ficou imóvel, muito próxima. Eu estava olhando para o céu estrelado, tentando me concentrar. Podia sentir o calor emanando dela também em ondas. Eu sempre ficava muito consciente de sua presença, fosse pelo calor, fosse pelo cheiro intenso. Mesmo assim, quando ela colocou sua mão quente sobre a minha, fria, o mundo se tranferiu para aquele ponto onde nossos corpos se tocavam. Se era assim o simples toque de sua mão, diante de tanta expectativa, o que não seria o resto? Será que enfim poderia conhecer o êxtase do qual tantas vezes ouvira ao longo dos anos? Medo e desejo se misturaram, deixando minha garganta seca.

“Linda”, ela disse, ao perceber que eu olhava para a lua, com sua voz grave e um pouco rouca, mas também era como cristal, com um mínimo toque de ansiedade. Ela também estava com medo. E também não sabia o que esperar. Isso não facilitava as coisas.

“É bonito”, repondi, tranquilamente, escondendo a tensão, fingindo uma indiferença que eu não sentia. Era o melhor que poderia fazer no momento. Me virei para olhá-la e vi, com uma certa surpresa, que estava nua, os braços cruzados defensivamente sobre os seios, a postura tímida. O luar deixava sua pele pálida e iridescente, causando um contraste indescritível com os cabelos castanhos. Os fios caiam em mechas pelos dois lados do pescoço, emoldurando o rosto. Os olhos estavam expressivos, e vi o brilho nas profundezas escuras que eu tanto amava: amor, desejo, medo, hesitação, expectativa. Como eu poderia corresponder a tantas coisas? Mas ela me olhava em adoração. Eu não tinha como resistir àquele olhar.

“Mas eu não usaria a palavra linda, não com você aqui para comparar”. Era verdade. Sempre foi. Ela ergueu a mão, ainda um pouco timidamente e a levou até meu peito, enquanto sorria. O toque de seus dedos, de sua palma, queimava minha pele, causando uma explosão de calor. Correntes elétricas se espalhavam pelos meus braços até a ponta dos dedos. Seu toque sempre me desconcertava, me levava a um estado de tensão e bem-estar incomparáveis. Ela era fogo para mim. A vida que eu não tinha mais. Senti minha respiração se alterar contra minha vontade, meu corpo estremecer lentamente. Seu cheiro tinha se tornado mais intenso, mais delicado, mais saboroso. Ela ainda era um mistério para mim.

Tantas sensações aumentaram minha prontidão, meu corpo se enrijeceu minimamente. Ela pareceu notar. Aproveitei o momento para tentar mais uma vez prepará-la – e a mim mesmo – para todas as possibilidades. A voz não era mais do que um sussurro.

“Eu prometi que iríamos tentar... Se eu fizer alguma coisa errada, se eu machucar você, você deve me dizer imediatamente”. Era uma ordem, não uma pergunta. Eu tinha que deixar isso bem claro, porque ela simplesmente não conseguia se conter. Esse papel sempre era meu. Ela assentiu, parecendo me levar com seriedade. Deu um passo à frente, e encostou a cabeça no meu peito. Pude sentir sua respiração quente contra minha pele, rápida, profunda. Eu não queria magoá-la, não queria perturbar aquele momento que já era tão complexo. Busquei algo para dizer que pudesse tranquiliza-la. Mas ela foi mais rápida do que minha mente.

“Não se preocupe,” sua voz era um murmúrio. “Nós pertencemos um ao outro”. Aquelas palavras me emocionaram de uma forma indescritível, e removeram uma parte do meu medo de forma mais eficiente do que todas as minhas racionalizações. Suspirei profundamente, inalando o cheiro suave que vinha dos seus cabelos, misturado com o cheiro intenso dela toda. Puxei seu corpo para mais perto de mim, pousando minhas mãos em suas costas, colando minha pele contra a dela com cuidado, me deliciando com o calor que irradiava dela e do ambiente. Era a primeira vez que eu a tocava daquela forma tão completa, e sorri levemente ao pensar que era apenas o começo.

“Para sempre”, foi tudo em que consegui pensar, antes de puxa-la mais para o fundo da água. Naquele momento eu era apenas e somente uma parte dela.

[Bella narrando]

Nada do que eu tinha imaginado em tantas noites insones poderia ter me preparado para esse momento. Apesar de evitar pensar sobre isso, meu próprio corpo rebelde tinha decidido ir até o fim o mais rápido possível. Eu não gostava de pensar, me deixava embaraçada, mas o desejo que eu sentia por Edward se tornava cada dia mais latejante, mais impossível de ignorar. As noites insones se tornavam mais freqüentes, particularmente quando as coisas entre nós ficavam mais intensas, e ele inevitavelmente parava, e se afastava. Nessas horas meu corpo reclamava, pulsando, doendo, ardendo por uma satisfação que me era desconhecida, sobre a qual eu só lera em livros de biologia e romances. Mas aquela necessidade era real. E tão intensa, que, se Edward pudesse ler meus pensamentos – e felizmente ele não conseguia – talvez então ele conseguisse entender minha pressa, minha angústia.

E mesmo essa ansiedade, expectativa, necessidade... Nada disso tinha me preparado para a fome que se apossou de mim no momento em que nossos corpos se tocaram, livres das roupas pela primeira vez, no calor da água morna. Todas as células do meu corpo estavam intensamente conscientes da presença dele, do seu cheiro inebriante, da beleza perfeita e infinita do corpo molhado e iluminado pelo luar. Tudo nele me atraía, para cada vez mais perto, como se meu corpo quisesse se fundir ao dele, atingindo assim sua própria perfeição. Eu só podia existir sendo parte dele. Eu pertencia a ele. E eu tinha fome. Tinha pressa. Mas ele não. Nesses momentos a pressa não existia para Edward Cullen. O tempo parecia se estender, se alongar. Nunca imaginei que em um segundo cabiam tantas coisas, tanta realidade, tanto dele. Em câmera lenta, Edward me levou junto a ele até um ponto mais profundo da praia, e meu coração disparou enlouquecido. Ele não iria desistir, como eu temia. Senti um pouco de culpa, a culpa familiar, sabendo que ele só estava fazendo isso porque eu insistira tanto, sabendo que ele tinha medo das conseqüências, muito mais do que eu, porque ele se responsabilizaria por qualquer coisa que acontecesse. Mas esses pensamentos desapareceram assim que ele me estabilizou em pé na areia, colou novamente seu corpo ao meu e buscou meu pescoço com os lábios frios.

“Devagar agora, Bella,” eu ouvi sua voz rouca e entrecortada. “Eu quero ver, conhecer você. Sonhei muitas vezes com isso.” As palavras foram acompanhadas pelo deslizar de suas mãos pelas minhas costas enquanto os lábios se colavam aos meus novamente. Fogo e gelo se mesclavam em mim; era impossível não perceber como sua pele, lábios e língua eram frios ao toque. A sensação de que eles queimavam sobre mim era de um prazer inigualável, porém o rastro que deixavam ao mudar de lugar não era de frio ou de dor, e sim de um calor impossível. Arrepios surgiam nos pontos em que ele me tocava, e se alastravam pelo meu corpo, me causando tremores. Enquanto me beijava lentamente, saboreando cada toque, com paciência, as pontas de seus dedos exploravam minhas costas da base da nuca até a curva dos quadris. A língua percorria meus lábios sem pressa, entreabrindo-os e tocando minha própria língua, fazendo movimentos de reconhecimento, de invasão, o que espalhou um calor já familiar no centro de meu corpo, no estômago, e entre as pernas. Ele arriscou uma leve mordida em minha língua. Me senti desfalecer por alguns segundos, respirei mais profundamente, buscando o ar que me faltava. Ele pareceu perceber, e parou por um momento, pousando as palmas da mão em meus quadris, possessivamente. Ouvi sua risada rouca e baixa quando gemi involuntariamente ao sentir que ele parava.

“Não se preocupe, amor,” ele disse, buscando meus olhos, o meio-sorriso torto que eu amava tanto brincando em seus lábios. “Nós temos a noite toda”. E dizendo isso, deslizou uma mão pela lateral do meu quadril até a minha perna, até a parte interna da coxa. Fiquei novamente ofegante. Não sabia se conseguiria agüentar tanta tensão, com certeza teria um ataque cardíaco. Não sabia se conseguiria resistir a tanto prazer.

Dessa vez eu que me afastei um pouco, me descolando dele. Precisava de ar. O meio-sorriso continuava em seu rosto perfeito. Resolvi me vingar da lenta tortura, e um sorriso malicioso surgiu em meus lábios.

“Edward,” minha voz saiu entrecortada, me fazendo corar. “Pode se virar um pouco, por favor?"

Ele ergueu uma sobrancelha com expressão curiosa, mas não questionou. Virou-se lentamente de costas para mim, deixando à mostra o dorso perfeito, forte, esculpido em mármore. O mar escuro brilhava ao redor dele, que se parecia ainda mais com um deus. Água escorria do cabelo e da pele molhada criando riscos prateados na pele perfeita. Minha respiração aos poucos foi voltando ao normal, e eu me aproximei dele com uma calma que não sentia, e me encostei contra ele, colando meu peito em suas costas. O choque do frio de sua pele contra a minha, fervente, me fez estremecer violentamente, e o coração voltar a disparar. Já estava começando a lamentar aquele movimento quando percebi que ele também estava reagindo com certa violência, a respiração acelerada, pequenos tremores na pele, como calafrios. Senti meus mamilos se enrijecerem contra a pele fria, e formigarem, ansiando pelo toque de suas mãos. Mais uma vez agradeci por ele não ser capaz de ler minha mente, e encostei meus lábios em seu pescoço, enquanto percorria seu peito com minhas mãos espalmadas, de cima a baixo, me aproximando do ventre liso, fazendo o inverso do que ele fizera comigo. A pele estava salgada, úmida, e fui explorando a nuca com a língua, fazendo traços em direção à orelha, e senti o corpo dele se enrijecer sob minhas mãos, enquanto eu passeava com elas explorando cada pedaço pelo qual elas ansiavam. Percorri a parte interna do braço, os ombros perfeitos, depois voltei até a ponta dos dedos, que se entrelaçaram aos meus enquanto eu continuava o caminho com os lábios. Decidi ousar um pouco, mordendo a ponta da orelha com cuidado, apesar de saber que aquilo jamais o machucaria. O efeito, no entanto, foi inesperado. Ele apertou minhas mãos com força, me fazendo gemer assustada em protesto. Ele imediatamente me soltou e ficou estático, parado. Senti a tensão mudar em seu corpo, para algo diferente.

“Desculpe, Bella. Machuquei você?” Ele tentou se virar e me encarar, mas eu o segurei no lugar, e continuei com os lábios em sua orelha.

“Não, Edward. Só me assustei, não imaginei que você fosse reagir assim”. Fiquei feliz por ele não conseguir ver meu rosto, intensamente ruborizado. Ele pareceu relaxar, então.

“Você não tem idéia dos efeitos que está me causando, amor. Talvez mais tarde eu possa tentar lhe mostrar”. Apesar de não ver seu rosto eu podia sentir o meio-sorriso em sua voz. O sorriso que eu tanto amava. “Na verdade não vai ser tão tarde assim. Em breve será minha vez”.

[Edward narrando]

Ela realmente estava me surpreendendo. Claro que eu conseguia imaginar a extensão do desejo que a consumia. Eu via isso em seus olhos, nos lábios entreabertos, na respiração e nos gemidos, e tudo aquilo me levava à beira da insanidade, como se sua paixão alimentasse a minha. Quando beijei seu pescoço pela primeira vez naquela noite, tive que refrear a vontade súbita de mordê-la, de beber sua vida até o final, de saciar aquela sede que muitas vezes ainda surgia, apesar do controle que consegui desenvolver, de provar novamente aquele gosto infinitamente delicioso que era o do seu sangue. Ela podia ter esquecido que eu já a provara antes, quando fora mordida por James e o veneno dele corria em suas veias, matando- a lentamente. Por isso podia lidar tão calmamente com minha presença a seu lado, daquela forma tão íntima. Mas eu não esquecera. As muitas fomes que eu sentia dela - de sua presença, de seu corpo, de sua mente, de seu sangue, de seu prazer – se mesclavam e me deixavam tonto, beirando a falta de controle. Aquela noite me dava prazer e me feria, mas cada vez menos eu conseguia pensar em parar. Eu só conseguia pensar em continuar. Décadas de auto-controle iam se desfazendo sob suas mãos quentes, seu calor, seu cheiro, sua insensatez. Ela era minha mulher, era minha. Porque não tomá-la, se era esse o seu, o meu desejo? Eu conseguiria parar se a machucasse. Mas ela conseguiria?

Percebi que machucara um pouco suas mãos, eu era tão mais forte. Ela esconderia, claro. Precisava de forças para conseguir reagir ao menor sinal de dor, mas onde eu conseguiria essa força? Era hora de assumir o controle de novo. As mãos de fogo passeando por meu peito, chegando ao meu centro estavam me enlouquecendo, seus lábios em minha orelha impediam meus pensamentos coerentes. A vontade de prolongar tudo lutava contra a vontade de chegar ao final de tudo, e nós precisávamos de mais tempo. Era muito risco a se correr por alguns segundos de satisfação. E ela merecia mais do que isso. Eu também.

Tudo isso eu pensava enquanto ela retomava o passeio das mãos por meu corpo, incluindo agora as costas; ela se afastara um pouco após minha reação, para testar meu ânimo. Bella temia muito que eu parasse, e uma parte cada vez menor de mim, é verdade, ainda não queria estar ali, gritava que era perigoso demais, que nunca fora tentado antes, que eu não tinha experiência e controle suficientes. Ao mesmo tempo meu corpo já sentia a ausência do seu calor em minhas costas, da pressão dos seios delicados contra minha pele. Eu sempre queria mais dela.

Assim, segurei suas mãos enquanto desciam pela parte interna das minhas coxas, e as trouxe até meu peito novamente. “Seu tempo acabou, Isabella Cullen. Minha vez”. Não consegui evitar o sorriso ao ouvir o nome. Virei para ela e olhei profundamente em seus olhos. Ela sorria levemente, o olhar novamente tímido.

“Feche os olhos”, ordenei. Ela obedeceu rapidamente, mordendo os lábios devagar. Apoiei uma mão em suas costas – ela ofegou, surpresa, e com a outra apoiei a parte de trás de suas pernas, e a fiz flutuar. A água nos deixava leves, e em pouco tempo ela estava boiando na linha da água, e eu pude ter enfim uma visão completa de seu corpo. Bella não tinha uma beleza clássica, ou gritante. Mas as linhas e curvas eram suaves e proporcionais, e tinham uma graça particular, apesar dos gestos impensados, impulsivos e desajeitados. Tudo isso a tornava ainda mais linda. O rosto era particularmente atraente, nobre. As pernas eram bem-feitas, alongadas, e o quadril sinuoso. O cabelo tinha um tom de seda marrom envelhecida, um mogno perfeito, e os olhos castanhos assumiam um tom âmbar na luz. Ela seria estonteante se um dia se tornasse uma de nós. O que estava acontecendo comigo? Ela já estava me fazendo considerar a idéia com mais facilidade? Percebi que ela corava sob o meu olhar, e agi antes de lhe causar desconforto. Mantendo seu corpo flutuando, me abaixei um pouco e me aproximei do ventre liso. Ela quase caiu das minhas mãos quando meus lábios alcançaram a pele suave perto do umbigo, se debatendo um pouco, enquanto tentava se lembrar de como respirar, e nisso ela era tão Bella! O sorriso em meus lábios se ampliou, a tensão deixando um pouco meus músculos.

“Oh, Edward”, ela gemeu quando eu a segurei no lugar e comecei a subir com a boca em direção aos seios. Pequenos espamos a sacudiram enquanto minha boca procurava, alcançava e provocava os pontos mais sensíveis. Ao mesmo tempo em que meus lábios subiam novamente para o pescoço, mergulhei seu corpo na água quente, para evitar que sentisse frio. Quando ela ficou em pé novamente na água me encostei todo nela, e desci as mãos novamente para suas coxas, entreabrindo-as. Ela ofegou em meu ouvido, e eu encontrei novamente seus lábios em um beijo intenso, devorador, enquanto minhas mãos a tocavam cada vez mais fundo, encontrando calor, umidade e aceitação. Ela separou as pernas por reflexo, e eu a explorei longamente, aprendendo todos os pontos sensíveis, observando suas reações, seus suspiros, os arpejos da respiração descoordenada, dando tempo para que ela se acostumasse com a intimidade, e ao mesmo tempo devorando sua boca com a minha, invadindo-a duplamente. Em um determinado momento ela explodiu em tremores, e sua respiração cessou por alguns instantes. Um sorriso iluminou meu rosto enquanto eu a apertava contra mim, ouvindo os gemidos baixos e suaves que eram como música enquanto ela repetia meu nome. Quando ela parou de estremecer eu ergui seu rosto com as duas mãos, e a olhei mais uma vez. Eu nunca cansava de olhar para ela. Suas pupilas estavam dilatadas, a boca entreaberta respirando rapidamente, o corpo se recuperando aos poucos do êxtase. O rosto estava corado, e naquele momento a sede por ela ficou insuportável. Eu me afastei um pouco, enquanto travava todos os músculos do corpo. Ela me olhou confusa por uns segundos, e pareceu compreender. Ficou em silêncio, me observando, enquanto eu recuperava o controle aos poucos.

“Eu te amo, Edward”, ouvi a voz rouca e macia. “Não tenha medo, você não vai me machucar”. Ah, como eu queria ter essa confiança! Até agora estava tudo indo bem, mas o teste final ainda estava longe, e por duas vezes eu tive que parar. O que fazer se não conseguisse mais?

Mas então ela se colou a mim novamente, a boca devorando meus lábios, suas mãos por todo o meu corpo, como se a pequena experiência de instantes atrás tivesse apenas despertado ainda mais a fome intensa que ela sentia, e todos os pensamentos fugiram de minha mente mais uma vez. Só o que havia era o calor daquela mulher. O calor que aumentava a cada segundo, me carregando para longe de tudo.

[bella narrando]

Quando ele segurou meu rosto com as palmas das mãos frias e olhou para mim, o mundo voltou a girar. Antes tudo estava parado: o mundo, minha mente, meu corpo, meus nervos, meu coração. Tudo estava envolto em uma névoa de lassidão, parecia ter deixado de existir, e voltava ao foco lentamente. Meu corpo havia se preparado para aquilo antes, e se frustrado inúmeras vezes, quando ele interrompia as noites em que estávamos juntos nos momentos mais intensos. A ausência de frustração, a necessidade preenchida, o calor que ele me fizera sentir, apesar do frio de suas mãos... Naquele momento eu deixei o planeta, e fui parar em algum outro lugar onde não existia mais nada a não ser Edward. Como se isso fosse possível. Alguns dos romances descreviam o clímax como “a pequena morte”, principalmente os franceses. Acho que agora eu entendia o porquê; era mesmo uma experiência de quase morte, da qual eu voltei com relutância, com medo de que alguma coisa pudesse dar errado fora daquele ninho de sensações extasiantes.

Mas era ele quem me trazia de volta, com seu toque gélido, seus olhos cheios de paixão. Era ele quem me fazia esquecer a súbita timidez que vinha da minha falta de roupas. Que fez com que eu me sentisse uma pessoa completa. Olhei para ele e senti que meu coração poderia explodir com tantos sentimentos, eu não sabia na verdade como eu ainda conseguia viver ao lado dele. Era de se esperar que eu já tivesse morrido ou algo assim. Morrido de amor. Seria poético e adequado.

E então suas feições – sempre perfeitas, eternizadas naquele rosto adolescente dos meus sonhos – suas feições se modificaram. Eu vi seus lábios se entreabrirem como se ele estivesse com sede; os dentes afiados visíveis ao luar. Os olhos se nublaram por uns instantes e ele não estava exatamente ali; aquilo me assustou, pois eu nunca o vira antes daquela forma. Naquele momento ele era exatamente o predador perigoso contra o qual ele sempre me alertava, que sempre o preocupava. E então ele voltou, e se afastou de mim. Me senti solitária. Soltei o suspiro que estava prendendo, e o observei procurando alguma reação, alguma pista de como ele estava se sentindo. Ficou imóvel como uma estátua, olhando para o horizonte. Depois olhou para mim com uma expressão vaga e distante.

Eu precisava dizer algo, e foi o que meu coração sentia como verdade absoluta.

“Eu te amo, Edward”. Era verdade absoluta. “Não tenha medo, você não vai me machucar”. Para mim aquilo também era verdade. Eu apenas não podia acreditar que ele pudesse me ferir. E caso acontecesse... Descobri naquele momento que estava disposta a morrer se fosse por suas mãos, seus dentes, sua boca. Então eu seria completamente dele. Sei que isso era errado, insano, mas quantas coisas não haviam sido desde que nossa história começara...? Seria apenas o desfecho perfeito para o estranho amor entre um vampiro e uma humana.

Ele me olhou novamente, e só nós dois existíamos no mundo. Ele me olhou como se estivesse me descobrindo pela primeira vez; eu sentia como se fosse. Reconheci também em seu olhar aquele sentimento que eu temia ver desde o início: medo de me perder, dúvida. Ele estava hesitando.

“Bella”, ele começou a dizer, mas eu o silenciei com um beijo que nunca me permitira antes. Não havia palavras para dizer a ele tudo que eu queria, então cruzei dedos imaginários na minha mente e torci para que meu corpo conseguisse transmitir toda a confiança, toda a vontade que eu tinha, o quanto aquilo tudo estava sendo importante para mim. Ele, que sempre era tão mais rápido, mais forte, mais perceptivo, mais resistente... Saber que eu tinha o poder de quebrar seu controle nos deixava em pé de igualdade. O amor se tornava um campo de batalha no qual tínhamos forças parecidas. Naquele momento, em que eu o conduzia pela mão e o fazia sentir humano mais uma vez, nós éramos iguais. E talvez ele nunca pudesse entender como isso explicava minha insistência em que tivéssemos ao menos essa noite, antes de minha transformação. Era egoísta de minha parte, trazer sofrimento a ele, mas aquilo nos nivelava. E só assim eu podia sentir que tinha valor na vida de Edward Cullen. Só assim eu podia entrar naquele universo com ele feliz em ser apenas a mortal, frágil e indefesa Bella Swan, e sentir que tinha algo a oferecer àquele ser que não precisava de mais nada.

O beijo, que pretendia dizer tantas coisas, acabou se tornando uma tempestade de calor e frio, enquanto o desejo de me tornar completamente dele voltava com força redobrada, levando minhas mãos a deslizar por seu corpo invernal com uma ousadia que me deixou novamente corada. Aquilo me surpreendeu e me assustou, e desta vez, apesar do abandono pleno de Edward, que devorava meus lábios e língua com igual intensidade, eu me afastei, buscando ar.

Mas não era ar que eu queria. Eu queria certezas. Apenas o que eu não podia ter...

“Bella, amor, o que houve? Você está bem?” A preocupação que havia na voz dele, tão familiar, me doeu. Eu não queria estar fazendo isso desta forma, coagindo a pessoa que eu amava acima de mim mesma. Eu queria que ele se sentisse bem, sem culpa. Será que seria impossível?

Ficamos por um tempo buscando, no olhar do outro, respostas para perguntas silenciosas. Até que me afastei dele um pouco mais, nadando com braçadas lentas até mais perto da margem da praia. Até um ponto em que pudesse me sentar, sentindo as pequenas ondas mornas se chocarem contra minha pele. A lua subira no céu, eu não sabia mais que horas eram, o tempo se tornara uma coisa fluida, intangível. De certa forma eu queria e não queria que aquele momento durasse para sempre.

“Bella?” A ansiedade na voz de Edward se tornou mais perceptível. Como eu queria tirar aquela ansiedade dele para sempre! Não ser um objeto de preocupação eterna... Eu sabia que estava estragando o clima, mas não conseguia controlar os pensamentos, e mais uma vez, eu senti que estava prestes a arruinar tudo. Porque isso acontecia comigo? E justo nesse momento? Eu sempre estragava tudo.

Não consegui responder, porque não consegui nem mesmo aceitar que minha mente estivesse tendo uma crise de consciência naquele momento, depois de tudo que já acontecera, mas talvez fosse exatamente o momento certo, antes que algo mais acontecesse.

“Bella, o que houve?” De repente ele estava ao meu lado, guardando certa distância. “Fale comigo. Não está arrependida, está?” Os olhos agora transbordavam algo que beirava o pânico, e eu não pude mais pensar, ou me conter. Estendi as mãos para ele, que entrelaçou os dedos nos meus, me devorando com os olhos, tentando alcançar meus pensamentos, mas impotente.

De repente tudo que eu estava pensando veio à tona, não consegui mais segurar as palavras. Disse tudo que pensara nos últimos instantes. Sobre a preocupação constante. Sobre eu ser algo único na vida dele. Sobre o amor ser na verdade um campo de batalha. Ele ouviu tudo em silêncio, com um ar solene. E por fim, disse a ele que não queria nada que ele não quisesse inteiramente. Que se ele ainda tivesse alguma dúvida, qualquer uma, eu não o forçaria mais a continuar, independente de qualquer acordo prévio, porque eu sabia que ele estava passando por sofrimento demais para me dar aquele momento. E que eu não me importava em morrer em seus braços; o que me importava era saber o que quão horrível ele se sentiria se algo me acontecesse.

Quando terminei, houve um período de silêncio. Dei tempo a ele, que ficou imóvel, pensativo, enquanto eu me apercebia novamente da beleza do ambiente ao redor. Apesar da água morna, uma brisa fresca começou a soprar do norte, e o ar fresco contra minha pele molhada me causava arrepios. O cheiro da brisa era salgado, me lembrava um pouco a brisa da praia em La Push. Outra vez agradeci mentalmente por ter um cérebro torto e inacessível a Edward. La Push sempre me lembrava Jacob, e aquele momento era bem inconveniente. Mas a lembrança desta vez não trazia nada além de um pouco de paz, como ecos de uma onda distante que nos embala sem causar grandes distorções na superfície.

Senti a mão de Edward em meus cabelos molhados, afastando-os do meu rosto. Senti a ponta dos dedos frios traçarem as linhas do meu queixo, virando meu rosto para olhar para ele.

Sua expressão estava serena. Mais do que isso, seus olhos brilhavam com o reflexo do luar, e eu pude ler neles a extensão do seu amor. Só aquilo já me encheu de alegria. Ele poderia até desistir. Eu não me importaria mais. Só o que me importava era estar com ele.

“Bella”. Eu amava o jeito com que ele sussurrava meu nome. Ele encostou a testa na minha, e ambos ficamos de olhos fechados, mãos entrelaçadas. “Você tem idéia de como representa tudo na minha vida desde que entrou nela?”

“Bem, tenho certeza de que ela ficou um pouco mais movimentada”, eu respondi, tentando brincar.

“E você tem idéia de que eu quero que esta noite aconteça tanto quanto você? Ou até mais? O quanto eu quero que você seja completa, inteiramente minha?” Bem, isso eu não tinha certeza. Fiquei em silêncio. Ele prosseguiu.

“Acho que agora consigo entender você melhor. Entender porque isso é tão importante para você. Que não é só capricho ou inconseqüência. Porque” – ele me interrompeu antes que eu pudesse responder – “isso é perigoso, Bella. Eu preciso que você saiba disso, de toda a extensão do perigo que você está correndo. Você sabe disso, não sabe?”

Me lembrei do olhar vago dele, os dentes brilhando ao luar. Estremeci. Acenei com a cabeça, a boca subitamente seca.

“Então você entende os riscos envolvidos. E mesmo assim pretende ir até o fim?”

Acenei novamente. Edward conseguia ser formal mesmo nessas horas, os dois sem roupas, sentados no mar, em uma praia deserta de uma ilha tropical.

Ele suspirou. Mas depois sorriu, o meu sorriso torto; discreto, mas estava lá.

“Então acho que temos que tomar um banho, Sra. Cullen, e fazer isso direito. Temos uma cama nos esperando. Eu tenho quase certeza de que amanhã eu vou me arrepender, mas vou esquecer as preocupações por uma noite. É tudo que eu garanto no momento”

Foi minha vez de sorrir, um sorriso iluminado. “Tenho certeza que vai ser suficiente”. Ele então me tomou novamente nos braços e me carregou para dentro da casa, enquanto eu tremia de frio, amor e expectativa.

[Edward narrando]

Era incrível como Bella sempre me surpreendia. Além de não ter a menor certeza da importância que tinha em minha vida, conseguia fazer com que o amor que eu sentia por ela aumentasse cada vez mais, com gestos simples, com palavras inesperadas. Sempre que eu achava impossível que meu coração comportasse mais coisas, ela aparecia com alguma surpresa que me pegava desprevenido.

Foi assim naquele momento em que ela confessou o que estava pensando de forma tão pouco calculada, embora ela sempre fosse mesmo muito transparente. Eu estava me preparando para algo diferente, por causa da reação inesperada que ela tivera durante o beijo, e ela terminou por me dar a opção que eu sempre quis que ela me desse: a de não passar pelo tormento de estar com ela e terminar por feri-la no processo.

Não foi uma decisão fácil de tomar. Ter algo muito precioso nas mãos e decidir correr o risco de perdê-lo, podendo aguardar um pouco para poder desfrutar dele de forma mais segura, mais completa... Que tolo faria isso a não ser alguém muito apaixonado... como eu? Mas agora que ela verbalizara seus pensamentos, as coisas se tornavam mais claras, e justificavam melhor o risco. Ela era humana. Queria essa experiência. Queria me dar essa experiência. Que eu tivesse como retirar dela tudo o que podia me dar, antes de mudar para sempre.

Aos poucos o pânico foi se dissolvendo da minha mente, e a vontade que sentia por ela aumentou, apagando o resto das minhas dúvidas temporariamente. Aquilo aumentou também minha confiança no meu controle. Talvez se eu me entregasse ao que sentia ao invés de lutar contra; se conseguisse canalizar a força de meu desejo ao invés de combatê-la...

E assim, ao invés de desistir, de confessar que não confiava mais no meu autocontrole, eu a trouxe para a casa em meus braços, tentando não segurá-la muito perto para que não sentisse frio. Enquanto carregava seu corpo leve, continuava a devorá-la com os olhos. A espera havia demorado muito, e agora eu me permitiria desfrutar do que nos fora negado por tantos meses. Intimidade absoluta.

Levei-a direto para o banheiro, mantendo as luzes apagadas. Eu não precisava de luzes, enxergava muito bem no escuro. Deixei-a em pé em frente ao chuveiro e sorri, mesmo sem saber se ela conseguia ver. Abri uma das torneiras e deixei a água quente, o máximo que poderia estar sem que ela se queimasse, e beijei sua testa de leve.

“Bella, amor. Se esquente um pouco, eu já volto. Você deve estar gelada a essa altura.”

“Um pouco”, ela concordou, enquanto deslizava com cuidado para dentro do chuveiro. Senti que ela relaxava ao contato da água quente, e lutei contra a vontade de me juntar a ela naquele mesmo momento. Tinha ainda algumas coisas a preparar.

 

Parte II

 

Voltei ao banheiro poucos minutos depois. Ela estava encostada na parede, que era de granito, deixando a água quente escorrer pelas suas costas. Parecia bem, grande parte da tensão dissolvida pelo calor e pressão da água, que era bem forte. O ambiente se enchera de vapor, criando uma névoa densa, e ali o cheiro dela ficava um pouco mais leve, quando misturado a tanta água no ar.

“Você tem alguma idéia de como é irresistível?” Eu perguntei, enquanto entrava no chuveiro, e me colocava entre ela e o jato de água, esquentando também meu corpo. Ela se virou, e ergueu a cabeça ao olhar para mim. Busquei seus lábios com os meus com gentileza, testando seu humor. Era sempre imprevisível para mim. Ela me beijou de volta devagar, tocando meus lábios com a ponta da língua, fazendo caminhos, sem pressa. Eu amava essa nova faceta dela, que estava sendo despertada aos poucos, essa confiança, essa falta de timidez. Ela estava deixando a adolescência cada vez mais rápido. E nunca me pareceu mesmo uma adolescente; Bella sempre fora mais madura do que as outras garotas de sua idade. Isso compensava o excesso de timidez e insegurança que eram típicos dela. Eu amava sua seriedade, seu senso de responsabilidade, de conseqüência, a forma como se preocupava com sua família e com o bem-estar de todos, principalmente comigo, que tanto a fizera sofrer. Amava até mesmo seu silêncio, quando estávamos na escola, enquanto todos riam, brincavam e faziam barulho. Aquilo a aproximava de mim.

Aproveitei que o beijo a estava deixando sem ar e parei um pouco. Olhei em volta; o lugar onde ficava o chuveiro era enorme, as paredes eram todas de granito claro, ao lado tinha um pequeno jardim de inverno com folhagens e um banco de pedra. Levei o que trouxera na mão até lá, puxando-a pela cintura, sem desligar o chuveiro, o vapor funcionava como uma sauna, esquentando o ambiente. Senti um cheiro leve de suor, que vinha dela e melhorava ainda mais seu perfume, deixando-a ainda mais viva, mais saborosa. Sentei no banco de pedra e coloquei uma toalha que molhara com água quente em meu colo, para diminuir o choque de temperatura. Fiz com que ela se sentasse sobre minhas pernas de costas para mim. Afastei os cabelos molhados, empurrando-os para a frente, deixando a visão plena de suas costas nuas. Comecei a deslizar as mãos pelas costas molhadas, sentindo os músculos se contraindo a cada toque. Eu queria que ela relaxasse, mas estava surtindo o efeito contrário.

Me inclinei para a frente, até que estivesse perto de sua orelha. “Bella,” sussurrei, “relaxe, não vamos ter pressa”.

“Não quero relaxar”, ela resmungou, com um toque de diversão em sua voz. “Na verdade meu corpo é quem não quer, eu não consigo evitar”. Agora eu ouvi o sorriso em sua voz, junto ao suspiro lento. Era melhor assim. A tempestade de suas emoções aparentemente estava se dissolvendo.

“Vamos resolver isso. Parece que Alice tinha algumas sugestões a nos dar, encontrei algumas delas espalhadas pela casa.”

“Ah, não!” ela respondeu, um pouco constrangida. “Aqui também?”

“Como assim também?” Provoquei. Imaginei que minha irmã teria reservado algumas surpresas para o guarda-roupa de Bella, mas não quis tocar no assunto, pois sabia o quanto aquilo a deixava envergonhada.

“Hum. Nada, você sabe como é a Alice. Sempre dando muitas sugestões.”

“Concordo. Mas devo admitir que gostei delas, dessa vez. Quase tanto quanto gostei do seu vestido de noiva.”

“Ah.” Ela não conseguiu encontrar mais nada para dizer. Devia estar terrivelmente vermelha. Confesso que para mim também era estranho estar com ela daquela forma, mas estava encantado com as descobertas. Tantos anos ouvindo comentários e piadas internas de Jasper e Emmet; finalmente eu podia entender algumas coisas por mim mesmo, sem precisar ficar sondando os pensamentos alheios, ou recebendo informações da vida íntima deles mesmo quando eu não queria.

E também... Era a primeira vez que eu amava tanto alguém assim. Queria que tudo fosse perfeito. E como ela nunca tinha feito isso com ninguém antes... Eu sabia o quão desconfortável poderia ser para ela se eu não tomasse cuidado.

“Seus olhos estão fechados?” Perguntei a ela.

“Sim.” Ela repondeu, um pouco desconfiada.

“Então eu quero que você relaxe. E eu quero conhecer seu corpo. Se – se você me prometer que não vai se descontrolar. Promete?”

“Não.”

“Essa é a minha Isabella. Eu gosto do seu nome assim. Bella é lindo, mas Isabella é mais clássico. Combina com você. Posso começar?”

“Aham”. Senti que o corpo dela estava tenso de novo, em antecipação. Dei uma risada rouca. De repente fiquei novamente muito consciente do corpo dela junto ao meu, sentada em meu colo... Seria muito fácil apenas afastar a toalha, me mover para junto dela, dentro dela. Mas não queria que fosse assim. Afastei os pensamentos em outra direção, e passei de novo as mãos pelas costas nuas, só que agora para espalhar um líquido que Alice deixara em um frasco no armário do banheiro. A substância era oleosa, com um perfume bastante agradável, e segundo a nota que ela deixara vinha de plantas e flores que cresciam na ilha. Ela deixou escapar um gemido.

“Não sabia que você também entendia dessas coisas,” ela comentou, com a voz baixa e entrecortada.

“Com você eu sempre tento ser muito humano, você sabe. Além disso, Carlisle é médico, ele me ensinou algumas coisas. E assisto filmes de vez em quando.”

“Que tipo de filmes você anda assistindo, hein?” ela perguntou, enquanto meus dedos iam encontrando pontos de tensão nos músculos e desfazendo devagar, com cuidado. Qualquer força a mais que eu usasse poderia machucá-la. Ela não sabia que isso também era um exercício para que eu soubesse até onde poderia ir.

“Você se surpreenderia,” respondi, provocando.

“Edward! Você não andou assistindo...” Ela não conseguiu terminar a frase, e não consegui conter as risadas. Depois que terminei de explorar suas costas, passei para os braços, me demorando na parte interna, onde a pele era mais sensível. Senti que a respiração dela e o coração iam se acelerando. Quando isso acontecia, eu parava. Ela se manteve o quanto pôde dentro da promessa de relaxar, mas eu sabia que estava ficado cada vez mais difícil. Eu ia saboreando suas reações, encantado; o óleo e o vapor camuflavam seu cheiro, tornando fácil a parte de me controlar; fiz uma nota mental para agradecer a Alice depois.

Quando terminei com os braços desci para as pernas, ela permanecia sentada em meu colo, então mudei de posição e a coloquei deitada de costas no banco, sobre a toalha, e me ajoelhei ao lado dela enquanto deslizava as mãos pelas pernas de cima a baixo até os pés, memorizando cada detalhe, cada imperfeição, cada dedo, a textura da pele, a firmeza dos músculos, as curvas, a delicadeza, a fragilidade dela sob minhas mãos. Percebi que algumas vezes a toquei com muita força, ela não reclamava, mas eu percebia; aos poucos fui aprendendo o que tinha que fazer, a pressão que podia usar, a forma que ela mais apreciava. O Leão e o cordeiro. Mas dessa vez era o próprio cordeiro quem se sacrificava. Se bem que, eu tinha que admitir, ela estava gostando bastante. Não parecia um grande sacrifício... Por enquanto.

Evitei outras áreas propositadamente, antes que o controle nos fugisse. A noite ainda era uma criança, e aparentemente a satisfação que ela alcançara enquanto estávamos na praia havia diminuído um pouco sua urgência. Quando me dei por satisfeito, ergui-a novamente, e a levei até o chuveiro, para que retirasse o excesso do óleo. Ao ver a expressão de prazer em seu rosto não consegui me conter, colei meu corpo no seu, sentindo a pele dela deslizar contra a minha, e a beijei até ficarmos ambos sem fôlego nenhum, enquanto as mãos delas deslizavam por mim já com certa desinibição; sem fôlego era modo de dizer, já que eu não respirava, mas meu peito queimava, e a boca ardia de desejo, seca. Quando falei, as palavras saíram com dificuldade, entrecortadas.

“Bella... assim... nós vamos... acabar pulando as etapas.”

“Etapas?” Foi só o que ela conseguiu balbuciar, enquanto colocava a mão no peito, como se estivesse sem ar depois de correr por muitos metros.

“Você vai gostar. Vai ficar quietinha?”

“Ei! Eu não fiz nada dessa vez! Você me agarrou!” Ela protestou, e estava certa. Eu é que havia me adiantado.

“É verdade. Vamos, então?”

Envolvi Bella com a toalha úmida, retirando o excesso de água da pele e dos cabelos, e a carreguei mais uma vez, até o quarto. Em meus pensamentos, torcia para que tudo desse certo até o final.

[Bella narrando]

Bem, eu podia estar em silêncio, como sempre, sem palavras como sempre, mas isso não significava que eu não estava com a mente em um turbilhão de palavras, sentimentos e sensações como nunca antes em minha vida. E era sempre ele quem causava isso, Edward, o meu deus particular, perfeito, o vampiro perigoso e apaixonado dos meus sonhos. Estar vivendo aquilo com o qual eu tanto ansiei era indescritível. E quando eu achava que não podia ficar melhor, ficava. E ele ainda dizia que tinha outras coisas guardadas... Se eu não enlouquecesse completamente naquela noite, isso nunca mais aconteceria. De certa forma as dúvidas e inseguranças tinham ficado para trás; naquele momento só nós dois existíamos. Eu, deitada ali, com as mãos firmes e geladas dele escorregando pelo meu corpo todo, me esforçando como nunca para cumprir a promessa de relaxar, entre os arrepios, calafrios e espasmos que me ameaçavam cada vez que ele chegava perto de algum ponto mais sensível, e que em determinado momento parecia ser meu corpo todo. Às vezes minha mente perdia a concentração e eu achava que iria pular em cima dele a qualquer instante, esquecer todo o resto e consumar aquilo que meu corpo pedia, implorava. A espera, a antecipação, a expectativa, tudo se condensava em uma dor física que atingia meus pontos mais vitais. Mas eu me controlei e forcei a mente a se acalmar, e o corpo foi realmente relaxando sob o toque dos dedos frios, sob o reconhecimento gentil dele de como era meu corpo. Aproveitei o momento de calma para realmente olhar para ele pela primeira vez em sua plenitude, ajoelhado ao meu lado.

Apesar da falta de luz, um pouco do luar se infiltrava por janelas de vidro estrategicamente colocadas em vários lugares da casa, e eu podia ter uma visão do corpo perfeito, dos músculos bem desenhados e rijos, sem uma cicatriz, sem uma imperfeição. O rosto mostrava a concentração dele em meu próprio corpo, e pela primeira vez não me envergonhei. Eu pertencia a ele. Era natural que ele estivesse curioso... Mais até do que eu. Quando ele retirou a pulseira do meu braço eu me perguntei o que ele pretendia dizer com aquele gesto, mas a curiosidade foi suplantada por uma certeza; não importava nada do que eu havia sentido por Jacob no passado; naquele momento eu era completamente dele, e nada mais poderia me afastar do agora e de toda a sua imensidão. Eu sempre pertenci a Edward Cullen, e pertenceria para sempre. Aquela noite era apenas uma confirmação disso.

Quando ele me carregou para o quarto, pediu que fechasse os olhos; obedeci. Senti, ao chegar, que o quarto tinha um pouco de claridade, ele devia ter ligado alguma luz. Edward me sentou delicadamente na cama, e eu senti o calor que emanava do ambiente, como se um aquecedor estivesse ligado... A falta do corpo frio dele, quando ele se afastou, foi sentida imediatamente; uma linha fina de suor se formou em minha testa. Ouvi um som discreto de vidro e líquido, e em poucos segundos ele se sentou ao meu lado, encostando o corpo no meu, aliviando o calor.

“Pode abrir os olhos”, ele disse. Quando eu abri, fiquei sem palavras. O quarto brilhava com uma infinidade de velas acesas dentro de candelabros de vidro, e o calor que emanava das pequenas chamas impedia que eu sentisse tanto frio ao lado dele. Ele tinha deixado uma garrafa de champanhe na mesa de cabeceira ao lado dele, e duas taças cintilavam à luz das velas, já cheias pela metade. Ele sorria.

“Acho que não aproveitamos muito bem nosso brinde de casamento, Sra. Cullen. Que tal repetir?” Ele me estendeu uma das taças, e segurou a outra. Seus olhos estavam solenes e brincalhões ao mesmo tempo; como eu amava aquilo! Malicioso, também. Percebi que seus olhos percorriam meu corpo em relances.

“Acho que seria apropriado”, eu respondi, corando.

Ele inclinou o corpo na minha direção, trazendo a taça perto da minha. E ao que você deseja brindar, Bella?”

Pensei um pouco, enquanto me deliciava com o hálito doce que emanava dele, melhor do que qualquer champanhe. “Ao que seria mais óbvio?”, perguntei. Minha voz estava rouca, e eu senti sede.

“A nós, eternamente.” Ele respondeu como se tivesse lido meus pensamentos. Corei mais violentamente ao ouvir aquelas palavras finalmente ditas e se transformando em realidade...

Nossas taças se tocaram em um movimento rápido, e eu, como sempre, desastrada, fiz metade do líquido de minha taça se derramar sobre mim. Fiz menção de me secar com um dos lençóis da cama, mas Edward me impediu. “Espere. Você sabe que eu não aprecio muito o gosto das bebidas mesmo... O mais divertido não é o que estou bebendo no momento, mas como,” e deu um sorriso absolutamente diabólico, antes de se inclinar sobre mim para provar com a língua as gotas que escorriam por meu corpo. Tive que me segurar para não pular mil vezes com o toque frio deslizando por mim; sentia o rosto pegando fogo. Quando ele terminou, eu estava com a respiração totalmente instável, e com certeza estava tendo uma arritmia, porque eu sentia que às vezes meu coração esquecia de bater. Ele me manteve o tempo todo sentada, com as pernas entreabertas, para que pudesse ter acesso a todos os lugares por onde o champanhe escorrera. Não sei como não desmaiei. Talvez tenha desmaiado sem perceber.

Ele se sentou novamente, sorrindo.

“Delicioso. O melhor brinde que eu já fiz. Você tem que tomar o seu”, e então ele encheu minha taça novamente até a borda, e me entregou. “Beba tudo. Quero ver o que acontece”.

“Como assim?” Perguntei desconfiada. Ele apenas riu, um riso quente. Fiquei quieta esperando uma resposta.

“Álcool é um inibidor químico. Só que a primeira coisa que ele inibe no organismo humano são os inibidores naturais, que reprimem vocês. Por isso vocês ficam relaxados e desinibidos quando bebem. Acho que vai ser bom, afinal eu quero você completamente desinibida. Já que vamos aproveitar...” E dizendo isso, ele piscou um olho, o rosto transbordando sugestões.

“Ei, eu não costumo beber, você sabe! Posso passar mal...” Tentei escapar da experiência, mas minha própria voz não tinha muita convicção. Eu estava começando a achar a idéia atraente, apesar de pensar que gostaria de passar pela experiência o mais sóbria possível...

“Eu cuido de você. Vá, seja uma boa menina. Tome tudo”, e novamente me estendeu a taça. Dessa vez encarei o desafio, e bebi tudo de uma só vez. O calor do álcool explodiu em minha garganta, me levando às lágrimas e me fazendo tossir. Que romântico. Onde eu estava com a cabeça? Nunca bebera assim na minha vida, exceto um ou dois goles em alguma comemoração. Ele sorriu e encheu a taça de água. Me entregou. Bebi rapidamente, por causa da sede. Depois ele encheu novamente com mais champanhe. Inspirou profundamente, sentindo o aroma da bebida.

“É bom”, ele disse. “Mas nem se compara com você. E é melhor quando está derramado na sua pele. Aí fica quase perfeito”.

“Quase?” Me perguntei em que poderia melhorar.

“É, quase. Só é perfeito quando não tem nada em cima de você para atrapalhar. Mas aí é mais difícil eu me segurar...” ele disse em tom casual, como se as conseqüências de ele não se segurar não fossem nada demais. Era intrigante e ao mesmo tempo um pouco assustador conviver com aquele lado despreocupado de Edward. Afinal, ele era o predador.

Ele me entregou a taça e eu bebi novamente fazendo uma careta. O gosto era amargo e desconhecido, mas começou a me causar um bem-estar no estômago, e bebi com mais calma e mais devagar dessa vez. Ele me fez beber mais uma taça cheia, sempre alternando com água.

“Para que tanta água?” Perguntei, curiosa.

“Para não desidratar. É por isso que vocês passam mal quando bebem.”

“Ah”. Parecia fazer sentido, e eu estava mesmo com sede. Aos poucos senti a cabeça leve, e um calor com formigamentos se estendendo sobre minha pele. Senti o quarto rodar um pouco, e vontade de rir. Ele me olhava atentamente o tempo todo, sem perder um segundo, às vezes sorria.

“Edward Cullen, você não precisa disso para me seduzir”, eu protestei, rindo um pouco. A bebida tinha subido bem rápido em meu corpo inexperiente.

“Eu sei. Mas acho que vai ser interessante”, e dizendo isso ele me deitou de costas na cama, me ajeitando sobre os travesseiros. Depois se deitou ao meu lado, e me puxou de encontro ao corpo dele, se colando a mim, a cada curva. Ficamos os dois com os corpos entrelaçados, deitados de lado. Minha respiração falhou, e eu puxei o ar com força. Ele passeou uma das mãos com preguiça pelas minhas costas.

“Nervosa?” Ele perguntou, impassível.

“Um pouco”, admiti.

“Não fique. Somos feitos um para o outro.” E então ele começou a me beijar, e meu corpo pegou fogo ainda mais rapidamente. O álcool fazia efeito, e as sensações que ele me causava se intensificavam. Percebi que deixava minha timidez de lado, e explorei o corpo que tanto me encantava já com alguma familiaridade, tocando todas as partes dele, traçando as linhas com a ponta dos dedos, como ele fazia, chegando perto das partes mais escondidas, partes que antes eu morria só de pensar em tocar. Ele também gemia baixo em algumas passagens, e em uma ou duas vezes disse meu nome com a voz rouca, quase inaudível, não mais do que um sussurro. Em poucos minutos, estávamos os dois ofegando. Quebrei o beijo que ele me dava para buscar ar. Ele se apoiou em um dos braços e ficou me observando, enquanto os dedos passeavam por minha barriga.

“Você fica linda assim, sabia? Me pergunto se consegue ficar mais linda do que isso... Mas pretendo descobrir.”

“Ah é? Como?” Perguntei, antes que pudesse compreender o que estava por trás das palavras dele.

“Observando seus olhos e seu rosto quando eu estiver dentro de você”, ele respondeu, tranqüilo, como se estivesse me dando bom dia.

Engoli em seco. Observei como meu peito subia e descia com a respiração acelerada, meu pulso parecia um tambor. Sentia a testa suada apesar do corpo frio dele, que já não me incomodava. Eu estava com medo do desconhecido, mas meu corpo inteiro pulsava pedindo por aquilo. Ele me tocava como se tocasse um piano, extraindo de mim uma melodia, um ritmo. Fiquei me perguntando como seria quando estivesse se movendo dentro de mim. De repente não quis mais esperar. Eu queria saber.

“Acho que está na hora de descobrir, então. Ou você quer esperar mais um pouco?” Eu perguntei, temerosa da resposta.

“Não, acho que eu não quero mais esperar.” E dizendo isso, ele se ergueu sobre mim e se deitou sobre meu corpo num movimento perfeito, com cuidado, para que eu me acostumasse com o frio do corpo dele sobre minha pele quente. Ele me abraçou e enterrou o rosto em meu pescoço, em meus cabelos, dando pequenas mordidas que me faziam pular de encontro ao corpo dele buscando, implorando. Eu mal sabia que aquilo era apenas o começo.

[Edward narrando]

Eu só estava calmo por fora. Precisava que ela estivesse calma e tranquila, porque eu não estava. Havíamos chegado a um ponto meio que sem volta, não havia mais muito a fazer, talvez pudesse esperar mais um pouco, prepará-la melhor, mas eu não acreditava nisso, eu via em seus olhos que ela queria aquilo tanto quanto eu, mais, até. Tudo estava indo bem, bem demais, mas o esforço maior viria agora. Me deitei sobre ela, para sentir seu corpo todo colado no meu, e a abracei. Mergulhei o rosto em seu pescoço, em seu cabelo, e senti a sede familiar chegando novamente, subindo por minha garganta. Ao invés de parar, dei pequenas mordidas em seu pescoço, como se estivesse me preparando para mordê-la, e ela praticamente saiu de si com aquilo. Acalmei os pensamentos. Tinha que estar preparado para o pior, se eu a mordesse de verdade teria que tentar novamente tirar o veneno de seu organismo, ou prepará-la para a transformação. Tudo estava mais ou menos ajustado para qualquer possibilidade.

Mas ao invés de aumentar minha sede, as mordidas, que não chegavam sequer a arranhar sua pele, a acalmaram. Seria o instinto do caçador sendo aplacado? De repente resolvi fazer um último teste, uma iluminação me atingiu. Vinda do medo, talvez. Ou talvez fosse apenas mais curiosidade, mais vontade de tê-la completamente. Ela estava suada, corada, um tormento por toda a parte. Mas o cheiro mais intenso vinha do centro dela. Uma parte que eu tinha evitado um pouco, exceto quando estávamos no mar, embaixo da água, e que então me permitira tocar. Me afastei um pouco dela, gerando um gemido de protesto. Me inclinei e sussurrei em seu ouvido.

“Calma, amor. Preciso fazer algo antes.”

E colei os lábios em seu pescoço, inspirando profundamente, sentido a pulsação do sangue em suas artérias, me inebriando com seu cheiro doce, tentador, provando o suor da pele, que lembrava de uma maneira milhares de vezes mais fraca o gosto de seu sangue. Desci pelos seios, me demorando um pouco nas partes que a faziam pular, e desci pela barriga lisa. Quando ela percebeu que eu ia continuar descendo, segurou meus cabelos com as mãos. Eu sabia que ela estava terrivelmente envergonhada, mas aquilo provavelmente me ajudaria, então segurei suas mãos com uma das minhas com firmeza e continuei descendo.

Foi um choque para ambos quando a encontrei com a boca e a língua; para ela, uma sensação totalmente desconhecida, de frio e invasão ali onde era mais sensível, e para mim, estar tão perto daquilo que era o mais próximo possível do cheiro verdadeiro dela, do seu ponto mais vital, de onde a vida surgia; o cheiro era intenso devido ao grau de excitação que ela tinha atingido; era pungente, mais salgado que o cheiro de seu sangue, mas quase tão potente quanto. Inspirei profundamente enquanto provava seu sabor, explorando todos os pedaços dela, deixando que o cheiro me inundasse. Já não prestava atenção a suas reações, a seus protestos, – ainda seriam protestos àquela altura?

Me deixei levar pela experiência sensorial. Senti mais uma vez a boca cheia de veneno, estava pronto para devorá-la, para bebê-la até o fim, mas a vontade não era mais tão incontrolável como antes. Senti suas mãos novamente em meus cabelos. Eu a soltara sem perceber, mas elas já não faziam resistência, pareciam me guiar, guiar o ritmo, a pressão que eu precisava fazer para levá-la ao êxtase. Era como se não fosse a primeira vez, e sim uma redescoberta de algo que ficara muito tempo longe de mim.

Aos poucos percebi que suas pernas se contraíam de forma ritmada, e a respiração foi se encurtando cada vez mais. Continuei sob suas mãos, fazendo o que ela desejava, perdendo a noção do tempo, me aprofundando dentro dela, tocando-a com a ponta dos dedos e com a língua ao mesmo tempo. Senti quando meus dedos encontraram uma resistência, e lembrei que ela iria sangrar, provavelmente, e o cheiro ficaria ainda mais tentador. Ainda bem que eu já estava controlado o suficiente depois daquela incursão ao seu corpo.

Ouvi um grito abafado no momento em que todo o seu corpo se contraiu, e depois relaxou, em meio a espasmos. O cheiro dela se tornou ainda mais intenso, e eu voltei a me deitar sobre ela, para fugir da onda doce e fulminante que me alcançou. Me apoiei um pouco nos braços para observá-la com curiosidade, e por um momento fiquei feliz por ela ter insistido tanto em ter essa experiência antes da transformação. Ela estava me dando um presente único, de sentir o corpo dela tão vivo, em uma experiência tão unicamente humana. Fiquei feliz também em ter aceitado. Amanhã, caso algo desse errado, eu poderia voltar a sentir culpa, responsabilidade, irritação comigo mesmo por ser tão inconsequente, mas naquele momento tudo que existia era o calor que emanava dela, o cheiro intenso, a sede sob controle, e o prazer que dávamos um ao outro.

Deitei-me ao seu lado, enquanto a observava, atento. Os olhos fechados, a respiração entrecortada, o suor formando minúsculas gotas em sua testa, ela estava a cada segundo ainda mais fascinante. A resistência que eu já tinha contra transformá-la em uma de nós aumentou. Tanta coisa seria perdida! Ela não tinha consciência da própria perfeição.

“Bella?” Arrisquei chamá-la depois de um tempo; um sussurro. Queria ver seus olhos. Ela virou o rosto para mim e os abriu. Geralmente de um marrom suave, seus olhos estavam escuros e fluidos, como ônix líquido; quase não consegui distinguir as pupilas novamente dilatadas das íris escuras. Seu olhar transbordava de amor, satisfação, surpresa e um pouco de timidez, tudo misturado numa composição única. Sorri imensamente, devolvendo todos os sentimentos que ela deixava transparecer... Segurei sua mão.

“Está viva ainda?” Perguntei brincando. Ela espreguiçou os braços como se fosse uma gata.

“Parece que você decidiu me deixar viver mais alguns instantes.” Seus lábios formaram um sorriso satisfeito.

“Ainda quer que eu continue?” Provoquei, chegando próximo a ela e mordendo de leve o lóbulo da orelha. Ela pulou novamente, mas a resposta me surpreendeu.

“Não, preciso de um tempo para me recuperar. Ainda tem champanhe?”

Dei uma risada espontânea e estendi o braço para a taça e a bebida que ainda estava fria no balde de gelo. Enchi a taça, e entreguei em sua mão ainda trêmula. Antes que bebesse, procurei seus lábios, tocando sua língua com a minha. Sabia que ela podia sentir o próprio gosto na minha boca, e aquilo me provocou um arrepio instantâneo. Ela estava temporariamente satisfeita; eu, nem um pouco.

Ela bebeu a taça inteira de uma só vez, continuava com sede. Ofereci água na mesma quantidade, ela aceitou de bom grado. Depois se recostou novamente nos travesseiros, e acariciei sua testa, tirando as mechas de cabelo que estavam grudadas com suor.

Ela me olhou com um olhar indecifrável. Parecia querer poder ler a minha mente desta vez. Retribuí o olhar com a mesma intensidade. Estávamos sem palavras.

“Era isso que precisava fazer?” Ela perguntou com a voz rouca. Tentei descobrir se havia um pouco de reprovação na pergunta. Me senti um pouco culpado; sabia que tinha sido uma invasão íntima demais, e talvez tivesse sido tudo muito rápido para ela. Suspirei.

“Foi uma idéia que tive na última hora. Achei que, se me acostumasse com o seu cheiro, poderia ser mais fácil. Eu ainda tenho medo, Bella. Não temos garantias.”

Ela olhou para o teto por alguns instantes, depois ficou muito vermelha; me olhou de canto de olho e eu sorri, não consegui evitar.

“Edward... Não posso reclamar, apesar de ter ficado...” Ela ficou mais vermelha ainda. “Foi uma das sensações mais absurdamente maravilhosas que eu já senti. Se o resto é ainda melhor... Eu não sei se vou aguentar.” Ela parecia sincera. Mas eu sabia que era tudo uma questão de perspectiva. Era estranho estarmos conversando sobre isso; as palavras não eram suficientes para descrever as coisas, e era um pouco desajeitado. Nós nunca tínhamos conversado sobre esse assunto abertamente. Era normal que ela ficasse insegura. A falta de experiência ajudava. Tentei ser o mais sincero possível, baseado em tudo que sabia.

“Até onde sei, vai ser diferente. Mas não posso dizer como, cada um tem um corpo, uma forma de sentir.”

Ela sorriu. “Eu te amo.” A voz era linda. Obrigada por ter decidido vir para cá comigo.”

“Não agradeça ainda. Ainda não acabou.” E minha voz se tornou novamente maliciosa. “E por falar nisso, eu não aproveitei tanto quanto você. O que vai fazer para consertar isso?”

O sorriso voltou a seus lábios. “Bem,” ela respondeu, os olhos brilhando. “Acho que aprendi uma ou duas coisas nas últimas horas. Vamos ver o que consigo fazer por você.”

[Bella narrando]

Meu coração acelerou novamente. A sensação de poder causar nele sensações remotamente pareciadas com as que ele me causava era viciante; eu não conseguia pensar em parar. Queria que aquela noite durasse para sempre. Mais uma vez não consegui acreditar que ele estava ali, que era meu, que me amava, e que estava gostando tanto de estar ali como eu. Só que desta vez a descrença era menor, e em parte substituída por uma necessidade de satisfazê-lo; eu conseguia ler em seu rosto e em sua voz como ele estava apreciando tudo aquilo. Era meu dever retribuir tudo que ele me dera.

Mas não era simples; a timidez me atacava em ondas que iam e voltavam, e quando ele me atacou com a língua pensei que fosse morrer de vergonha. Tentei impedi-lo, mas ele segurou minhas mãos com força, talvez mais força do que conseguiu perceber, senti uma pontada de dor. Iria ficar com marcas depois, mas ele foi mais rápido do que consegui raciocinar, e antes que eu pudesse protestar sua língua estava dentro de mim, e o mundo desapareceu. Depois de um tempo, eu só conseguia sentir as ondas de prazer que subiam daquele ponto e se espalhavam para todo o resto do meu corpo. Minhas mão

terça 28 julho 2009 13:36


Amanhecer capitulo 5-ilha de esme|noite de edward e bella detalhada| parte 2-continuação

Blog de amorassasino :Amor Assasino, Amanhecer capitulo 5-ilha de esme|noite de edward e bella detalhada| parte 2-continuação

[Bella narrando continuação]  Minhas mãos estavam subitamente soltas, latejando, e me tornei puro instinto. Meu rosto queimava de vergonha, mas eu não podia fazer nada a não ser viajar naquela incursão ao desconhecido, sendo guiada pacientemente por ele. Eu não conseguia acreditar que ele nunca tinha feito aquilo antes. Uma dúvida me atravessou, será que ele tinha mentido para mim? Mas depois relaxei; ele não teria porque, e eu sempre acreditei que ele poderia fazer qualquer coisa melhor do que qualquer humano, fosse na primeira vez ou na última. Ele era apenas perfeito demais. Assustadoramente perfeito.

Quando tudo terminou – e na verdade não tinha terminado, cada pausa era o prenúncio de algo cada vez mais enlouquecedor – a vergonha voltou com mais força e eu tive que me controlar para conseguir olhar para ele. Mas seu olhar desmanchou minha timidez, e consegui conversar de forma minimamente adequada. E agora, aquele desafio. Como eu conseguiria causar nele as mesmas coisas que ele me causara? Eu não tinha coragem nem de longe de fazer o mesmo que ele tinha feito comigo; só de pensar e meu cérebro tinha espasmos. Além disso, as sensações seriam as mesmas para ele? Ele reagira bastante quando estávamos na água; a verdade é que eu ainda não entendia muito bem como sexo funcionava para mim, quanto mais para um vampiro. Inclusive fiquei durante um tempo tentando imaginar como acontecia, já que ele não estava, bem, tecnicamente, vivo, do jeito convencional. Mas a dúvida se desfez nas últimas horas, quando vi que o corpo dele respondia aos meus estímulos de forma muito conveniente. Algum dia talvez eu tivesse coragem de perguntar. Hoje não.

Fiz então o que me pareceu mais certo: parei de pensar, e fiz apenas o que meu corpo tinha vontade. Voltei a beijá-lo devagar, explorando cada centímetro dos lábios gelados, sentindo que ele estremecia em contato com meu calor. Ao mesmo tempo deslizei a mão por seu corpo; fazendo um caminho parecido com o que ele fizera comigo no chuveiro; nos deitamos lado a lado e enquanto o beijava explorei as costas, o peito, os braços, quadris, ora com as palmas das mãos, ora com a ponta dos dedos. Minhas unhas estavam bem curtas, desejei que estivessem mais compridas, mas depois lembrei que provavelmente ele não sentiria mesmo. Era um dos inconvenientes de ter um namorado vampiro. Mas a sensibilidade dele para outras coisas, principalmente o contato da minha pele, parecia compensar aquela falta. Me lembrei da primeira vez que nos tocamos mais prolongadamente na clareira, do primeiro beijo que ele me deu, em como ele tinha sido esquivo e reservado; em como tinha se afastado rapidamente do contato, como se eu o queimasse. Agora era parecido, mas ele se permitia queimar, buscava o calor, a intensidade. Eu me sentia nas nuvens.

Me afastei um pouco dele, me sentando próxima a seus pés. Comecei a tocar suas pernas, como ele fizera, me demorando na parte interna das coxas, atrás dos joelhos, subindo, explorando. Ele permanecia de olhos fechados, a expressão entregue, como se estivesse em outro mundo, do mesmo jeito que eu havia estado. Arrisquei um pouco mais, procurando pontos cada vez mais sensíveis, a curiosidade superando a timidez; não percebi quando ele abriu os olhos. Em determinado momento olhei para seu rosto – como eu gostava da expressão que ele fazia! – e percebi que estava me encarando, os olhos escuros, a respiração curta e rápida, eu não cansava de me surpreender com suas reações, tão humanas, e ao mesmo tempo diferentes. Notei também em seu olhar expectativa; aquilo me intimidou um pouco, era tudo tão novo, acontecera tão rápido, ontem ele mal me beijava e hoje conhecia meu corpo praticamente todo! Respirei fundo, fechei os olhos, e levei a mão até onde ele esperava que eu levasse. Já o havia tocado de leve, quase que esbarrando, quase sem querer, mas agora não havia dúvidas do alvo da exploração. Senti o sangue do corpo todo ir para o rosto, minha mão tremeu, mas respirei fundo e continuei. Aos poucos a curiosidade venceu a vergonha, e os gemidos dele me incentivaram a ser mais ousada na exploração, entendendo devagar onde e como deveria tocá-lo. Me deitei ao lado dele, sem soltá-lo, e voltei a procurar seus lábios com os meus. Percebi que ele estava se controlando para não reagir plenamente, eu já conhecia bem a linha que se formava em seus lábios e a postura tensa. Senti um pouco de medo. Agora eu me sentia realmente brincando com fogo, as recomendações e precauções dele se tornavam mais reais.

Percebi em um determinado momento que meus movimentos estavam sincronizados com sua respiração, e com a intensidade do beijo. Senti meu corpo voltar a responder ao dele e a suas reações, a reacender lentamente, e furiosamente. O calor de meu corpo contrastava com o frio dele; o calor do ar e de minha respiração pareciam transtorná-lo numa tortura lenta e crescente. Eu podia sentir, mais do que qualquer coisa, a sede que ele sentia, em sua postura, em seu rosto, em seus olhos que se abriam e fechavam como em um delírio de febre. E inesperadamente, num movimento rápido, ele se desvencilhou de minhas mãos, rolou para cima de mim, separando minhas pernas com as dele, e nossos corpos se encaixaram. Minha reação inicial foi de protesto, de susto, mas ele a sufocou com um aperto selvagem, enquanto deslizava devagar para dentro de mim em um movimento forte do quadril, provocando uma dor aguda onde antes só houvera prazer, misturada com uma sensação completamente nova de ânsia. O gemido de dor foi sufocado também por seus lábios, que morderam os meus, enquanto ele se movia novamente, causando uma segunda onda de dor, essa mais leve, enquanto a ânsia crescia. Ele percebeu minha agonia, e ficou imóvel, sobre mim, dentro de mim, esperando. A respiração dele estava acelerada de uma forma que eu jamais vira, e agora meu medo era absoluto. E se ele não conseguisse se controlar?

Mas de alguma forma ele conseguiu, e sua respiração foi desacelerando aos poucos, enquanto ele permanecia imóvel. Depois de um tempo que não consegui precisar, ele voltou a se mover. E então eu já quase não sentia dor. Foi quando ele ergueu a cabeça para me olhar, e eu desejei que a noite estivesse apenas começando.

[Edward narrando]

Quando nós perdemos o controle, tudo fica vermelho. Tudo vira um infinito de instinto e sensações. Frio, calor, sede, barulho, cheiros, raiva, defesa, ataque, fuga. Qualquer coisa que não esteja entre estas coisas vira um emaranhado de borrões indistintos, e nós ficamos temporariamente incapazes de pensar; a ação e a emoção predominam sobre todas as outras coisas. O raciocínio coerente se esvai, dando lugar à fera que espreita o tempo todo por baixo da superfície civilizada, querendo satisfazer suas necessidades, até conseguir satisfazê-las.

Naquela circunstância não foi um sentimento conhecido e comum que me tirou o controle. Foi algo com o qual eu não estava acostumado a lidar, e que vinha tentando negar sistematicamente nos últimos meses, desde que os momentos a sós com Bella tinham se tornado uma constante: o desejo por ela. Desde que eu a conhecera e descobrira que ela correspondia aos meus sentimentos que eu lutava o tempo inteiro contra a vontade de tocá-la, de sentir meus lábios sobre sua pele. Mas com o passar do tempo, quando eu finalmente aceitara sua presença em minha vida e passara a procurar, aceitar, não temer seu toque, aquilo já não era suficiente para saciar a vontade de tê-la inteiramente. Era sempre com muito esforço que eu me afastava, sempre com uma dor física quase insuportável. Nesses momentos eu tinha medo da reação do meu corpo, que agia de formas inesperadas. Ela sofria muito com aquelas rejeições, mas eu não podia me deixar levar, simplesmente não confiava em mim o suficiente.

Já tinha sido bastante difícil segurar todos os impulsos que haviam me assolado naquela noite, quando eu tomava a maior parte das iniciativas, tentando manter a situação sob controle minimamente, e nisso sua timidez me ajudava. Porém quando ela assumiu o controle eu pude apenas me deixar levar pelo seu toque, e torcer para que eu fosse mesmo merecedor de toda aquela confiança. Não imaginei que ela fosse tão longe; quando começou a me provocar, a me tocar de forma tão entregue, meu corpo reagiu sozinho como sempre, e o pensamento começou a se nublar.

Confesso que tentei resistir um pouco, porém os segundos iam se passando, e a intensidade do toque ia me levando cada vez mais para longe de tudo que não era ela... E todas as proteções de minha mente caíram, todas as precauções, hesitações. Quando dei por mim estava dentro dela, sentindo seu corpo ao redor do meu, me aceitando, me enchendo de calor em todas as partes, me pressionando. E ouvi o eco de um gemido de dor. Foi apenas por isso que consegui parar, porque meu corpo queria continuar se movendo dentro dela, cada vez mais forte, cada vez mais rápido, até que eu explodisse em sensações, calor e prazer. Tudo era desconhecido, eu não sabia como aquilo funcionava em meu organismo, só o que eu sabia era que tinha uma vontade não saciada de esquecer resto do mundo e me afundar na mulher que era minha. Não importava quantas vezes eu ouvira falar sobre aquilo, ou lera nos pensamentos alheios. Nada tinha me preparado para aquela sensação de abandono pleno em meu corpo e em minha mente.

Sem perceber eu havia enfim quebrado a última barreira, e quando compreendi o que havia acontecido a princípio não soube o que fazer. Fiquei estático, imóvel, tentando entender o que havia acontecido, e como, sem conseguir me lembrar. Senti que as preocupações e culpas ameaçavam voltar com toda a força, e lutei contra elas; ela queria, eu queria, e eu sabia que ela queria que eu vivesse aquele momento com a mente e o coração inteiros e não parcialmente, cheios de hesitações. Empurrei as racionalizações para longe com mais um movimento firme do meu corpo contra o dela, e pela primeira vez pude me deliciar de forma consciente com as sensações que aquele momento me proporcionava. Era tudo tão novo que não sabia descrever com palavras. Mas era como a maré subindo; onda, fluxo e refluxo, sempre inundado de calor; a cada ir e voltar subindo mais longe, chegando mais perto de algo ainda indefinido, mas sentindo que o algo aumentava a cada retorno, a cada onda, numa espiral crescente de agonia e de prazer. Senti o cheiro sempre avassalador de seu sangue, mas ele não causou em mim o efeito que eu temia. De alguma forma o desejo superava a sede, e eu só conseguia continuar o que estava fazendo, invadindo seu corpo repetidas vezes, como se estivesse marcando minha presença dentro dela, tornando-a realmente minha.

Entrelacei minhas mãos nas dela, segurando-a firme contra a cama, e experimentei mudar um pouco o peso e a forma com que eu me movia; testando os movimentos com cuidado para não machucá-la. Ela se ajustou a mim prontamente, apertando minhas mãos com força. Eu ainda estava envergonhado pela minha falta de controle, e por ter perdido aquele momento inicial mergulhado em desejo, e prolonguei aquele primeiro reconhecimento dela, ouvindo o ritmo de seu coração, de sua respiração, sentindo as mudanças no seu cheiro, que se misturava com o meu.

Depois de alguns momentos imerso em meus pensamentos e descobertas, procurei seus olhos. E encontrei coisas que nunca havia visto antes. Como se ela tivesse envelhecido, amadurecido apenas naquele contato, naquela invasão. Agora ela era minha mulher, e se sentia assim. O sentimento de pertencer a alguém plenamente a transformara de alguma forma que eu não compreendia, e talvez esse fosse um mistério reservado apenas às mulheres, do qual até então eu nunca fizera parte, e talvez nunca compreendesse plenamente. Ela gemeu baixo enquanto eu explorava devagar as melhores formas de me encaixar nela, alternando velocidade, força, ritmo, e eu senti uma explosão em meu peito, uma alegria misturada com paixão que beirava a insanidade. Ela era minha, completamente. Era minha companheira, viajava comigo naquela loucura, e estávamos ambos inteiros, até agora. Muito melhor do que eu previra. Depois de saciar a curiosidade inicial – e eu ficava olhando para ela, prestando atenção em suas reações, e ela ainda conseguia ficar ruborizada – comecei a misturar estímulos, sem me separar dela, com os lábios e as mãos passeando por todo o seu corpo, por todos os pontos sensíveis, e rapidamente os gemidos baixos se tornaram altos, e em alguns momentos gritos de surpresa, quando eu fazia algo de inesperado. Eu me guiava por seus gemidos e suas respostas, as batidas do coração, o ritmo da respiração, e ia navegando num mar estranho e desconhecido, sem uma direção única a seguir, flutuando ao sabor das ondas, me deixando levar pela maré. Percebi que em alguns momentos ela parecia prestes a dizer alguma coisa, e depois mudava de idéia. Eu ficava mordido de curiosidade, triplamente mortificado por não conseguir acessar seus pensamentos, porém não tinha coragem de quebrar o encanto do momento com perguntas ou palavras. Palavras eram desnecessárias. Meu corpo dizia tudo, e o dela respondia, numa dança lenta, hipnótica, antiga como o mundo. Aqui ela não era nem um pouco desajeitada; era uma amante habilidosa e natural. Eu percebia isso pela forma com que ela se abandonava ao instinto, sem cálculos, sem complicações, uma vez superada a maior parte da vergonha.

Quando percebia que ela estava excitada demais eu diminuía os movimentos até parar, deixando que ela se controlasse. Os protestos que ela fazia quando eu parava só aumentavam meu desejo de prolongar tudo, sabendo que quando ela atingisse o clímax novamente ele viria com muito mais força. Tentei ajustar o ritmo dela ao meu, conduzindo com paciência seu corpo em chamas, mas era difícil; ela se abandonava com mais ímpeto, e às vezes eu tinha que chamá-la em voz baixa, acalmá-la, trazê-la de volta ao meu ritmo.

“Comigo, Bella, não contra mim”, sussurrei em seu ouvido quando ela se moveu freneticamente contra meu corpo para alcançar a satisfação que eu estava lhe negando. Ela ofegou e abriu os olhos, mostrando mais uma vez aquela coloração escura que denunciava a extensão de seu desejo. Ela me abraçou com força e retribuí o abraço, ao mesmo tempo em que separava meu corpo do dela, e a virava de costas para mim, de lado, para mais uma vez preenchê-la, e retomar a exploração.

Não sei como consegui prolongar aquilo por tantas vezes; sabia que era uma tortura para ela, bem como para mim, mas o controle vinha fácil nos momentos em que ela beirava o êxtase, e se esvaía nas horas em que eu me aproximava. Nessas horas eu me esquecia quem era, e existia apenas o meu corpo entrando e saindo do dela, seu cheiro, seu hálito, seu sabor, sua pele contra a minha, o calor que dela emanava continuamente, apagando o frio do meu corpo. Algumas vezes, quando eu voltava desses estados de ausência, tinha que me certificar de que não a havia mordido ou machucado sem perceber, e ela estava sempre inteira, linda, com a expressão transtornada de prazer, os olhos fechados, como se estivesse também em outro mundo secreto, os lábios inchados pelas mordidas que eu lhe dava. Fui adquirindo confiança, e me deixando levar por mais vezes, permitindo que o caçador que eu era se revelasse. Minha natureza não precisava mais ser negada, eu estava fazendo exatamente o que meu instinto exigia. A expressão “brincar com a comida” passou rapidamente pela minha mente, me provocando um sorriso involuntário. Não deixava de ser uma forma de ver a situação, por menos romântico que fosse. E de certa forma era uma caçada, mas o objetivo final não era alimento e não precisava terminar em morte.

Perdi a noção do tempo e de tudo que fiz enquanto ia aprendendo com ela o que era a satisfação que eu tanto buscara. Só sei que nos deixamos levar pela vontade dos corpos, provando, descobrindo novas formas de encaixe, novas sensações. Por mais duas vezes eu me aproximei do descontrole, quando cheguei muito próximo do êxtase, e na terceira vez tudo se apagou, quando a onda enfim chegou ao limite mais rápido do que eu previa e quebrou numa nuvem de espasmos do meu corpo sobre o dela, e eu me senti esvaziar, rápido e devagar, pulsando, até que eu não era mais Edward Cullen, eu era apenas um ponto suspenso num mar feito do cheiro e do calor dela. Eu estava vivo novamente. Não havia mais frio, nem poderes sobrenaturais, nem sede de sangue. Eu não era mais o predador, eu apenas existia, simplesmente, e era feito inteiramente de eletricidade. Eu não sabia como ela estava, se tinha chegado ao mesmo ponto junto comigo, se estava inteira ou em pedaços devido à força de meu abraço, de minhas mãos apertando suas costas, seus braços, mas também não conseguia pensar. Havia apenas o bem-estar. Pela primeira vez desde que me tornara um vampiro eu apaguei tudo. Minha mente não existia. A inconsciência se abateu sobre mim, e se eu tivesse um coração batendo acredito que ele pararia por alguns instantes, enquanto tudo estava suspenso. Depois houve apenas paz.

Voltei um pouco assustado, como quem acorda de um sono leve, as percepções voltando todas ao mesmo tempo, pouca luz, as velas derretidas nos candelabros, algumas já apagadas, o cheiro intoxicante de suor e sexo que vinha de Bella, os barulhos da noite, o calor do ar da ilha, o calor do corpo dela, os lençóis um pouco úmidos embaixo do meu corpo, as pontas dos meus dedos formigando, o pulsar estável de seu coração, a respiração rítmica e tranquila. Ela estava me olhando, serena, os olhos novamente cor de chocolate, com a expressão um pouco cansada. Ela ergueu a mão em um movimento suave e passou pela minha testa, e sorriu levemente. Quando ela falou, sua voz traía a exaustão, mas o sorriso em seu rosto apagava todo o resto.

“E você querendo me negar isso tudo...?” Havia brincadeira e provocação na voz, e um pouco de censura.

Abracei-a de leve, colocando seu rosto em meu peito, aninhando o corpo dela junto ao meu.

“Bella... Você sabe que eu não podia ter certeza. Não vamos começar com isso de novo.”

“Desculpe, Edward.” Notei o tom constrangido de sua voz e a apertei com mais força. “Era uma espécie de brincadeira.”

“Eu sei, meu amor. Mas você realmente não devia brincar tanto com essas coisas assim.” Não consegui evitar o escorregar de minha mão por suas costas. Na verdade eu não queria evitar, mas queria dar tempo para ela se recuperar de tantas coisas. Ela se contraiu toda sob meu toque.

“Alguma coisa errada?” Virei seu rosto para mim, procurando um sinal de algo errado. Já estava começando a ficar tenso novamente.

Ela ficou vermelha. Muito vermelha. De novo. Não entendi muito bem o porquê. Ela estava envergonhada do que havíamos feito, ainda? De quantas maneiras ela ainda conseguiria me surpreender?

“Não, nada errado... É que...” A vermelhidão conseguiu se intensificar ainda mais. “Você parou e eu ainda não tinha... Você me fez perder o ritmo e eu...” Ela não conseguiu terminar a frase, mordendo o lábio, lindamente envergonhada, os olhos baixos.

“Por isso que você reagiu assim quando eu toquei suas costas?” Eu ia descobrindo como o corpo dela funcionava, maravilhado.

Ela acenou com a cabeça. Eu fiz com que ela virasse na cama, deixando as costas ao meu alcance. Percebi a tensão dos músculos quando a toquei, mesmo de leve. Um sorriso veio involuntariamente a meus lábios. Então ela ainda estava com milhares de estímulos agindo sobre seu corpo, condensados. Eu não conseguiria dizer, pela calma que emanava dela. Acariciei suas costas com a ponta dos dedos, começando no centro e subindo até a nuca, por sob o cabelo desalinhado.

Agora que eu estava mais controlado, era maravilhoso poder observar as reações instantâneas que meu toque causava nela inteira, cada músculo que se contraía, cada arrepio na pele. Desci com os dedos, tocando-a de leve, despertando novamente seu corpo, e sentindo que o meu respondia da mesma forma. Fiquei surpreso com a facilidade com que o desejo renascia e tive certeza que eu nunca me cansaria dela. Quando ela estava mais uma vez ardendo, me deitei de costas e puxei seu corpo sobre o meu, me encaixando dentro dela num movimento súbito e inesperado. Minha boca estava sobre a dela, e abafou um gemido alto, ao mesmo tempo em que ela buscava ar. Gostei do acesso que tinha ao seu corpo, e aproveitei o melhor que pude, provocando, tocando, buscando dar a ela a mesma satisfação que eu atingira antes.

Dessa vez não prolonguei os movimentos, atingindo um crescendo rápido e sustentado, sempre guiado por suas respostas às minhas iniciativas. Em um determinado momento, no entanto, não consegui continuar, e parei novamente. Estava curioso. Queria descobrir o que ela queria, seguir o ritmo dela e não o meu. Fiquei imóvel sob seu corpo, e ela gemeu novamente em frustração. Senti seus punhos se baterem contra meu peito sólido, depois ela me abraçou forte, e começou a se mover contra mim, primeiro de forma hesitante, depois com mais desenvoltura, retomando o ritmo que eu havia desfeito, porém de forma mais errática, irregular, como se obedecesse a algum comando invisível que regulava sua velocidade, seu tempo. Em meus pensamentos seu ritmo virava uma melodia deliciosa e irreproduzível. Quando senti que ela estava à beira do êxtase, segurei seu corpo mais uma vez, parando seus movimentos. Ela deixou escapar entre os dentes um gemido baixo de protesto, mas antes que ela pudesse reagir eu girei o corpo, imprensando o dela sob o meu mais uma vez, e acelerei o ritmo, sentindo que eu também estava mais perto de explodir novamente do que havia percebido.

Coordenei meus movimentos com os dela, e em poucos segundos estávamos ambos ofegando, eu escutava sua pulsação subindo cada vez mais rápido, e seu corpo se contraindo. Já estava familiarizado com os prenúncios que seu corpo mostrava, e dessa vez não parei mais. Ela gemeu cada vez mais rápido contra meu pescoço, e eu senti, no momento que ela alcançou o ponto mais alto, seu coração perder uma batida. Depois disso ela era pura pulsação ao meu redor, me apertando, e eu quase conseguia sentir a eletricidade correr por seu corpo e chegar ao meu. Minha própria consciência estava oscilando, e antes que tudo se apagasse mais uma vez – e o prazer dela sempre alimentava o meu duplamente – eu chamei seu nome. Ela abriu os olhos, e pude ver o momento de abandono total que ela atingira, um pouco antes de eu afundar mais uma vez no escuro de seu corpo, e de sua imensidão.

[Bella narrando]

Acordei algumas vezes naquela noite, ou seria consegui dormir algumas vezes naquela noite? Os sonhos vinham rapidamente, com o sono ainda leve, sempre com ele, sempre com seu corpo, sempre com as sensações que eu estava descobrindo devagar. Se eu pudesse ficar vermelha em sonhos, com certeza ficaria, e talvez tivesse ficado na vida real, e talvez ele estivesse vendo, porque nos meus sonhos eu não tinha reservas, e me abandonava em seus braços sem uma gota de timidez. Mas acordei algumas vezes naquela noite, sempre para sentir que nós estávamos novamente em chamas, seu corpo sempre pronto contra o meu, que por sua vez sempre o recebia sem reservas, e igualmente disposto. Eu não me cansava de estar com ele daquela forma, e ele não parecia cansado tampouco. Algumas vezes eu não sabia dizer se era sonho ou realidade, ou ambas as coisas. Sei apenas que parecíamos nos esforçar para matar toda a sede que tínhamos um do outro há tantos meses, como se o amanhecer pudesse trazer algo diferente, uma outra realidade que pudesse negar o que estava acontecendo. A noite conspirava a nosso favor, fazia a magia daquele momento se estender, perdurar. A noite abrigava aquele amor errado e certo, aquele atentado à racionalidade. A noite nos pertencia.

Em alguns momentos eu percebia tudo nitidamente. Os olhos haviam se acostumado à escuridão, e a lua descera até perto do mar, e entrava pela janela, deixando tudo branco. As velas já haviam se apagado há muito tempo, mas eu não sentia frio; meu corpo estava um pouco entorpecido pelo prazer, incapaz de sentir qualquer outra coisa que não fosse ele, seus lábios, mãos, dedos, pele. Eu mergulhava o olhar no dele, e subíamos mais uma vez aquele caminho em espiral que nos levava até o céu. E quando voltávamos para a terra começávamos tudo de novo.

Em outros momentos as coisas ficavam embaçadas, geralmente quando ele me arrancava do sono com delicadeza, sempre doce, sempre gentil - a princípio. Com o passar dos minutos ele ia se tornando mais selvagem, mais intenso, e eu comecei a ficar à vontade com o predador que ele era, sabendo que eu podia ser sua presa eternamente, voluntariamente, e talvez aquilo o saciasse. E percebi, em um determinado momento, que eu não queria mais me tornar um vampiro; eu queria permanecer exatamente daquele jeito, sendo o calor que ele não podia mais encontrar de outras formas a não ser no sangue, vendo sua expressão transtornada de prazer e alegria.

Não havia vida para mim longe de Edward. Eu aprendera isso na carne, em um tempo que agora parecia distante demais para ter algum significado. O agora era muito diferente. E eu queria prolongar aquilo enquanto eu pudesse. Meu corpo estava cansado, dolorido, eu teria algumas marcas pela manhã, sentira momentos curtos de dor, mas tudo aquilo virava nada quando comparado com o tudo que tínhamos alcançado naquela noite.

Foi com essa certeza e determinação que adormeci, já ouvindo alguns pássaros ao longe, anunciando a chegada iminente do sol. Ainda estava tudo escuro, mas eu podia sentir a mudança no ar, meu corpo estava muito consciente de tudo. Ele despertara, enfim. Antes de adormecer, pude ouvir que Edward sussurrava minha música baixinho, acariciando meus cabelos, e me mandando dormir.

[Edward narrando]

Quando o sol nasceu eu estava do lado de fora da casa, olhando o mar. Bella estava profundamente adormecida, o coração batendo devagar, no ritmo da respiração suave. Tudo ao meu redor saía lentamente de seu estado letárgico. O barulho das pequenas ondas exercia um efeito calmante sobre minha mente, e eu me esforçava para não ceder à agitação que tomava conta de mim. Havia coisas que eu precisava encarar, mas não precisava ser agora. Agora tudo que eu queria era aproveitar o resto da noite que ia embora, antes de voltar a ser o Edward que eu aprendera a ser ao longo dos anos.

Entrei no mar lentamente, deixando a água envolver meu corpo ao mesmo tempo em que lavava de mim o cheiro de Isabella Cullen. Aquilo me causou alívio e dor ao mesmo tempo. Era um alívio poder respirar de novo sem reservas, sem restrições, sem tanta sede. Mas ao mesmo tempo em que a água carregava seu cheiro com ela, eu já pensava em voltar para a cama e me deitar ao lado dela, e vigiar seu sono, e tocá-la. Era um vício impossível de resistir por muito tempo. Olhei para o passado, em como havia sido no início de nosso relacionamento, em como eu não conseguia passar muito tempo longe dela, longe do pensamento nela. Agora era muito pior.

Mergulhei na água quente e nadei por um longo tempo, ainda me recusando a encarar as coisas que eu precisava encarar. Naquele momento eu não queria pensar em tudo que tinha acontecido. Aquilo ia me destruir lentamente se eu não tomasse cuidado: culpa, remorso, eu não sabia como lidar com esses sentimentos que eram já antigos, mas agora renovados. Porque era ela que estava em jogo ali. Quando voltei me sentei um pouco na areia, deixando os raios ainda fracos do sol banharem minha pele, eu me via cintilar fracamente, pálido. Não conseguia ouvir um único pensamento humano por perto. Eu estava completamente sozinho com Bella. E eu..

Balancei a cabeça, deixando as lembranças voltarem mais um vez à superfície, escolhendo com calma a ordem e a intensidade do retorno. Eu precisava compreender o que havia acontecido antes de descer ao inferno novamente. Antes que a necessidade irracional de me afastar dela mais uma vez me dominasse e eu fugisse sem olhar para trás. Eu não a merecia. Não merecia aquela entrega, não havia merecido aquela noite. Ela não podia confiar em mim. Nem eu.

Não me lembro exatamente como aconteceu, só me lembro de estar alternando estados de consciência e inconsciência – e essa era a primeira vez que aquilo me acontecia dessa forma. Eu não dormia, não sonhava, mas a experiência física com ela havia aberto para mim novos estados de consciência. Tanto uma consciência mais exacerbada como algo próximo da inconsciência. E foi num desses estados que me aproximei dela mais uma vez enquanto ela dormia, meu corpo queimando de sede e aflição, incapaz de se saciar, com a vontade cada vez maior de tê-la de novo. Eu abracei seu corpo com o meu, ela estava deitada de costas para mim, profundamente adormecida. O cheiro que vinha dela me queimava lentamente a garganta, o estômago, os olhos, tudo ardia. Entendi naquele momento que enquanto Bella estivesse viva eu sempre teria que conviver com a sede. E que quanto mais tempo eu ficasse com ela daquela forma tão próxima, mais difícil seria de lidar com ela. Eu estivera errado em achar que poderia me acostumar. A sede e o amor andavam de mãos dadas. Eram indissociáveis. Ambos eram parte de mim; eu era instinto, razão, emoção e não podia negar minha essência. Olhei impotente enquanto me aproximava de seu pescoço macio em câmera lenta, meio hesitante, meio incapaz de parar. Eu a queria com o corpo, com a alma, mas eu queria mais, como uma mariposa eternamente arrastada para a luz, contra sua vontade. Minha boca estava seca, mas o veneno começou a escorrer lentamente das presas, enquanto eu me colava a ela, hipnotizado. Meus olhos perceberam uma artéria pulsando no pescoço, e aproximei meu rosto do local, deitando minha cabeça próxima a seu ombro. Ela se mexeu durante o sono, gemendo. O som não me incomodou nem foi suficiente para me tirar do transe. Eu queria provar seu sangue novamente.

Foi fácil romper a pele do ombro com delicadeza com uma mordida leve, com cuidado, para não contaminar seu organismo. O sangue brotou em pequenas gotas, e eu inspirei profundamente, sentindo o perfume contra o qual eu lutara infinitas vezes me invadindo com a força de um sol. O que eu estava fazendo? Milhões de vozes gritaram dentro de minha mente, mas eu as ignorei, e toquei as gotas com a língua, a princípio gentilmente. Ela se mexeu mais uma vez, e gemeu meu nome. Que sensação ela teria? Mas ela não podia acordar. O que eu estava fazendo? Porque eu tinha concordado com aquilo? Bella despertara tudo aquilo que eu refreava em mim. Tudo.

Com ela eu me tornava completo.

O que aconteceu depois está envolto em uma névoa avermelhada. Não tentei forçar as memórias a voltarem; sei apenas que depois de um tempo bebendo dela vagarosamente eu me vi mais uma vez dentro dela, com as duas coisas acontecendo simultaneamente. O fluxo de sangue cessou, e a ferida mal aparecia em sua pele. Eu não senti a necessidade atroz de continuar como da outra vez, em que havia tomado uma quantidade ainda maior de seu sangue contaminado. Desta vez seu sabor era puro, rico e matizado por todas as mudanças que eu havia causado nela. Nem de longe parecido com o que eu imaginava, porque era infinitamente melhor, mais saboroso, mais intenso... E ela havia me preenchido. Ao mesmo tempo em que eu queimava de raiva por mim mesmo, de angústia, de apreensão... Aquele tinha sido o momento mais belo de toda a minha existência.

O problema não foi exatamente o fato de eu não ter conseguido me controlar o suficiente para evitar o que tinha feito. O problema era que não havia acontecido de verdade. Eu havia sonhado. Só percebi isso quando as coisas voltaram ao foco e eu percebi que sequer havia tocado em Bella enquanto todas essas coisas aconteciam apenas em minha mente. Fiquei horrorizado quando descobri. Não podia distinguir de maneira alguma o que era real do que era imaginário. E se isso tinha acontecido por causa da libertação que havia sido aquela noite, ela jamais poderia se repetir. Eu não podia me permitir. Talvez o desejo de beber seu sangue falasse mais forte e eu acordasse com ela morta em meus braços. E minha vida perderia todo o sentido.

Eu não era confiável.

Deixei os sentimentos me queimarem enquanto o sol subia. Enquanto eu lutava pacientemente contra a raiva e a culpa. No final, venci a batalha, por muito pouco. Resolvi que merecia aquilo. Que tudo tinha dado certo. E que eu não permitiria que ela soubesse. E que eu não me permitiria nunca mais tocá-la daquela forma enquanto não fosse seguro. Enquanto ela fosse tão frágil. Eu nunca mais a colocaria em risco de novo.

Sim, eu podia fazer isso.

O sol estava mais alto. O coração e a respiração de Bella começaram a sair do padrão lento, e a acelerar levemente, o que significava que ela ia acordar em breve. Voltei para a casa, tomei um banho, e me deitei novamente ao lado dela. Tentei evitar olhá-la por enquanto. Isso só tornaria mais difícil sustentar minha decisão. Ela não precisava saber o porque, mas com certeza iria exigir uma resposta que fosse razoavelmente aceitável. Eu percebera mais cedo que ela estava com alguns hematomas, nada muito grave, levando em consideração a noite que tivemos. Mas isso precisaria servir.E eu precisaria de toda a minha determinação para não tomá-la de novo. Por quanto tempo eu conseguiria resistir a ela? Não sabia.

A despeito de toda a emoção que sentia, o frio na barriga que me assolou ao pensar que eu em breve precisaria enfrentar sua fúria – justificada – e dos resquícios de culpa, eu não pude impedir um sorriso lento de se instalar em meu rosto. Aquele seria o primeiro dia do resto de minha vida com ela. E ela era Bella, afinal de contas. Eu conseguira tudo o que queria.

E eu sabia que cada dia seria mais um dia de descobertas. Eternamente.

(Fim.)

terça 28 julho 2009 15:13


Noite de Edward e Bella|Amanhecer| 2º versão| está versão ñ foi publicada em nenhum dos livros|

Blog de amorassasino :Amor Assasino, Noite de Edward e Bella|Amanhecer| 2º versão| está versão ñ foi publicada em nenhum dos livros|

[Bella narrando]

Eu ainda não acreditava que estava fazendo isso! Isso era completamente contra todos os meus princípios. Mas como eu poderia resistir? Por mais que tivesse diversos motivos para não ir em frente com toda essa maluquice, no momento em que olhava para os olhos de Edward perdia todos os meus argumentos. E além do mais, que diferença iria fazer? Eu amava o Edward com todo o meu ser. Tinha a absoluta certeza de que queria ficar com ele por toda a eternidade. O que significava um papel diante de tal sentimento?
Eu já estava convencida de que havia escolhido o melhor para mim. Até havia me empolgado com os preparativos, não tanto quanto Alice, lógico! Até me surpreendi com a animação de Rosalie, que já era expert em matéria de casamento. Com o Charlie as coisas ainda continuavam tumultuadas, mas minha mãe me garantiu que ele se conformaria.
A cerimônia foi linda, simples, mas de bom gosto. Tudo conforme o figurino, mas isso...
- Edward, pelo amor de Deus, me põe no chão!
- Bella, por favor! Qual é o problema? Você sabe que não vou te deixar cair, nunca te deixaria cair.
- Não é isso! Mas não precisa me levar no colo, isso é tão antiquado!
- Bella, pode ser antiquado para você, mas só vamos fazer isso uma vez, quero fazer da forma correta.
Eu torci os lábios, mas não discuti. Eu sabia que não havia como dissuadi-lo da idéia. E de qualquer forma, os meios realmente eram supérfluos diante do fim; do meu fim. Com ele, para sempre. Com um suspiro meio carregado eu desliguei minha mente de quaisquer pensamentos que fossem supérfluos - ou seja, que não envolvessem o Edward.
Ele tinha um sorriso no rosto. O sorriso mais lindo que eu já havia visto no rosto dele. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que acalentava o meu peito. Eu não podia não sorrir quando o via tão feliz assim. E eu tive a certeza de que havia feito a escolha certa. Como eu poderia sobreviver sem ele? Sem esse rosto, esse olhar, esse sorriso. A dor desse pensamento chegava a ser física. Ele abriu a porta com facilidade, sem me balançar um centímetro que fosse.
O quarto era tão ele que eu não pude deixar de ficar encantada. As paredes eram de um papel de parede branco, com leves relevos vitorianos. Havia uma cama king-size com um acolchoado dourado - como seus olhos. Ele me pôs na cama encantando, e beijou os meus lábios com um amor que inundava o aposento.
- Minha Bella - ele sussurrou com sua voz de veludo. - Minha. Minha. - ele repetia, pontuando as pausas com beijos na minha mandíbula e na minha clavícula.
Eu vi nesse instante a minha chance. E conhecendo o meu marido como eu conhecia, eu sabia que devia insistir no que eu queria enquanto havia chance dele ceder.
Eu estava deitada, apoiada pelos cotovelos com o tronco meio erguido, enquanto ele estava com suas mãos uma de cada lado do meu corpo, evitando que eu sentisse o seu peso. Quando ele subiu com a boca para a minha mandíbula novamente, eu abaixei o rosto, fazendo nossos lábios se encontrarem. Ele não pareceu perceber as minhas intenções, e correspondeu ao meu beijo. Logo, minha boca se tornou mais urgente e eu traçava os seus lábios com a minha língua. Ele se tornou levemente mais rígido e eu soube que ele entendeu o que eu queria. Mas, para a minha surpresa ele não interrompeu o contato. Ele estava mantendo a promessa dele. Como ele falou que iria. Como ele sempre fez.
Eu ergui um dos meus braços e eu teria caído de costas no colchão se ele não fosse tão rápido ao me amparar. Logo suas mãos frias e suaves estavam nas minhas costas, e ele desceu seu corpo rente ao meu, até eu estar completamente deitada. Minhas mãos estavam impacientes no seu cabelo e as dele começavam a delinear as laterais do meu tronco. Eu deslizei minhas mãos pelos seus ombros até encontrar a gravata dele.
Com dedos frágeis eu lutei por alguns segundos - a mais que o necessário - para libertá-lo da peça de seda. Eu senti sua boca se torcendo em um sorriso. Eu corei. Seus olhos se tornaram mais escuros. O desejo dele agora não havia como ser negado. Eu lutava contra os botões absurdamente pequenos da sua camisa, ficando desconcertada ao ver que estava perdendo a batalha. Ele riu baixinho e se levantou. Eu protestei com um muxoxo. Ele riu novamente e abriu os botões da camisa ele mesmo.
Edward me jogou na cama, desabotoando a camisa e se jogando sobre mim. Não havia mais receio em seus olhos, ele não tinha mais medo de me quebrar. Agora, havia outra coisa naqueles olhos de topázio. Eu podia ver o desejo também queimando em seus olhos. Eu apenas consigo imaginar o quanto eu estava dizendo com os meus. Ainda mais para ele, que conseguia me ler tão bem.
Sua boca encontrou a minha clavícula e fez um rastro de fogo até o meu pescoço. Ele subiu até encontrar a minha boca e mexeu seus lábios contra os meus. Pude ouvi-lo sussurrar um “Eu te amo” e eu estremeci embaixo dele. Senti seus lábios tremerem em um sorriso e eu procurei seu pescoço com a minha boca.
Sua pele, antes tão gélida, agora era macia e quente aos meus sentidos. Meus dentes deram pequenas mordidinhas em seu pescoço. Ouvi suas risadinhas abafadas, provavelmente achando tudo aquilo muito irônico.
Eu em contrapartida não estava achando graça. Eu estava inebriada demais com o seu cheiro, seu toque, sua presença pra sentir qualquer outra coisa que não fosse ele. Edward, Edward, Edward. Sua boca traçava o meu rosto e suas mãos delineavam meu corpo. Eu estava tendo dúvidas sobre a história dele nunca ter feito isso antes. Se bem que ele era bom em tudo. Perfeito demais. E meu. Só meu. Meu peito se aqueceu com o meu pensamento e minhas mãos se tornaram mais urgentes.
Apesar de urgentes, minhas mãos tremiam. Não sabia por onde começar... A confusão era tanta que simplesmente me deixei guiar por suas mãos, por sua boca, sentindo a sua respiração, meus pêlos se eriçando ao mínimo toque. Era eletrizante. Nunca imaginei que só a expectativa pudesse fazer isso. E estava me matando.
Ele parecia ter lido minha mente. Me puxou pela cintura para ficarmos cara a cara. Me deu aquele seu sorriso torto e virou na cama king size me deixando por cima. O quê ele queria que eu fizesse?
Minha respiração estava entrecortada. A dele permanecia estável, embora mais agitada que o normal. Suas mãos agora procuravam o zíper do meu vestido e em questão de segundos eu já podia sentir sua mão no meu colo. Um arrepio que não tinha absolutamente nada a ver com frio passou pelo meu corpo.
Suas mãos em meu colo não eram apressadas. Percorriam cada centímetro de minha pele, como se a memorizando. Deslizou a mão pelas minhas costas, terminando de zipar meu vestido. Sua mão deslizava pelas minhas costas e a antecipação perpassava pelo meu rosto. Edward percebeu, parou suas mãos. Saiu de debaixo de mim, me colocando deitada na cama e começou a beijar o caminho que, antes, sua mão havia feito pelas minhas costas.
Eu suspirava ao seu toque e eu podia sentir que ele estava perdendo um pouco do cuidado. Suas mãos se tornaram mais urgentes no meu vestido. Sua boca estava em todo o lugar e eu tinha que constantemente lembrar de respirar. Morrer agora seria uma péssima idéia.
A boca dele subiu pela minha barriga e sua língua traçou o meu colo com carinho. Não pude evitar um suspiro mais alto. Ele deu uma risadinha e me olhou com aqueles olhos profundos. Ele não precisava dizer nada. Estava estampado ali, tão claro quanto à epifania que eu tive dois anos atrás. Ele me amava. Tanto quanto eu o amava. Esse pensamento fez com que eu me sentisse mais segura. Eu o puxei para junto de mim e escorregava meus dedos pelo seu abdômem perfeito encontrando o meu primeiro desafio. O seu cinto.
Um péssimo obstáculo para uma pessoa que arfava e mal conseguia enxergar nada devido ao desejo. Mas me empenhei na tarefa mesmo assim. Meus dedos trêmulos percorriam a fivela e tentavam, com a maior força que tinham, forçar a correia a atravessar a fivela para poder me ver livre desse empecilho. Edward só olhava para mim com um num misto de diversão e impaciência. Seus olhos estavam se transformando em ônix, e isso me dizia tudo. Ele queria se livrar daquilo tanto quanto eu.
Com um ímpeto de controle das minhas funções motoras eu consegui desabotoar a fivela e puxar o cinto. Edward apressou minhas mãos e jogou o cinto para longe, que caiu com um estalido surdo no chão. Sua boca encontrou a minha e eu nunca senti ele tão urgente ou tão perto que nem agora. Ele falou em mais de uma ocasião que tinha perfeito controle dessa parte do seu ser, e eu nem ousava duvidar. E nem tinha como, quando eu olhava para os seus olhos cor de ônix.
Ele mordeu o meu lóbulo enquanto eu lutava com o botão da sua calça social. Mais facilmente do que eu podia esperar, o botão cedeu e eu senti a respiração do Edward ficando mais tensa. Eu nem sentia o ar nos meus pulmões. Tudo que eu sentia - e queria sentir - estava sobre mim, beijando meu lóbulo e arrancando um suspiro da minha boca.
- Tem certeza disso? - Edward num lampejo de autocontrole sussurrou para mim, prendendo minhas mãos no cós de suas calças. - Você sabe que isso é perigoso. Não quero te machucar.
- Edward, você prometeu! - Que horrível momento para analisar as coisas. - Nunca tive tanta certeza em minha vida. Nós estamos aqui, juntos. Acho que eu mereço uma lua-de-mel à forma antiga!
Edward acenou com a cabeça, mal tendo controle dos próprios movimentos. Ele soltou minha mão e eu escorreguei a mão pelo seu zíper. Meu coração rompia no meu peito parecendo se chocar contra as costelas. Ele se levantou e deixou as calças escorregarem pelas suas pernas. Longas pernas alvas e musculosas. Era a primeira vez que as via, Forks não era exatamente a cidade que favorecia o uso de shorts.
Porém, olhando Edward da minha posição na cama, sabia que chegava o momento. Só estava de lingerie e Edward de boxes. Ficamos nos olhando por algum tempo, parecia que tinha demorado séculos. Estávamos nos apreciando, vendo cada detalhe do corpo um do outro.
Ele se inclinou sobre mim, de alguma forma selvagem, ainda que controlasse o seu peso e seus impulsos mais urgentes. Ele beijou meus lábios novamente por um breve momento, logo descendo eles pelo meu pescoço, traçando um caminho que eu sabia ficaria marcado na minha memória por toda a Eternidade. Eternidade. Eu sorri com o som dessa palavra na minha cabeça. Edward pareceu sentir a mudança no meu humor e apressou seus dedos ágeis no fecho do meu sutiã. Sua respiração ficou suspensa no ar por alguns breves segundos antes dele começar a beijar o meu colo. Estava ficando praticamente impossível não suspirar alto. Minhas mãos passavam pelas suas costas de maneira feroz, e tenho certeza de que se ele não fosse tão perfeitamente feito de mármore, ficaria com a marca das minhas unhas.
Rapidamente ele estava sentado, com as costas apoiadas contra a cabeceira da cama. Com suas mãos fortes e macias ele me puxou contra ele. Movimentando seus lábios contra os meus, de uma maneira tão sem cuidado quanto à minha, enquanto ele deslizava o resto da minha lingerie pelas minhas pernas. Segurando-me contra o seu corpo e sem quebrar o beijo, ele me pôs deitada. Eu pude notar a grande luta interna que ele estava travando. De um lado o desejo de me ter mais inteiramente do que ele jamais teve - fisicamente falando. E do outro o desejo de me manter viva - mesmo que por alguns dias a mais - de impedir que eu me machucasse.
Essa luta interna transpareceu em seus olhos que brilhavam com uma negritude que jamais tinha visto antes. Eu mergulhei naquela negritude no momento em que seus olhos fitaram os meus. Senti-me zonza, parecia que estava levitando, o mundo parecia não mais importar. Só fazia cair na imensidão daqueles olhos... foi aí que me dei conta que estava prendendo a respiração.
Às vezes esqueço que o Edward tem esse efeito sobre mim. Pelo menos, com o meu transe, eu não tinha me sentido envergonhada pelo fato do Edward estar me encarando, me observando nua em pêlo em cima da cama.
Ele estendeu a mão e acariciou meu rosto com as costas da mão como sempre faz. Aquele toque era reconfortante, no entanto havia algo de diferente dessa vez. Seus dedos traçaram a linha dos meus lábios e desceram pelo meu pescoço. Pude notar que estavam tremendo, não podia distinguir se era ele ou eu. Deslizaram pelo meu ombro, escorregando pelas costelas, contornando o umbigo.
Tudo muito calmo e devagar, mas, pela primeira vez na noite, seus dedos gélidos me deram um frio na espinha. Sua mão subiu pela minha barriga... Pela primeira vez na minha vida alguém me vira assim, me tocava assim.
Edward acariciou delicadamente os meus seios, como se quisesse apreciar sua textura. Como ele conseguia ficar tão calmo assim? Preferiria ele enlouquecido, pelo menos não me daria tempo para pensar. Sua boca encostou no meu pescoço e começou a brincar com a língua em minha clavícula. Enrijeci. Comecei a ficar zonza de novo, mas dessa vez eu estava respirando, na verdade estava arfando.
Uma mistura de pânico, desejo, necessidade e timidez tomaram conta de mim quando ele tomou meu seio em sua boca e deu leves sucções em meu mamilo. Eu não tinha mais nenhum controle do meu corpo. Meu coração martelava querendo sair pela boca, calafrios subiam e desciam a minha espinha.
Enquanto isso, Edward fazia uma dança com a mão que ia do meu quadril até o joelho, fazendo o seu caminho pela minha perna, ora deslizando pelo lado externo da minha coxa, ora deslizando pelo lado interno. Não tinha mais noção de nada, pelo que sei essa dança pode ter levado dias, só o que me prendia a atenção era sua mão gelada no meu corpo em brasa. Comecei a sentir tremores por todo o corpo, agarrei os seus cabelos com força, mas, não me agüentando, soltei um gemido. Era um som estranho para mim, havia medo, excitação e súplica contidos nele.
Edward parou tudo o que estava fazendo e olhou para mim com aquele sorriso torto. Ele estava satisfeito consigo mesmo. Ele pousou a mão no meu umbigo e olhou novamente para mim. Então, sua mão deslizou para o meu baixo ventre.
Eu segurei minha respiração. O toque gelado dele contra a parte interna da minha coxa fez com que eu expelisse todo o ar dos meus pulmões. Eu pude notar - entre meus lapsos de lucidez - que ele estava se redescobrindo como humano - como homem. Ele deslizou os seus dedos gélidos, contornando o meu sexo e eu não pude pensar em nada. Foi como um aneurisma cerebral. Eu me desliguei de tudo a não ser dele e do toque dele. Eu acho que ele ficou um pouco preocupado com alguma possível parada cardíaca da minha parte - já que meu coração parecia explodir, tão alto e forte que batia - e ele parou com a carícia e subiu com a mão e a boca trilhando caminhos no meu torso.
- Eu juro... Eu não vou te machucar - ele sussurrou com urgência e convicção.
- Oh, Deus. Eu sei Edward - eu falei tentando controlar a minha respiração para que as palavras saíssem - Você seria incapaz de fazer isso. - eu sorri com o canto dos lábios, e eu podia sentir que minhas bochechas estavam coradas.
Eu acho que ouvi ele sussurrar um “amor”, mas não posso dizer com certeza, porque o que veio depois arrebatou todos os meus sentidos. Eu podia morrer naquele instante e eu não me arrependeria nem um centésimo. A boca dele encontrou o meu seio novamente, enquanto sua mão desceu novamente para o meu sexo.
Eu gemi entre suspiros. Uma energia que eu nunca senti antes percorreu todo o meu corpo. Desde a ponta do meu pé até a minha cabeça. Eu estremeci. Minha respiração nunca foi tão pesada quanto agora. Edward sustentava um sorriso perfeito no seu rosto e ele encontrou a sua testa com a minha.
- Eu não vou te machucar - ele repetiu, a certeza brilhando nos seus olhos escuros de desejo.
Eu pude sentir uma leve pressão no meu sexo e uma leve dor aguda me fez contrair os ombros. Ele parou.
- Eu não sei se... - ele começou.
- Não - eu meneei a cabeça. - É assim. Eu acho. Quer dizer, eu não sei. Mas já me falaram e... - eu fiquei quieta.
- Ok... - ele respirou fundo.
Ele empurrou o seu corpo contra o meu novamente e eu fiquei rígida novamente. Eu senti a boca dele na minha e após alguns segundos eu relaxei.
O seu cheiro doce inebriava meus sentidos e eu senti ele empurrar o seu corpo contra o meu mais um pouco. Dessa vez não houve dor. Ele permaneceu imóvel por um tempo. Apenas beijando os meus lábios com carinho e seus dedos percorrendo os fios do meu cabelo.
Seus carinhos eram tão lentos quanto suas investidas para dentro de mim. Havia algo de tenso nele, seus desejos lutando com a sua cautela. Era um novo mundo para ele também e perceber isso me fez relaxar mais ainda, me fez amá-lo mais ainda.
- Não tenha medo. – murmurei quase sem voz – Nós pertencemos um ao outro.
Edward olhou profundamente em meus olhos, toda a preocupação que transparecia em seu rosto desapareceu. Seu rosto se abriu num sorriso largo, caloroso.
- Para sempre.
Num movimento rápido e delicado Edward estava totalmente dentro de mim.
Soltei um gemido de surpresa e dor, mas assim que seus lábios tocaram os meus, toda a dor desapareceu.
E ficamos assim, colados um no outro. Movimentando-nos em um só ritmo.
Nossas respirações entrecortadas. Nossos olhos fixos um no outro. Uma dança de corpos, de sensações, de desejos se complementando um no outro.
Sentia explosões por todo o corpo, a sensação de seu membro em mim era desconcertante. Me preenchia, me embebedava de prazer, não há palavras nesse mundo para descrever o que eu sentia.
De repente as sensações mudaram, tornaram-se crescente. Olhei para Edward e seus olhos estavam cerrados. Estava novamente lutando consigo mesmo. Seus movimentos tornaram-se mais rápidos. Mas mesmo assim não sentia dor. Só sentia um calor emanando da ponta dos pés até a o fio dos meus cabelos. Cada movimento irradiava correntes elétricas por lugares que nem sabia existir.
Parecia que me aproximava de um precipício, a adrenalina corria a mil, as mãos de Edward me agarraram com força, uma força que ele nunca havia usado antes. Mas não me importava, aquilo era grande demais, sentia vontade de gritar para aliviar toda aquela força que rompia dentro de mim.
De repente, todo aquele estupor pareceu explodir. Um som gutural escapou da garganta de Edward, seus olhos irradiavam puro ouro, seu corpo enrijecido em cima do meu.
Meus olhos enuviaram e me sentia atordoada por todas aquelas sensações estarem, aos poucos, abandonando meu corpo. Mas eu me sentia feliz, despreocupada e muito apaixonada. O Edward cumprira sua palavra, pude sentir que ele não se reprimiu, que confiou no nosso amor. Um sorriso estampou meu rosto.
Edward sorriu de volta.
Ele relaxou e caiu ao meu lado. Olhando-me com ternura, ele tirou alguns fios de cabelos suados do meu resto. Minha respiração lutava para encontrar a normalidade. Eu olhei para rosto dele. Eu estava errada. Eu achava que não podia amar ele mais do que eu amava, e eu descobri que podia. Exponencialmente mais. Os olhos dele encontraram os meus e ele torceu a boca.
- O que? - eu arfei, puxando os meus joelhos para o meu peito.
- Eu tenho uma impressão que não foi tão bom pra você quanto foi excepcional para mim - ele retorquiu, olhos ambivalentes.
- Oh - eu revirei os olhos - Edward, você realmente vai me fazer falar sobre o quão surreal isso foi pra mim?
Ele revirou os olhos de volta para mim e beijou a ponta do meu nariz.
- Eu te machuquei? - ele perguntou com a tez enrugada.
- De forma alguma. Eu estava certa. Como sempre - eu falei com um sorriso.
Ele riu baixinho e me puxou para junto dele.
- Eu sinto muito, eu estou me redescobrindo, você sabe. Eu vou fazer melhor para você. - ele murmurou na minha orelha, fazendo novos arrepios percorrerem o meu corpo exaurido.
Eu bufei.
- Edward pare com isso. Isso foi... surreal em muitos sentidos. Eu nunca... sensações que eu nunca tinha tido... - eu estava tendo problemas em formar frases sem corar absurdamente.
Ele riu no meu ouvido.
- Eu te amo. Minha Bella. Minha esposa. - ele entrelaçou seus dedos com os meus e eu admirei o anel dourado repleto de diamantes.
- Eu te amo também - eu murmurei descansando minha cabeça no seu ombro.
E deixei meu corpo relaxar enquanto eu sincronizava as batidas do meu coração com a respiração dele.
Ele começou a cantar a minha cantiga de ninar, e eu resmunguei.
- Você está cansada - ele atestou.
- Aproveite enquanto pode - eu falei baixinho, mas eu sei que ele ouviu porque ele ficou rígido.
- Agora Bella, realmente...
- Nem vem Edward - eu interrompi. - Eu casei com você. Eu dei um "encerramento" e um álibi bom o suficiente para Charlie e para Reneé. Você realmente não vai me convencer a adiar mais.
Ele suspirou.
- Nós discutimos isso amanhã. Nós temos uma vida toda para discutir isso. - ele acrescentou com um sorriso torto.
- Em breve vamos ter a eternidade - eu lembrei a ele, que soltou um muxoxo. - Sério, às vezes parece que te desagrada a possibilidade de passar a eternidade comigo.
- Oh Bella! - ele falou - Você está sendo absurda de novo. Eu só, realmente, não concordo com a parte na qual a sua vida tem que acabar para podermos ficar juntos para sempre.
- Ela não está acabando Edward. Ela está só começando. E eu mal posso esperar para começar a vivê-la - eu disse com um sorriso e com um tom de quem encerra a discussão.
Ele não me retorquiu. Só suspirou baixinho e recomeçou a cantar.
Eu me aproximei mais dele e ele beijou minha cabeça.
Não demorou muito para que eu caísse em um sono repleto de sonhos. De Edward, de mim, e da eternidade.

(Fim)

terça 28 julho 2009 15:25


O sol da meia noite(Crepúsculo)-narração:Edward-Capitulo-12-complicações.

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12-Complicações

 Bella e eu caminhamos silenciosamente para a aula de biologia. Estava tentando me focar em mim mesmo no momento, na garota ao meu lado, no que era real e sólido, em qualquer coisa que deixasse as visões enganadas e sem significado de Alice fora de minha mente.
Nós passamos por Angela Weber, parada na calçada, discutindo uma tarefa com um garoto da sua classe de trigonometria. Eu examinei seus pensamentos superficialmente, esperando mais desapontamento, apenas para ficar surpreso com seus métodos desejosos.
Ah, então existia algo que Angela queria. Infelizmente, não era uma coisa que poderia ser facilmente embalado. Me senti estranhamente confortado por um momento, ouvindo a falta de esperança nostálgica de Angela. Um sentimento de carinho sobre o qual Angela nunca saberia passou por mim, e eu fui, por um segundo, um só com aquela gentil garota humana.
Era estranhamente confortante saber que eu não era o único a viver uma trágica história de amor. Corações partidos estavam em todos os lugares.
No próximo segundo, eu fiquei abruptamente e perfeitamente irritado. Porque a história de Angela não tinha que ser trágica. Ela era humana e ele era humano, e a diferença que parecia tão insuperável na cabeça dela era ridícula, realmente ridícula comparada à minha situação. Não existia nenhum propósito em seu coração partido. Uma devastadora tristeza, quando não existia nenhuma razão válida para que ela não estivesse com quem queria. Por que ela não tinha o que queria? Por que esta história não deveria ter um final feliz?
Eu queria lhe dar um presente... Bem, eu daria o que ela queria. Com o que eu sabia da natureza humana, isso nem mesmo seria muito difícil. Verifiquei a consciência do garoto ao seu lado, o objeto de sua afeição, e ele não parecia recusar, só estava frustrado pela mesma dificuldade que ela. Sem esperança e resignado, do jeito que ela estava.
Tudo que eu teria de fazer era plantar a sugestão...
O plano se formou facilmente, o roteiro se escreveu sozinho, sem esforço de minha parte. Eu precisaria da ajuda de Emmett - ter sua ajuda nisso era a real dificuldade. A natureza humana era muito mais fácil de ser manipulada do que a natureza vampira.
Eu estava satisfeito com minha solução, com meu presente para Angela. Era uma diversão legal dos meus próprios problemas. Gostaria que os meus fossem solucionados tão facilmente.
Meu humor foi levemente melhorado enquanto Bella e eu sentamos em nossos lugares. Talvez eu devesse ser mais positivo. Talvez existisse alguma solução para nós que estava escapando de mim, da mesma forma que a solução óbvia de Angela era invisível para ela. Provavelmente não.. mas para que perder tempo com falta de esperança? Eu não tinha tempo a perder quando se tratava de Bella. Cada segundo importava.
Sr. Barner entrou puxando uma antiga TV com vídeo cassete. Ele estava pulando para uma seção para a qual não estava particularmente interessado - doenças genéticas - ao mostrar um filme pelos próximos três dias. O óleo de Lorenzo não era uma parte muito animada, mas isso não parou o excitamento na sala. Sem anotações, sem material de teste. Três dias livres. Os humanos alegraram-se.
Isto não importava pra mim, de qualquer jeito. Eu não estive planejando prestar atenção em qualquer coisa, exceto Bella.
Não arrastei minha cadeira para longe da dela hoje, para me dar espaço para respirar. Ao invés disso, sentei próximo a ela como qualquer outro humano normal sentaria. Mais perto do que nos sentamos em meu carro, perto o suficiente para que o lado esquerdo do meu corpo submergisse ao calor de sua pele.
Era uma experiência estranha, agradável e irritante, mas eu preferia isso à sentar longe dela através da mesa. Era mais do que o que estava acostumado, e rapidamente percebi que ainda não era o bastante. Eu não estava satisfeito. Estar próximo assim dela só me fez querer estar mais perto. Quanto mais perto ficava, mais me atraía.
Eu tenho a acusado de ser um ímã de perigo. Nesse momento, sinto como se isso fosse a verdade literal. Eu era perigoso, e a cada polegada em que me permitia ficar mais perto dela, sua atração crescia com força.
E então Sr. Barner apagou as luzes.
Era estranho quanta diferença isso fez, considerando que a falta de luz significa pouco aos meus olhos. Eu ainda podia enxergar tão perfeitamente quanto antes. Cada detalhe da sala estava claro.
Então por que o repentino choque de eletricidade no ar, neste escuro que não era escuro pra mim? Seria porque eu sabia que era o único que podia ver claramente? Que Bella e eu estávamos invisíveis para os outros? Como se estivéssemos sozinhos, apenas nós dois, escondidos na sala escura, sentados tão perto um ao lado do outro...
Minha mão se moveu em direção a dela sem minha permissão. Apenas para tocar sua mão, para segurá-la na escuridão. Isso seria um erro terrível? Se minha pele a incomodasse, ela só teria de afastá-la...
Puxei minha mão de volta com força, cruzando os braços, apertando-os com força em meu peito e mantendo minhas mãos fechadas. Sem erros. Havia me prometido que não cometeria erros, não importa o quão pequenos eles parecessem. Se eu segurasse sua mão, iria somente querer mais - outro toque insignificante, outro movimento próximo a ela. Podia sentir isso. Um novo tipo de desejo crescendo dentro de mim, trabalhando para impedir meu auto-controle.
Sem erros.
Bella cruzou os braços em seu peito seguramente, e suas mãos se fecharam em punho, como as minhas.
O que está pensando? Eu estava morrendo para sussurrar as palavras a ela, mas a sala estava muito quieta para não notar mesmo uma conversa sussurrada.
O filme começou, iluminando um pouco a escuridão. Bella olhou para mim. Ela notou a maneira rígida com que eu mantinha meu corpo - assim como ela - e sorriu. Seus lábios se partiram levemente, e seus olhos pareciam cheios de convites calorosos.
Ou talvez eu estivesse enxergando o que queria ver.
Sorri de volta; sua respiração capturada com uma baixa arfada, e ela olhou para longe rapidamente.
Isso foi pior. Eu não sabia seus pensamentos, mas estava repentinamente positivo de que estava certo antes, e que ela queria que eu a tocasse. Ela sentia este desejo perigoso assim como eu.
Entre o seu corpo e o meu, a eletricidade zumbia.
Ela não se mexeu durante toda a hora, mantendo sua firme e controlada posição enquanto eu mantinha a minha. Ocasionalmente me espiaria de novo, e a eletricidade zumbindo me sacudiria como um choque repentino.
A hora passou - lentamente, e não lentamente o bastante. Isso era tão novo. Eu poderia ter sentado assim com ela por dias, apenas para experimentar o sentimento inteiramente.
Tive uma dúzia de diferentes discussões comigo mesmo enquanto os minutos passaram, racionalmente lutando com o desejo, conforme tentava justificar meu toque nela.
Finalmente, Sr. Barner acendeu as luzes novamente.
Na brilhante luz fluorescente, a atmosfera da sala retornou ao normal. Bella suspirou e se esticou, flexionando os dedos à sua frente. Deve ter sido desconfortável pra ela manter aquela posição por tanto tempo. Era mais fácil para mim - imobilidade vinha naturalmente. Eu ri da expressão aliviada de seu rosto. "Bom, isso foi interessante."
"Humm," ela murmurou, claramente entendendo ao que eu estava me referindo, mas sem fazer comentários. O que eu não daria para ouvir o que ela estava pensando agora.
Eu suspirei. Nenhum monte de desejo iria ajudar com aquilo.
"Vamos?" perguntei, me levantando.
Ela fez uma careta e ficou imóvel, suas mãos se estenderam como se estivesse com medo de cair.
Eu poderia oferecê-la minha mão. Ou poderia colocar a mão embaixo de seu cotovelo - levemente - e firmá-la. Certamente aquilo não deveria ser uma horrível infração...
Sem erros.
Ela estava muito quieta enquanto nós andamos até o ginásio. A ruga era evidente entre seus olhos, um sinal de que estava entregue aos pensamentos. Eu também, estava pensando profundamente.
Um toque em sua pele não a machucaria, meu lado egoísta afirmou.
Eu poderia facilmente moderar a pressão da minha mão. Não era exatamente difícil, contanto que estivesse firmemente controlado. Minha sensibilidade era mais desenvolvida que a dos humanos. Podia fazer malabarismo com uma dúzia de taças de cristal sem quebrar nenhuma delas; podia acariciar uma bolha de sabão sem estourá-la. Contanto que estivesse firmemente controlado...
Bella era como uma bolha de sabão - frágil e efêmera. Temporário.
Por quanto tempo eu seria capaz de justificar minha presença na vida dela? Quanto tempo eu teria? Teria alguma outra chance como esta, como este momento, como este segundo?
Ela não estaria sempre ao alcance dos meus braços...
Bella se virou para me encarar da porta do ginásio, e seus olhos se arregalaram com a expressão em meu rosto. Ela não falou. Eu me olhei pelo reflexo de seus olhos, e vi o conflito se enfurecendo dentro de mim. Observei meu rosto mudar como se o meu melhor lado tivesse perdido a discussão.
Minha mão se levantou sem um comando consciente para fazer isso. Gentilmente, como se ela fosse feita do vidro mais fino, como se fosse frágil como uma bolha, meus dedos acariciaram a pele quente que cobria sua bochecha. Ela esquentou com meu toque, e eu pude sentir o pulso do sangue correr embaixo de sua pele transparente.
Chega, ordenei, mesmo com minha mão ainda traçando seu rosto. Chega.
Era difícil puxar minha mão de volta, parar de me mover para mais perto dela do que já estava. Milhares de possibilidades diferentes passaram em minha mente num instante - milhares de formas de tocá-la. A ponta dos meus dedos traçando o contorno de seus lábios. Minha palma sob seu queixo. Tirar o grampo de seus cabelos, e os deixar derramar em minha mão. Minhas mãos envolvendo sua cintura, mantendo-a contra meu corpo.
Chega.
Me forcei a virar, ir para longe dela. Meu corpo se mexeu com vigor - recusando-se.
Fiquei perdido em pensamentos a observando por trás enquanto caminhava rapidamente para longe, quase fugindo da tentação. Ouvi os pensamentos de Mike Newton - eram os mais altos - enquanto observei Bella passar por ele em esquecimento, seus olhos sem foco e suas bochechas vermelhas. Ele olhou furiosamente, e meu nome foi misturado com maldições em sua mente; Eu não poderia ajudar sorrindo em resposta.
Minha mão estava formigando. Eu a flexionei e a fechei em um punho, mas ela continuou picando sem dor alguma.
Não, eu não havia a machucado - mas tocá-la ainda tinha sido um erro.
Parecia fogo - como se a sede que queima minha garganta tivesse se espalhado por todo o meu corpo.
Da próxima vez que eu eu estivesse perto dela, poderia evitar de tocá-la novamente? E se a tocasse uma vez, conseguiria parar?
Sem mais erros. Era isso. Saboreie a memória, Edward, eu disse a mim mesmo cruelmente, e guarde suas mãos para si. Isso, ou eu teria que me forçar a partir... de alguma forma. Porque eu não me permitiria estar perto dela se insistisse em cometer erros.
Tomei fôlego e tentei firmar meus pensamentos.
Emmett me alcançou fora do prédio de Inglês.
"Hey, Edward." Ele está parecendo melhor. Estranho, mas melhor. Feliz.
"Hey, Em." Eu parecia feliz? Acho que sim, apesar do caos em minha mente. Me sentia daquele jeito.
Dê um jeito de manter sua boca fechada, garoto. Rosalie quer arrancar sua língua.
Eu suspirei. "Desculpe por te deixar lidar com isso. Está com raiva de mim?"
"Nah. Rose vai esquecer. Isso aconteceria de qualquer jeito." Com o que Alice vê que está por vir...
As visões de Alice não era o que eu queria pensar agora. Olhei para frente, meus dentes trincados.
Enquanto procurava por alguma distração, pude ver Ben Cheney entrando na sala de Espanhol a nossa frente. Ah - aqui estava minha chance de dar a Angela Weber seu presente.
Parei de andar, e peguei o braço de Emmett. "Espere um segundo."
O que foi?
"Sei que não mereço isso, mas você me faria um favor, mesmo assim?"
"O que é?", perguntou ele, curioso.
Por baixo de minha respiração - e em uma velocidade que tornaria as palavras incompreensíveis aos humanos, não importa o quão alto falassem - expliquei a ele o que queria.
Ele me encarou inexpressivamente quando terminei, seus pensamentos tão vazios quanto sua expressão.
"E aí?" estimulei. "Vai me ajudar com isso?"
Levou um minuto para ele responder. "Mas, por que?"
"Vamos, Emmett. Por que não?"
Quem diabos é você, e o que fez com meu irmão?
"Não é você que reclama que a escola é sempre a mesma? Isso é algo um pouco diferente, não é? Considere como um experimento - um experimento de natureza humana."
Ele me encarou por outro momento antes de concordar. "Bem, isto é diferente, eu lhe darei isso... Okay, tudo bem." Emmett bufou, e então deu de ombros. "Vou te ajudar."
Sorri pra ele, me sentindo mais entusiasmado com meu plano agora que ele estava junto. Rosalie era chata, mas eu sempre deveria a ela por escolher Emmett; ninguém tinha um irmão melhor que o meu.
Emmett não precisou praticar. Sussurrei suas falas uma vez sob minha respiração conforme caminhávamos para a sala de aula.
Ben já estava em seu lugar atrás do meu, recolhendo seu trabalho de casa para entregar. Emmett e eu nos sentamos e fizemos a mesma coisa. A classe não estava quieta ainda; o murmúrio da conversa subjugada continuaria até a Sra. Goff chamar a atenção. Ela não tinha pressa, analisava os exames da última turma.
"Então," Emmett disse, sua voz mais alta que o necessário - se ele estivesse realmente falando para mim. "Você chamou Angela Weber para sair?"
O som dos papéis atrás de mim deram uma abrupta parada quando Ben congelou, sua atenção repentinamente revertida em nossa conversa.
Angela? Eles estão falando sobre Angela?
Ótimo. Consegui seu interesse.
"Não," eu disse, balançando a cabeça lentamente para parecer arrependido.
"Por que não?" Emmett improvisou. "Você é frangote?"
Sorri para ele. "Não, ouvi dizer que ela estava interessada em outra pessoa."
Edward Cullen ia chamar Angela para sair? Mas...Não. Não gosto disso. Não o quero perto dela. Ele não é... certo para ela. Não é...seguro.
Eu não tinha previso o cavalheirismo, o instinto protetor. Estive planejando causar ciúmes. Mas de quaquer forma, deu certo.
"Vai deixar isso te impedir?" Emmett perguntou zombando, improvisando de novo. "Não está disposto a uma competição?"
O olhei com raiva, mas fiz uso do que ele me deu. "Olha, eu acho que ela realmente gosta desse Ben. Não tentarei convencê-la. Existem outras garotas."
A reação da cadeira atrás de mim foi elétrica.
"Quem?" Emmett perguntou, de volta ao roteiro.
"Minha parceira de laboratório disse que era algum garoto chamado Cheney. Não estou certo se eu sei quem é ele."
Meu sorriso voltou um pouco. Somente os arrogantes Cullens poderiam escapar com o fingimento de não conhecer cada estudante nesta pequena escola.
A cabeça de Ben estava rodando em choque. Eu? Ganhar de Edward Cullen? Mas porque ela gostaria de mim?
"Edward," Emmett murmurou em um tom mais baixo, rolando os olhos pelo garoto. "Ele está bem atrás de você," ele balbuciou, então obviamente o humano poderia facilmente ler as palavras.
"Oh," eu murmurei de volta.
Me virei para espiar o garoto atrás de mim. Por um segundo, os olhos pretos por trás dos óculos estavam assustados, mas então ele endureceu e ajustou seus ombros encolhidos, afrontado pela minha clara avaliação humilhante. Seu queixo se impôs, e uma raiva ruborizada escureceu sua pele marrom dourado.
"Huh," eu disse arrogantemente enquanto me virei de volta para Emmett.
Ele acha que é melhor que eu. Mas Angela não. Vou mostrar a ele...
Perfeito.
"Você não disse que ela estava levando Yorkie para o baile?" Emmett perguntou, bufando enquanto dizia o nome do garoto que muitos evitavam devido ao seu jeito desengonçado.
"Foi uma decisão de grupo, aparentemente." Eu queria garantir que Ben estivesse entendendo. "Angela é tímida. Se B-- bom, se um cara não tiver coragem de chamá-la para sair, ela nunca o chamaria."
"Você gosta de garotas tímidas," Emmett disse, voltando ao improviso. Garotas quietas. Garotas como... hmm, eu não sei. Talvez Bella Swan?
Sorri para ele. "Exatamente." Então voltei à performance. "Talvez Angela se canse de esperar. Talvez eu a chame para o baile."
Não, você não vai. Ben pensou, se endireitando na cadeira. E daí que ela é muito mais alta que eu? Se ela não liga, também não ligarei. Ela é a garota mais legal, mais esperta, mais linda da escola... e ela me quer.
Gostei desse Ben. Ele parecia perspicaz e bem-intencionado. Até mesmo merecedor de uma garota como Angela.
Fiz sinal positivo para Emmett por debaixo da carteira, enquanto a Sra. Goff parou e cumprimentou a sala.
Okay, vou admitir - isso foi um pouco divertido. Emmett pensou.
Sorri para mim mesmo, satisfeito por ter sido capaz de formar um final feliz de uma história de amor. Estava certo de que Ben tomaria atitude, e Angela receberia meu presente anônimo. Minha dívida foi paga.
Como os humanos eram bobos por deixar 15 cm de diferença de altura perturbar sua felicidade.
Meu sucesso me deixou de bom humor. Sorri de novo enquanto me ajeitei na cadeira e me preparei para ficar entretido. Depois de tudo, como Bella disse após o intervalo, eu nunca havia a visto em ação na sua aula de educação física.
Os pensamentos de Mike eram mais fáceis de achar no meio das vozes tagarelando no ginásio. Sua mente tem sido muito familiar nas últimas semanas. Com um suspiro, me resignei para ouvi-lo. Ao menos poderia garantir que ele estaria prestando atenção em Bella.
Eu estava bem a tempo para ouvi-lo se oferecer para ser seu parceiro em badminton. Meu sorriso desapareceu, meus dentes trincaram, e tive que me lembrar que matar Mike Newton não era uma opção permissível.
"Obrigada, Mike... Sabe que não precisa fazer isso."
"Não se preocupe, vou me manter fora de seu alcance."
Eles sorriram um para o outro, e flashes de numerosos acidentes - sempre de alguma forma conectados a Bella - passaram pela cabeça de Mike.
Mike jogou sozinho primeiro, enquanto Bella hesitou na metade de trás da quadra, segurando sua raquete cuidadosamente, como se fosse algum tipo de arma. Então o treinador Clapp caminhou lentamente e ordenou que Mike deixasse Bella jogar.
Oh, oh Mike pensou enquanto Bella se movia adiante com um suspiro, segurando sua raquete em um ângulo estranho.
Jennifer Ford serviu a peteca para Bella com um ar presumido em seus pensamentos. Mike viu Bella balançar em direção a ela, balançando as raquetes para muito longe de seu alvo, e ele correu para tentar salvar o volei.
Observei a trajetória da raquete de Bella com alarme. Sem dúvidas, a raquete bateria de volta em sua própria cabeça, e saltaria para golpear o braço de Mike.
Ai. Ai. Ungh. Isso vai deixar uma contusão.
Bella estava massageando sua testa. Foi difícil ficar no lugar onde eu estava, sabendo que ela estava machucada. Mas o que eu poderia fazer se estivesse lá? E não parecia ser sério... Eu hesitei, assistindo. Se ela pretendesse continuar jogando, eu teria que inventar uma desculpa para tirá-la da aula.
O treinador riu. "Desculpe, Newton." Esta é a garota mais azarada que já vi. Não deveria obrigá-la a ficar com os outros...
Ele se virou deliberadamente e se mexeu para assistir outro jogo, então Bella poderia retornar ao seu papel de espectadora.
Ai, Mike pensou de novo, massageando seu braço. Ele se virou para Bella. "Você está bem?"
"Sim, você está?" ela perguntou envergonhada, corando.
"Acho que ficarei vivo." Não quero soar como um bebê chorão. Mas, cara, isso dói!
Mike balançou seu braço em círculo, retrocedendo.
"Eu estarei bem aqui," Bella disse, com mais constrangimento e desgosto do que dor. Talvez Mike tivesse levado a pior nessa. Certamente eu esperava que esse fosse o caso. Ao menos ela não jogaria mais. Ela segurou sua raquete tão cuidadosamente em suas costas, seus estavam olhos arregalados com remorso... eu tive que disfarçar minha risada enquanto tossia.
O que é engraçado? Emmett queria saber.
"Te conto mais tarde," murmurei.
Bella não se aventurou no jogo de novo. O treinador a ignorou e deixou Mike jogar sozinho.
Eu fiz meu exame rapidamente ao final da hora, e a Sra. Goff me deixou sair mais cedo. Estava escutando Mike intencionalmente conforme caminhava pelo terreno da escola. Ele havia decidido confrontar Bella sobre mim.
Jessia jura que eles estão namorando. Por que? Por que ele tinha que escolhê-la?
Ele não reconhecia o real fenômeno - de que ela havia me escolhido.
"E aí?"
"E aí o quê?" ela respondeu.
"Você e o Cullen, hein?" você e o esquisito. Eu acho, se um cara rico é importante assim para você...
Eu cerrei os dentes com essa suposição degradante.
"Isso não é da sua conta, Mike."
Defensiva. Então é verdade. Merda. "Não gosto disso."
Porque ela não podia que espetáculo de circo ele era? Como todos eles. O modo como ele a encara. Me dá calafrios de olhar. "Ele olha para você como se... como se você fosse uma coisa de comer."

Me contrai, esperando a resposta dela.
Seu rosto ficou vermelho, e seus lábios estavam pressionados como se ela estivesse segurando a respiração. Então, repentinamente um sorriso falso surgiu de seus lábios.
Agora ela está rindo de mim. Ótimo.
Mike se virou, pensamentos mal-humorados, e saiu para se trocar.
Eu me encostei na parede do ginásio e tentei me recompor.
Como ela podia ter rido da acusação de Mike – tão certeira que eu estava começando a me preocupar se Forks estava se tornando ciente demais... por que ela riria da sugestão de que eu poderia matá-la, quando ela sabia que era totalmente verdade? Onde estava a graça nisso?
O que havia de errado com ela?
Será que ela tinha um senso de humor mórbido? Isso não se encaixava com a imagem que eu tinha sobre seu caráter, mas como eu podia ter certeza? Ou talvez minha fantasia do anjo sem nada na cabeça fosse verdadeira em um aspecto, o de que ela não tinha simplesmente nenhum senso de perigo. Corajosa – esta era uma palavra para isso. Outros poderiam dizer estúpida, mas eu sabia o quão esperta ela era. Entretanto, não importando o motivo, esta falta de medo ou senso de humor distorcido não era bom para ela. Será que era esta estranha deficiência que a colocava em perigo tão constantemente? Talvez ela sempre fosse precisar de mim aqui...
Subitamente, meu humor estava nas alturas.
Se eu conseguisse me disciplinar, tornar-me seguro, então talvez seria a coisa certa para mim ficar com ela.
Quando ela saiu pela porta do ginásio, seus ombros estavam enrijecidos e seu lábio inferior estava entre seus dentes de novo – um sinal de ansiedade. Mas assim que seus olhos encontraram-se com os meus, seus ombros tensos relaxaram e um largo sorriso despontou em seu rosto. Era uma expressão estranhamente cheia de paz. Ela caminhou diretamente para o meu lado sem hesitar, parando apenas quando estava tão próxima que o calor de seu corpo atingiu o meu como um tsunami.
“Oi”, ela sussurrou.
A felicidade que eu senti naquele momento era, novamente, sem precedentes.
“Olá”, eu disse, e então – porque com meu humor subitamente tão leve era impossível para mim não provocá-la – eu acrescentei, “Como foi a educação física?”
Seu sorriso hesitou. “Bem”.
Ela era uma péssima mentirosa.
“Verdade?”, perguntei, prestes a pressionar o assunto – eu ainda estava preocupado com sua cabeça; será que ela estava com dor? – mas então os pensamentos de Mike Newton estavam tão altos que quebraram minha concentração.
Eu odeio ele. Queria que ele morresse. Espero que ele caia de um penhasco com aquele carro brilhante. Por que ele não pode simplesmente deixar ela em paz? Procurar alguém da laia dele – um anormal.
“Que foi?”, demandou Bella.
Meus olhos focalizaram novamente o seu rosto. Ela olhou para Mike se afastando, e então de novo para mim.
“Newton está me dando nos nervos”, admiti.
Seu queixo caiu, e seu sorriso desapareceu. Ela devia ter se esquecido que eu havia sido capaz de assistir sua calamitosa última aula, ou esperado que eu não tivesse usado minha capacidade. “Você não estava ouvindo de novo?”
“Como está sua cabeça?”
“Você é inacreditável!”, ela disse entredentes, e então deu as costas para mim e caminhou furiosamente na direção do estacionamento. Sua pele estava vermelho vivo – ela estava envergonhada.
Eu acompanhei seu passo, esperando que sua raiva fosse passar rapidamente. Em geral ela não demorava para me perdoar.
“Foi você quem mencionou que eu nunca havia te visto na educação física”, expliquei. “Me deixou curioso”.
Ela não respondeu; suas sobrancelhas unidas.
Ela parou abruptamente no estacionamento quando percebeu que o caminho até o meu carro estava sendo bloqueada por uma multidão de garotos.
Eu imagino a que velocidade eles chegaram nessa coisa...
Olha esses câmbios SMG. Eu nunca vi um desses fora de uma revista...
Belas saias laterais...
Bem que eu queria ter sessenta mil dólares dando sopa...

Era exatamente por isso que era melhor que Rosalie só usasse seu carro fora da cidade.
Eu circundei a multidão de garotos lascivos até o meu carro; após um segundo de hesitação, Bella me seguiu.
“Ostentação”, eu murmurei enquanto ela entrava.
“Que tipo de carro é esse?”, ela imaginou.
“Um M3”.
Ela franziu a testa. “Eu não falo o idioma da Car and Driver”.
“É uma BMW”. Eu rolei os olhos e então focalizei em dar a ré sem atropelar ninguém. Eu tive que travar os olhos em alguns garotos que não pareciam estar com muita vontade de sair do caminho. Um encontro de meio segundo com meu olhar pareceu ser o bastante para convencê-los.
“Você ainda está brava?”, perguntei-lhe. Sua testa não estava mais franzida.
“Definitivamente”, ela respondeu secamente.
Eu suspirei. Talvez eu não devesse ter tocado no assunto. Oh bem. Eu poderia tentar compensar, eu pensei. “Você vai me perdoar se eu pedir desculpas?”
Ela refletiu por um momento. “Talvez... se você for sincero”, ela decidiu. “E se você prometer nunca mais fazer isso de novo”.
Eu não ia mentir para ela, mas de forma alguma eu iria concordar com aquilo. Talvez se eu lhe oferecesse uma troca diferente.
“Que tal se eu for sincero, e deixar você dirigir no sábado?”. Eu me encolhi por dentro com o pensamento.
Uma ruga brotou entre seus olhos enquanto ela avaliava a nova barganha. “Combinado”, ela disse depois de pensar por um momento.
Agora, quanto ao meu pedido de desculpas... eu nunca havia tentado deslumbrar Bella propositalmente antes, mas agora parecia ser um bom momento. Eu olhei profundamente para dentro de seus olhos enquanto dirigia para longe do colégio, me perguntando se estava fazendo direito. Eu usei meu tom mais persuasivo.
“Então eu sinto muito mesmo por ter te chateado”.
Seu coração batia mais alto do que antes, e o ritmo estava abruptamente marcado. Seus olhos se arregalaram, parecendo um pouco atordoados.
Eu dei um sorriso torto. Parecia que eu tinha feito direito. Claro, eu estava tendo um pouco de dificuldade de desviar meus olhos dos dela, também. Igualmente deslumbrado. Era uma coisa boa que eu havia memorizado esta estrada.
“E eu estarei na sua porta no sábado bem cedo”, acrescentei, terminando o acordo.
Ela piscou rapidamente, balançando a cabeça como se tentasse limpá-la. “Um”, ela disse, “não ajuda muito minha situação com Charlie se um Volvo for inexplicavelmente deixado na calçada”.
Ah, como ela me conhecia pouco. “Eu não estava pretendendo levar meu carro”.
“Como – ”, ela começou a perguntar.
Eu a interrompi. A resposta seria difícil de explicar sem uma demonstração, e agora não era a hora. “Não se preocupe. Eu estarei lá, sem carro”.
Ela inclinou a cabeça para um lado, e parecia por um segundo que ela iria pressionar por mais informações, mas então ela pareceu mudar de idéia.
“Já é mais tarde?”, ela perguntou, recordando-me de nossa conversa inacabada no refeitório hoje; ela abriria mão de uma pergunta apenas para retornar para outra que era menos prazerosa.
“Eu acho que é mais tarde”, eu concordei contra minha vontade.
Eu estacionei em frente a sua casa, ficando tenso enquanto tentava pensar numa maneira de explicar... sem deixar minha natureza monstruosa muito evidente, sem assustá-la de novo.
Ela esperou com a mesma máscara educadamente interessada que havia vestido no almoço. Se eu estivesse menos nervoso, sua calma absurda teria me feito rir.
“E você ainda quer saber por que não pode me assistir caçando?”, perguntei.
“Bem, eu estava mesmo refletindo sobre sua reação”, ela disse.
“Eu te assustei?”, eu perguntei, certo de que ela negaria.
“Não”.
Eu tentei não sorrir, e falhei. “Peço desculpas por ter te assustado”. E então meu sorriso desapareceu junto com o humor momentâneo. “É que apenas o pensamento de tê-la ali... enquanto caçamos”.
“Isso seria ruim?”
A figura mental era demais – Bella, tão vulnerável na escuridão vazia; eu mesmo, fora de controle... tentei bani-la da minha mente. “Extremamente”.
“Porque...?”
Eu respirei fundo, me concentrando por um momento na sede que me queimava. Sentindo-a, controlando-a, provando meu domínio sobre ela. Ela nunca me controlaria novamente – eu torci para que isso fosse verdade. Eu seria seguro para ela. Eu encarei as nuvens bem-vindas sem realmente vê-las, desejando poder acreditar que minha determinação faria alguma diferença se eu estivesse caçando e cruzasse com seu cheiro.
“Quando nós caçamos... nos entregamos a nossos sentidos”, eu lhe disse, pensando em cada palavra antes de pronunciá-la. “Somos menos governados por nossas mentes. Especialmente por nosso olfato. Se você estivesse em algum lugar perto de mim quando eu perdesse o controle dessa forma...”
Eu balancei a cabeça agoniado com o pensamento do que iria – não do que poderia, mas do que iria – certamente acontecer então.
Eu escutei seus batimentos se acelerando e depois acalmando, e então me virei, inquieto, para ler seus olhos.
A expressão de Bella estava composta, seus olhos graves. Sua boca estava crispada suavemente, no que eu pensei que fosse preocupação. Mas preocupação com o quê? Sua própria segurança? Ou minha angústia? Eu continuei a encará-la, tentando traduzir suas expressões ambíguas para fatos.
Ela me olhou de volta. Seus olhos se arregalaram após um instante, e suas pupilas dilataram, apesar da luz não ter mudado.
Minha respiração acelerou, e de repente o silêncio no carro parecia um zunido, exatamente como na aula de Biologia esta tarde. A corrente elétrica circulava entre nós novamente, e meu desejo de tocá-la era, brevemente, mais forte até mesmo que as demandas da minha sede.
A eletricidade pulsante me fez sentir como se eu tivesse uma pulsação de novo. Meu corpo cantava com ela. Eu me senti quase... humano. Mais do que tudo no mundo, eu queria sentir o calor de seus lábios contra os meus. Por um segundo, lutei desesperadamente para encontrar a força, o controle, para ser capaz de colocar minha boca tão próxima de sua pele...
Ela aspirou de forma rasgada, e apenas então eu percebi que, quando eu comecei a respirar mais rápido, ela simplesmente parou de respirar.
Eu fechei meus olhos, tentando quebrar a conexão entre nós.
Sem mais erros.
A existência de Bella era suspensa por milhares de processos químicos delicadamente equilibrados, todos tão facilmente interrompidos. A expansão rítmica de seus pulmões, o fluxo de oxigênio, era vida ou morte para ela. A ondulação rítmica de seu frágil coração poderia ser parada por tantos acidentes estúpidos ou por doenças ou... por mim.
Nenhum membro de minha família hesitaria se a ele ou ela fosse oferecida a chance de retornar – se ele ou ela pudesse trocar a imortalidade por mortalidade de novo. Qualquer um de nós suportaria queimar por isso. Queimar por quantos dias ou séculos fosse necessário.
A maioria dos nossos semelhantes valorizava a imortalidade sobre todas as outras coisas. Havia até mesmo humanos gananciosos por ela, que procuravam em lugares escuros por aqueles que poderiam lhe dar o mais negro dos presentes...
Não nós. Não a minha família. Nós trocaríamos tudo por sermos humanos.
Mas nenhum de nós já havia estado tão desesperado por uma maneira de retornar como eu estava agora. Eu encarei as microscópicas cavidades e falhas no pára-brisas, como se houvesse alguma resposta escondida no vidro. A eletricidade não havia desaparecido, e eu tive que me concentrar para manter minhas mãos no volante.
Minha mão direita começou a formigar sem dor novamente, como quando eu a havia tocado antes.
“Bella, eu acho que você devia entrar agora”.
Ela obedeceu de imediato, sem comentar, saindo do carro e fechando a porta atrás de si. Teria ela sentido o potencial para o desastre tão claramente quanto eu?
Doía para ela ter que partir, como doía para mim deixá-la ir? O único consolo era que eu a veria logo. Mais cedo do que ela veria a mim. Eu sorri com a idéia, e então desci o vidro da janela e me inclinei para falar com ela mais uma vez – era mais seguro agora, com o calor de seu corpo fora do carro.
Ela virou para ver o que eu queria, curiosa.
Ainda curiosa, apesar de ter feito tantas perguntas para mim hoje. Minha própria curiosidade estava completamente insatisfeita; responder suas questões hoje havia apenas revelado a ela meus segredos – eu havia conseguido pouco dela, por meio de minhas próprias conjecturas. Isso não era justo.
“Oh, Bella?”
“Sim?”
“Amanhã é minha vez”.
Sua testa se enrugou. “Sua vez de quê?”
“Fazer as perguntas”. Amanhã, quando estivéssemos num lugar mais seguro, cercados por testemunhas, eu obteria minhas próprias respostas. Eu sorri com o pensamento, e então me virei, porque ela não havia feito menção de partir. Mesmo com ela fora do carro, o eco da eletricidade zunia no ar. Eu queria sair, também, e acompanhá-la até a porta, para ter uma desculpa para ficar ao seu lado...
Sem mais erros. Eu pisei no acelerador, e então suspirei enquanto ela desaparecia atrás de mim. Eu me sentia como se estivesse sempre correndo na direção de Bella ou correndo para fugir dela, nunca ficando no lugar. Eu teria que encontrar alguma maneira de manter meu chão, se nós fossemos algum dia ter um pouco de paz.

terça 28 julho 2009 16:07


O sol da meia noite-capitulo 11-Interrogações

Blog de amorassasino :Amor Assasino, O sol da meia noite-capitulo 11-Interrogações

11-Interrogações

CNN foi a primeira a comentar a história.
Eu estava satisfeito que as notícias vazaram antes de eu partir pra escola, ansioso para saber como os humanos se expressariam em relação a isso, e quanta atenção tomaria. Felizmente, havia notícias mais pesadas. Como um terremoto na América do Sul e um seqüestro político no Oriente Médio. Então a notícia rendeu apenas alguns segundos, algumas frases e uma foto.
“Alonzo Calderas Wallace, seqüestrador e assassino em série procurado no Texas e Oklahoma, foi apreendido noite passada em Portland, Oregon agradece a denúncia anônima. Wallace foi encontrado essa manhã, inconsciente em uma viela próxima a estação policial. Oficiais estão incapacitados de nos informar quando ele será exportado para Houston ou a cidade de Oklahoma para responder o processo".
A foto não estava clara - uma foto de prisão - e ele ainda tinha uma barba espessa na época em que foi tirada. Mesmo que Bella visse, ela provavelmente não o reconheceria. Eu esperava que ela não visse; Apenas a deixaria com medo desnecessariamente.
"A cobertura aqui na cidade vai ser leve. É muito distante para ser considerada um local de interesse". Alice me contou.
Eu concordei. Apesar de tudo, Bella não assistia muita TV, e eu nunca havia visto o seu pai assistindo outra coisa a não ser os canais de esporte.
Eu fiz o que eu pude. Esse monstro não caçaria por um bom tempo, e eu não era um assassino. Não recentemente, de qualquer modo. Eu estava certo em confiar em Carlise, tanto quanto eu também desejava que o monstro se aquietasse facilmente. Peguei-me torcendo para que ele fosse exportado para o Texas onde a pena de morte era tão popular..
Não. Isso não importava. Eu ia deixar isso para trás, e me concentraria no que era o mais importante.
Eu havia deixado o quarto de Bella não fazia nem uma hora, e já estava ansioso para vê-la novamente.
"Alice, você se importaria.."
Ela me cortou. "Rosalie irá dirigir. Ela vai fingir-se de brava, mas você sabe que irá gostar da desculpa para mostrar o seu carro". Alice soltou uma risada.
Eu dei um sorriso largo para ela. "Vejo-te na escola".
Alice suspirou e o meu sorriso transformou-se em uma careta.
Eu sei, eu sei. Ela pensou. Ainda não. Eu esperarei até que você esteja pronto para eu conhecer Bella. Eu acho que você devia saber que isso não é apenas eu sendo egoísta. Bella irá gostar de mim também.
Eu não respondi para ela enquanto saia pela porta. Havia outra forma de visualizar a situação. Bella gostaria de conhecer Alice? Ter uma vampira como amiga?
Conhecendo Bella, a idéia provavelmente não a incomodaria de maneira nenhuma. Eu congelei. O que Bella queria e o melhor para ela eram coisas completamente distintas.
Eu comecei a me sentir preocupado quando estacionei o carro na garagem de Bella. Dizem que os humanos vêem as coisas diferentes pela manhã - que as coisas mudam quando você dorme as analisando. Eu deveria olhar Bella de uma forma diferente nessa luz fraca de um dia nublado? Eu seria mais ou menos sinistro do que na escuridão da noite? Será que a verdade fora absorvida enquanto ela dormia? Ela finalmente estaria com medo?
Seus sonhos haviam sido calmos na noite passada. Quando ela disse meu nome de tempos em tempos, ela sorria. Mais do que quando ela suplicou para eu ficar. Isso significaria alguma coisa hoje?
Eu esperei com os nervos a flor da pele, escutando os sons que ela fazia dentro da casa - seus pés batendo rapidamente na escada enquanto ela a descia, o som agudo do papel alumínio sendo rasgado, o conteúdo da geladeira se debatendo uns nos outros quando a porta foi fechada. Parecia que ela estava com pressa. Ansiosa para chegar na escola? Esse pensamento me fez sorrir, estava esperançoso novamente.
Olhei para o relógio. Eu supunha que - considerando o limite da velocidade de sua caminhonete caindo aos pedaços - ela estava atrasada.
Bella saiu de sua casa, sua mochila pendurada em um dos ombros, seu cabelo amarrado em um bolo desarrumado em sua nuca. O casaco denso que ela vestia não era aconchegante o suficiente para protegê-la do frio cortante.
O suéter era muito grande pra ela, desfavorecedor. Isso cobriu a sua figura esbelta, transformando todas as suas curvas delicadas e linhas suaves em um formato estranho. Eu apreciei isso quase como o quanto eu desejava que ela usasse algo mais parecido com a blusa azul de ontem.... o tecido aderiu-se a pele de uma forma tão apelativa, com um corte baixo o suficiente para mostrar o jeito hipnotizante que suas clavículas se curvavam no vazio abaixo de sua garganta.O azul havia floreado como água ao longo de seu formato macio....
Era melhor - essencial - que eu mantivesse os meus pensamentos longe, muito longe de seu formato, então eu estava grato pelo suéter desfavorecedor de hoje.
Eu não podia me dar ao luxo de cometer nenhum erro, e seria um erro monumental estender esse estranho desejo que ardia dentro de mim ao pensar em seus lábios.. sua pele.. seu corpo. Desejos que eu havia evitado por centenas de anos. Mas eu não podia me permitir de sequer pensar em tocá-la, porque era impossível.
Eu a quebraria.
Bella se afastou da porta com tanta pressa que ela poderia passar correndo pelo meu carro sem notá-lo.
E então ela parou bruscamente, seus joelhos travaram como se tivessem sido congelados. Sua mochila escorregou um pouco para o seu braço, e seus olhos se arregalaram quando o carro entrou em foco.
Eu saí, não tomando cuidado de me mover na velocidade humana, e abri a porta do passageiro para ela. Eu não tentaria mais enganá-la - quando estivéssemos sozinhos, por enquanto, eu seria eu mesmo.
Ela olhou para mim, assustada, como se ela tivesse me visto se materializar na névoa. E então a surpresa nos seus olhos mudou-se para algo a mais, e eu não estava mais com medo - ou esperançoso - que os sentimentos dela por mim houvessem mudado durante a noite. Calor, surpresa, fascinação.. tudo misturado no chocolate derretido que eram seus olhos.
“Quer uma carona comigo hoje?". Eu perguntei. Não era como o jantar de ontem à noite, eu a deixaria escolher. De agora em diante seria sempre a escolha dela.
“Sim, obrigada". Ela murmurou, subindo no meu carro sem nenhuma hesitação. Essa animação sempre me cercaria por saber que eu era o único para quem ela falava sim? Eu duvidava.
Eu dei a volta no carro, ansioso para me juntar a ela. Ela não demonstrou nenhum sinal de estar chocada com a minha reaparição repentina.
A felicidade que eu sentia por tê-la sentada perto de mim é algo que não tinha precedentes. Apesar do quanto eu gostava do amor e a companhia de minha família, e levando em conta todos os entretenimentos e as distrações que o mundo tem a oferecer, eu nunca havia ficado tão feliz assim. Mesmo sabendo que isso era errado e que não podia terminar bem, eu não conseguia tirar o sorriso do rosto.
Minha jaqueta estava pendurada no encosto do banco dela. E eu percebi que ela a olhava.
”Eu trouxe a jaqueta para você". Eu disse a ela. Essa era a minha desculpa, já que eu tinha de providenciar uma, para o meu convite inesperado nessa manhã. Estava frio e ela não tinha jaqueta. Certamente essa era uma desculpa aceitável para o meu cavalheirismo.
"Eu não sou tão delicada assim". Ela disse, preferindo encarar o meu peito ao meu rosto, parecia que estava evitando me encarar nos olhos. Mas ela vestiu a jaqueta antes que eu tivesse de pedir novamente ou persuadi-la.
"Não é?". Eu resmunguei pra mim mesmo.
Ela encarava a rua enquanto eu acelerava em direção a escola... Eu só consegui agüentar o silêncio por poucos segundos. Eu precisava saber o que ela estava pensando nessa manhã. Tanta coisa havia mudado entre nós desde a última vez que o sol estava alto no céu.
" O que é? Não tem umas vinte perguntas hoje?”. Eu perguntei, deixando claro novamente.
Ela sorriu, como se estivesse satisfeita que eu havia tocado no assunto. “As minhas perguntas te aborrecem?"
"Não tanto quanto suas reações". Eu falei a ela honestamente, sorrindo em resposta. Sua boca abriu-se um pouco. “Eu reajo tão mal assim?".
"Não, esse é o problema. Você leva as coisas com tanta frieza - é anormal". Nenhum havia ido tão longe. Como ela conseguia? "Isso me faz ficar imaginando o que você está pensando".
Claro, tudo o que ela fazia ou não gerava essa pergunta em mim.
" Eu sempre falo o que estou pensando".
" Você edita ".
Ela mordeu o seu lábio, novamente. Ela parecia não notar quando fazia isso - era uma resposta inconsciente à tensão. "Não muito".
"O bastante para me deixar louco". Eu disse.
Ela hesitou e então sussurrou. "Você não quer ouvir".
Eu precisei pensar por um tempo, vasculhei a nossa conversa inteira de ontem à noite, palavra por palavra, antes de fazer a conexão. Talvez isso tomasse tanta concentração porque eu não conseguia imaginar ela dizendo algo que eu não queria ouvir. E então - pelo fato de seu tom de voz ser o mesmo de ontem a noite; até mesmo a dor estava ali - eu lembrei. Uma vez, eu havia pedido a ela para não falar seus pensamentos. Nunca diga isso, eu provavelmente havia sido rude com ela. Eu a fiz chorar....
O que ela ocultava de mim? A intensidade de seus sentimentos? Que eu ser um monstro não a incomodava e que agora era muito tarde para mudar de idéia?
Eu não conseguia falar, porque a alegria e a dor eram muito fortes para serem expressas em palavras, e o conflito selvagem entre elas não me deixava formar uma resposta coerente. O carro estava silencioso, tirando o ritmo de seu coração e pulmões.
" Onde está o resto da sua família"? Ela perguntou de repente.
Eu respirei profundamente - e pela primeira vez o seu cheiro doeu realmente dentro de mim; Eu estava me acostumando a isso, percebi com satisfação - e forçando eu mesmo ser casual novamente.
" Eles pegaram o carro da Rosalie". Eu estacionei em um lugar próximo ao carro em questão. Eu escondi o meu sorriso quando vi os olhos de Bella se arregalando. ”Chamativo, não?".
"Hum.. Uau! Se ela tem isso, por que pega carona com você?"
"Como eu disse, é chamativo. Nós tentamos passar despercebidos".
"Vocês não estão se saindo muito bem". Ela me disse; e então soltou uma risada à vontade.
A tranqüilidade de sua risada aqueceu o buraco no meu peito mesmo que enchessem a minha cabeça de dúvidas.
"Então porque Rosalie veio dirigindo se isso é mais notável?" Ela perguntou.
"Você não percebeu? Eu estou quebrando todas as regras agora".
Minha resposta deveria ter a assustado - então, obviamente, Bella sorriu.
Bella não me esperou para abrir a sua porta, exatamente como na noite passada. E eu tinha de fingir que era normal aqui na escola - então, não podia me mexer rapidamente para conseguir evitar isso. Mas ela teria que se acostumar em ser tratada com mais cortesia, e se acostumaria logo.
Eu andei o mais próximo do que eu consegui, procurando cautelosamente um sinal de que a minha proximidade a chateava.
Duas vezes sua mão ficou tensa em minha direção e depois relaxou. Parecia que ela queria me tocar.. minha respiração acelerou.
"Por que vocês têm carros assim, se estão procurando por privacidade?" Ela perguntou enquanto andávamos.
"Uma indulgência". Eu admiti "Todos gostamos de dirigir rápido".
"Dá pra notar". Ela murmurou com tom azedo.
Ela não pareceu notar o meu sorriso largo como resposta. Não! Eu não acredito nisso! Como diabos Bella conseguiu acertar isso? Eu não entendo. Por quê? Os pensamentos de Jessica interromperam os meus. Ela estava esperando Bella na ponta da cafeteria embaixo do telhado, fugindo da chuva, com o casaco de Bella pendurado no braço. Seus olhos demonstrando a total incredulidade.
Bella a avistou também, um pouco depois. Suas bochechas coraram fracamente quando ela notou a expressão de Jessica. Os pensamentos dela estavam estampados em sua face. "Hey, Jessica. Obrigada por lembrar". Bella a cumprimentou. Ela alcançou a jaqueta e Jessica a deu prontamente.
Eu devia ser educado com os amigos de Bella, independente de serem bons ou não. "Bom dia, Jéssica".
Uau
Os olhos de Jéssica estalaram em minha direção. Era estranho e divertido.. e honestamente um pouco embaraçoso perceber o quanto ficar perto de Bella havia me mudado. Parecia que ninguém mais tinha medo de mim. Se Emmett soubesse disso provavelmente ficaria rindo até o próximo século.
"Er.. oi". Jessica murmurou e seus olhos voltaram para o rosto de Bella, cheios de significado. "Eu acho que te vejo em Trigonometria".
Você vai ter que falar. E eu não aceito não como resposta. Detalhes. Eu preciso saber os detalhes! Edward Louco CULLEN! A vida é injusta
A boca de Bella se contraiu. “É, eu te vejo lá".
Os pensamentos de Jessica corriam rapidamente, como a sua pressa para a primeira aula. Enquanto andava às vezes nos olhava por cima dos ombros.
A história completa! Eu não vou aceitar menos. Eles combinaram de se encontrar ontem à noite? Eles estão namorando? Há quanto tempo? Como ela consegue guardar esse segredo? Por que ela deveria? Não pode ser algo casual - tem de ser sério para eles. Eu vou descobrir. Não vou suportar não saber. Será que ela está saindo com ele? Oh.. vou desmaiar...
De repente, os pensamentos estavam desconexos... ela deixou as fantasias dominarem a sua mente. Eu estremeci com as especulações, e não era porque ela se colocava no lugar de Bella em suas imagens mentais.
Não podia ser assim. E ainda eu... eu queria.
Eu não me permiti admitir, mesmo que fosse para mim mesmo. De quantas maneiras erradas eu podia querer Bella? Em qual delas eu terminaria a matando?
Eu balancei a minha cabeça e tentei clarear a minha mente.
"O você vai dizer a ela?" Eu perguntei a Bella.
"Hey!" Ela sussurrou ferozmente. "Eu pensei que você não pudesse ler a minha mente!"
"Eu não posso". Eu a encarei surpreso, tentando encontrar o sentido em suas palavras. Ah - nós devemos ter pensado a mesma coisa ao mesmo tempo. Hmm.. eu realmente gostei disso."Tanto faz" Eu falei para ela. "Eu posso ler a dela - vai esperar para te emboscar na aula".
Bella grunhiu, e então deixou a jaqueta escorregar pelos seus ombros. No começo eu não havia percebido que ela estava me devolvendo - eu não havia pedido por isso. Esperava que ela a guardasse... - então eu estava lento demais para oferecer ajuda. Ela me entregou a jaqueta e colocou a sua própria, sem ver que as minhas mãos estavam estendidas e que eu a assistia. Congelei daquela forma, e então controlei minha expressão antes que ela percebesse.
"Então.. o que você vai contar a ela?" Eu pressionei.
"Uma pequena ajuda? O que ela quer saber?"
Eu sorri e balancei a cabeça. Eu queria ouvir o que ela estava ouvindo prontamente. "Isso não é justo".
Seus olhos se apertaram. "Não, você não está dividindo o que sabe - isso que é injusto". Certo - Ela gostava de direitos iguais.
Chegamos à porta da sala dela - onde eu tinha de deixá-la. Pensei comigo mesmo se Senhora Cope ficaria incomodada com uma mudança no meu horário das aulas de Inglês.. Eu tentei me focar. Eu podia ser justo.
"Ela quer saber se estamos namorando escondido". Eu falei lentamente. "E ela quer saber o que você sente sobre mim".
Seus olhos estavam um pouco arregalados - não parecia assustada, mas ingênua. Eles estavam abertos para mim, rendidos. Ela estava bancando a inocente.
"O que eu devo dizer?" Ela murmurou.
"Hm.." Ela sempre tentava me fazer revelar mais do que ela fazia. Eu pensei em como responder.
Uma caprichosa tira de seu cabelo umedeceu-se ligeiramente por culpa da névoa, caiu sobre o seu ombro onde a sua clavícula estava escondida pelo suéter ridículo. Eu fechei os meus olhos.. tentando esquecer as outras linhas que estavam escondidas.
Eu tirei a tira dali sem encostar na sua pele - a manhã já estava fria demais sem o meu toque - e a coloquei de volta em seu lugar no seu coque desarrumado onde ele não me distrairia. Eu lembrei quando Mike Newton havia tocado em seu cabelo e minha mandíbula se contraiu com a memória. Ela havia se afastado dele. Sua reação agora não era nada parecida; Em vez disso, havia um brilho diferente em seus olhos, o sangue corria rapidamente por baixo da pele, e o seu coração batia descompassado.
Eu tentei esconder o meu sorriso enquanto respondia a pergunta.
"Eu suponho que você possa responder sim a primeira pergunta.. se não se importar". Escolha dela. Sempre escolha dela. "- É mais fácil do que qualquer outra explicação".
"Eu não me importo" Ela sussurrou. Seu coração ainda não estava em seu ritmo normal.
"E para a outra pergunta..." Eu não consegui esconder o sorriso agora. "Bom, vou estar escutando para ouvir a sua resposta eu mesmo".
Deixe Bella considerar esta. Eu segurei a risada quando o choque atravessou o seu rosto.
Eu me virei rapidamente, antes que ela pudesse me perguntar por mais respostas. Eu tinha de me esforçar para não dar tudo o que ela pedia. E eu gostaria de ouvir os pensamentos dela e não os meus próprios.
"Te vejo no almoço". Eu a chamei sob os meus ombros, uma desculpa para checar se ela ainda me encarava com os olhos arregalados em choque. Sua boca estava ligeiramente aberta. Eu me virei e ri.
Enquanto eu me distanciava, eu estava vagamente consciente do choque e das especulações que me rodeavam - olhos que revezavam observando o rosto de Bella e eu. Eu prestei um pouco de atenção. Não conseguia me concentrar. Estava difícil o bastante manter os meus pés se mexendo numa velocidade aceitável enquanto eu atravessava o gramado em direção a minha aula. Eu queria correr - correr de verdade tão rápido que ia parecer que eu estava voando. Parte de mim já estava voando.
Eu vesti a jaqueta quando entrei na sala deixando a fragrância nadar ferozmente ao meu redor. Eu deveria queimar agora - deixar o cheiro me penetrar - e então seria mais fácil ignorá-lo mais tarde, quando eu estaria com ela novamente no almoço..
Era bom que os professores decidiram não me chamar. Hoje seria o dia em que eles me pegariam pela primeira vez despreparado e sem resposta. Minha mente estava em vários lugares essa manhã; apenas o meu corpo estava na sala de aula.
Claro que eu estava olhando Bella. Isso estava se tornando natural - tão automático quando respirar. Eu escutei a sua conversa com o desmoralizador Mike Newton. Ela rapidamente direcionou a conversa para Jessica, e eu sorri tão largamente que Rob Sawyer, o menino que se sentava à mesa do meu lado direito, mexeu-se visivelmente e foi mais pra ponta da cadeira, para longe de mim.
Uh! Assustador.
Bom, eu não havia perdido isso totalmente.
Eu também estava monitorando os pensamentos de Jessica, vendo-a montando as perguntas para Bella. Eu mal podia esperar pelo quarto período, dez tempos para a ansiedade e loucura da menina humana curiosa que queria a sua fofoca fresca.
E eu também estava escutando a Angela Weber.
Eu não havia me esquecido da gratidão que sentia por ela – por não pensar nada além de coisas boas de Bella em primeiro lugar, e depois por sua ajuda na noite passada. Então eu esperei durante a manhã, procurando por algo que ela quisesse. Eu assumi que fosse ser fácil; como qualquer outro humano, devia haver algum bibelô ou brinquedo que ela desejasse em particular. Vários, provavelmente. Eu lhe daria algo anonimamente e nos consideraria quites.
Mas Angela provou-se quase tão desacomodada com seus pensamentos quanto Bella. Ela era estranhamente contente para uma adolescente. Feliz. Talvez fosse este o motivo para sua bondade nada usual – ela era uma daquelas raras pessoas que tinham tudo o que queriam e queriam o que tinham. Quando não estava prestando a atenção aos seus professores e suas anotações, estava pensando nos pequenos irmãos caçulas, gêmeos, que ela levaria à praia neste final de semana – antecipando a excitação que eles sentiriam com um prazer quase maternal. Ela cuidava deles freqüentemente, mas não era ressentida deste fato... Era muito doce.
Mas nada que me ajudasse muito.
Devia haver algo que ela quisesse. Eu apenas teria que continuar procurando. Mas depois. Era a hora da aula de trigonometria de Bella com Jessica.
Eu não estava vendo por onde andava no caminho para minha aula de Inglês. Jessica já estava em sua carteira, os dois pés batendo impacientemente no chão enquanto ela esperava Bella chegar.
Eu, de modo oposto, assim que sentei na carteira demarcada a mim na classe fiquei completamente estático. Eu tinha que lembrar a mim mesmo de me mexer de vez em quando, como se estivesse impaciente. Para manter a farsa. Era difícil, com meus pensamentos tão focados nos de Jessica. Eu esperei que ela fosse prestar atenção, e realmente tentar ler as expressões de Bella para mim.
Jessica começou a bater os pés mais intensamente quando Bella entrou na sala.
Ela parece... abatida. Por quê? Talvez não esteja acontecendo nada entre ela e Edward Cullen. Isso seria um desapontamento. Exceto que... então ele ainda está disponível... se de repente ele passou a ter interesse em sair com garotas, eu não me importaria em ajudá-lo com isso...
O rosto de Bella não parecia abatido, parecia relutante. Ela estava preocupada – ela sabia que eu ouviria toda a conversa, eu sorri para mim mesmo.
“Me conte tudo!”, Jess exigiu enquanto Bella ainda estava tirando a jaqueta para pendurá-la no encosto da cadeira. Ela se movia deliberadamente, sem vontade.
Ugh, ela é tão lerda. Quero chegar logo na parte boa!
“O que você quer saber?”
, Bella a freou enquanto sentava.
”O que aconteceu na noite passada?”
”Ele me pagou um jantar, e depois me levou para casa”
E depois? Vamos lá, tem que haver mais do que isso! Ela está mentindo, eu sei disso. Vou arrancar isso dela.
“Como você chegou em casa tão rápido?

Eu vi Bella rolar os olhos para a suspeita de Jéssica.
”Ele dirige como um maníaco. Foi assustador”.
Ela deu um sorrisinho, e eu gargalhei alto, interrompendo os avisos que o Sr. Mason estava dando. Tentei transformar a risada numa tossida, mas não consegui enganar a ninguém. O Sr. Mason me disparou um olhar irritado, mas nem me incomodei em escutar os pensamentos por trás dele. Estava ouvindo Jessica.
Huh. Ela parece estar realmente dizendo a verdade. Por que ela está me fazendo arrancar isso dela, palavra por palavra? Eu estaria me gabando a plenos pulmões, se fosse comigo.
“Mas foi tipo um encontro – você pediu pra ele te encontrar ali?”
Jessica assistiu o rosto de Bella ficar surpreso, e ficou desapontada por essa expressão parecer genuína.
Não – eu fiquei muito surpresa de vê-lo ALi”, Bella lhe disse.
O que está acontecendo aqui?? “Mas ele te pegou em casa para vir para a aula hoje?”. Tem que haver mais história.
“Sim – isso foi uma surpresa, também. Ele percebeu que eu não tinha um casaco ontem a noite”.
Isso não é tão divertido,
Jessica pensou, novamente desapontada.
Eu estava cansado da sua linha de questionamento – queria ouvir algo que já não soubesse. Torci para que ela não estivesse tão frustrada a ponto de pular as questões pelas quais eu aguardava.
”Então vocês vão sair de novo?”, demandou Jessica.
”Ele se ofereceu para me levar a Seattle sábado porque ele acha que minha picape não agüentaria – isso conta?”
Hmm. Com certeza ele vai sair de sua rota para... bom, cuidar dela, mais ou menos. Deve existir alguma coisa por parte dele, se não há por parte dela. Como pode ISSO ser possível? Bella é maluca.

“Sim”, Jessica respondeu a pergunta de Bella.
”Bom, então...”, concluiu Bella, “sim". “Uau... Edward Cullen”. Ela gostando dele ou não, isso é grande.
“Eu sei”, Bella suspirou.
Seu tom fez Jessica encorajar-se. Finalmente – ela soa como se entendesse! Ela deve perceber...
“Espere!”,
disse Jessica, subitamente lembrando de sua dúvida mais vital. “Ele te beijou?”. Por favor diga que sim. E depois descreva cada segundo!
“Não”
, Bella resmungou, e olhou para baixo para suas mãos, o rosto caindo. ”Não é bem assim”.
Droga. Bem que eu quis... Ha. Parece que ela quer também.
Eu franzi a testa. Bella parecia realmente chateada com algo, mas não podia ser desapontamento como assumia Jéssica. Ela não podia querer estar tão perto assim dos meus dentes. Pelo que ela sabia, eu tinha presas.
Eu tive um calafrio.
“Você acha que sábado...?”, provocou Jéssica.
Bella parecia ainda mais frustrada quando disse, ”Eu realmente duvido”.
É, ela realmente quer. E isso é uma droga pra ela.

Será que era por eu estar assistindo tudo isso pelo filtro das percepções de Jéssica que parecia que ela tinha razão?
Por um instante eu fui distraído pela idéia, a impossibilidade, do que seria eu tentar beijá-la. Meus lábios nos lábios dela, pedra fria na pele quente e macia...
E então ela morre.
Eu balancei a cabeça, negando, e me fiz prestar atenção.
“Sobre o que vocês conversaram?” Você falou com ele, ou ficou esperando ele arrancar cada pingo de informação da sua boca desse jeito?
Eu sorri com remorso. Jéssica não estava tão errada assim.
”Eu não sei, Jess, um monte de coisas. Nós falamos sobre o trabalho de Inglês um pouco”.
Bem pouco. Meu sorriso se alargou.
Oh, TÁ BOM. “Por favor, Bella! Me dê mais detalhes.”
Bella pensou por um momento.
”Bem... ok, eu tenho um. Você devia ver a garçonete flertando com ele – foi descarado. Mas ele simplesmente não prestou atenção nela.
Que detalhe estranho de se compartilhar. Eu estava surpreso por Bella haver sequer reparado. Pareceu uma coisa tão banal.
Interessante... “Isso é um bom sinal. Ela era bonita?
Hmm. Jessica achou mais importante do que eu. Deve ser uma coisa feminina.
Bastante””E provavelmente tinha dezenove ou vinte anos”.
Jessica foi momentaneamente distraída por uma lembrança de Mike no encontro que eles haviam tido na segunda à noite – Mike sendo um pouco amigável demais com uma garçonete que Jéssica nem havia achado bonita. Ela espantou a memória e voltou, sufocando sua irritação, a perguntar por detalhes.
”Melhor ainda. Ele deve gostar de você”. “Eu acho que sim”, disse Bella lentamente, e eu estava na ponta da cadeira, meu corpo rigidamente parado. “Mas é difícil dizer. Ele é sempre tão enigmático”.
Eu não devia ter sido tão transparentemente óbvio e descontrolado quanto havia pensado. Ainda assim... atenta como ela era... como ela podia não perceber que eu estava apaixonado por ela? Eu filtrei nossas conversas, quase surpreso por não ter dito as palavras em voz alta. Parecia que este fato havia sido o assunto de cada palavra trocada por nós.
Uau. Como você fica sentada ali ao lado de um modelo e ainda tem assunto para conversar? “Eu não sei como você tem coragem o bastante para ficar sozinha com ele”, disse Jessica.
A expressão de Bella ficou chocada. “Por quê?”
Que reação estranha. O que ela acha que eu quis dizer? “Ele é tão...” Qual a palavra certa? “Intimidador. Eu não saberia o que dizer pra ele”. Eu nem consegui falar português com ele hoje, e tudo o que ele estava dizendo era bom dia. Eu devo ter soado como uma idiota.
Bella sorriu. “Eu tenho sim alguns problemas de incoerência quando estou perto dele”.
Ela devia estar tentando fazer Jéssica sentir-se melhor. Seu auto-controle quando estávamos juntos era fora do comum.
“Hmm, bom”, Jessica suspirou. “Ele é incrivelmente lindo”.
O rosto de Bella subitamente esfriou. Seus olhos brilharam da mesma maneira que faziam quando ela presenciava alguma injustiça. Jéssica não percebeu a mudança em sua expressão.
“Há muito mais coisas a respeito dele do que isso”, disse Bella abruptamente.
Oooh. Agora estamos chegando a algum lugar. “Verdade? Como o quê?”
Bella mastigou o lábio por um momento. ”Eu não consigo explicar direito”, ela finalmente disse. ”Mas ele é ainda mais inacreditável por trás daquele rosto”.Ela desviou o olhar de Jessica, seus olhos levemente fora de foco como se ela estivesse visualizando uma coisa muito distante.
A maneira como eu me sentia agora lembrava um pouco como eu me sentia quando Carlisle ou Esme me avaliavam além do que eu merecia. Similar, mas mais intenso, mais ardente.
Vá falar besteiras para outra pessoa – não há nada melhor do que aquele rosto! A não ser que seja o seu corpo. Desmaia. “Isso é possível?”, Jessica dava risadinhas.
Bella não se virou. Ela continuou a olhar para longe, ignorando Jessica.
Uma pessoa normal estaria se gabando. Talvez se eu facilitar as perguntas. Ha ha. Como se eu estivesse falando com uma criancinha. “Você gosta dele, então?”
Eu estava rígido de novo.
Bella não olhou para Jessica. ”Sim”.
“Quero dizer, você realmente gosta dele?”
“Sim”.
Olha como ela corou!

Eu estava.
“O quanto você gosta dele?”, Jéssica exigiu.
A sala de Inglês podia ter se incendiado e eu não teria percebido.
O rosto de Bella estava vermelho vivo agora – eu podia quase sentir o calor através da imagem mental.
“Demais”, ela suspirou. ”Mais do que ele gosta de mim. Mas não vejo como poderia mudar isso”. Droga! O que o Sr. Varner perguntou? “Um – qual número, Sr. Varner?”
Era bom que Jessica não pudesse mais interrogar Bella. Eu precisava de um minuto. O que diabos esta garota estava pensando agora? Mais do que ele gosta de mim? De onde ela tirou essa? Mas não vejo como poderia mudar isso? O que isso deveria querer dizer? Eu não conseguia encontrar uma explicação racional para aquelas palavras. Elas eram praticamente sem sentido.
Parecia que eu não podia achar que nada estava garantido. Coisas óbvias, coisas que faziam total sentido, de alguma forma eram distorcidas e viradas ao avesso no cérebro bizarro dela. Mais do que ele gosta de mim? Talvez eu ainda não devesse desconsiderar a idéia de um tratamento psicológico.
Eu fuzilei o relógio, rangendo os dentes. Como era possível meros minutos parecerem tão impossivelmente longos para um imortal? Onde estava minha perspectiva?
Meu maxilar estava travado durante toda a lição de trigonometria que o Sr. Varner estava ensinando. Eu a ouvi mais do que o que estava sendo ensinado na minha própria classe. Bella e Jessica não falaram mais, mas Jessica lançou vários olhares na direção de Bella, cujo rosto ficou vermelho vivo de novo sem razão aparente.
A hora do almoço não chegaria rápido o suficiente.
Eu não tinha certeza se Jéssica obteria algumas das respostas que eu estava esperando quando a aula acabou, mas Bella foi mais rápida.
Assim que tocou o sino, ela virou-se para Jéssica.
”Na aula de Inglês, Mike perguntou se você havia dito alguma coisa sobre segunda à noite”, Bella disse, com um sorriso despontando no canto de seus lábios. Eu entendi o que era isso – o ataque era a melhor defesa.
Mike perguntou de mim? A alegria deixou a mente de Jéssica subitamente desprotegida, mais leve, sem a malícia usual. “Você tá de brincadeira! O que você disse?”
“Eu disse que você falou que se divertiu muito – e ele pareceu gostar”.
“Me conte exatamente o que ele disse, e exatamente o que você respondeu!”

Claramente, aquilo seria tudo o que eu conseguiria arrancar de Jessica hoje. Bella estava sorrindo como se pensasse o mesmo. Como se tivesse vencido a batalha.
Bem, o almoço seria outra história. Eu teria mais sucesso em conseguir as respostas que Jessica, e me certificaria disso.
Eu mal pude suportar checar ocasionalmente os pensamentos de Jessica durante o quarto período. Eu não tinha paciência por seus pensamentos obsessivos com Mike Newton. Eu já havia tido o suficiente dele nas últimas duas semanas. Ele tinha sorte de estar vivo.
Eu me movi sem vontade alguma durante a aula de educação física com Alice, da maneira que eu sempre fazia quando se tratava de atividades físicas com humanos. Ela era minha parceira de time, naturalmente. Era o primeiro dia de badminton. Eu suspirei com o tédio, fazendo um movimento em câmera lenta com a raquete para rebater a peteca de volta para a outra quadra. Lauren Mallory estava no time adversário; ela não conseguiu acertar. Alice estava revirando sua raquete como se fosse um taco, olhando para o teto.
Nós todos odiávamos educação física, Emmett em especial. Jogos de arremesso eram uma afronta à sua filosofia de vida. A aula parecia hoje pior que o usual – eu me sentia tão irritado quanto Emmett sempre se sentia.
Antes que minha cabeça pudesse explodir de impaciência, o treinador Clapp encerrou os jogos e nos dispensou mais cedo. Eu estava ridiculamente grato por ele ter pulado o café-da-manhã – uma tentativa recente de começar uma dieta – e a fome o deixou com pressa de deixar o campus para encontrar algum lanche gorduroso. Ele prometeu a si mesmo que começaria de novo amanhã...
Isso me deu tempo suficiente para chegar ao prédio de Matemática antes que a aula de Bella terminasse.
Divirta-se, Alice pensou enquanto seguia para encontrar Jasper. Apenas mais alguns dias de paciência. Eu suponho que você não vai dar um oi a Bella por mim, vai?
Eu balancei a cabeça, exasperado. Seriam todos os videntes tão convencidos?
Para sua informação, vai estar ensolarado por toda parte neste fim de semana. Você pode querer refazer seus planos.
Eu suspirei conforme segui na direção oposta. Convencidos, porém úteis.
Eu me encostei na parede perto da porta, esperando. Estava próximo o suficiente para ouvir a voz de Jessica através dos tijolos tão bem quanto seus pensamentos.
“Você não vai sentar com a gente hoje, vai?”. Ela parece toda... iluminada. Aposto que há uma tonelada de coisas que não me contou
. “Eu acho que não”, Bella respondeu, estranhamente incerta.
Eu não havia prometido que passaria o almoço com ela? O que ela estava pensando?
Elas saíram da classe juntas, e ambas arregalaram os olhos quando me viram. Mas eu só consegui ouvir a Jessica.
Legal. Uau. Ah, sim, há mais coisas acontecendo aqui do que ela me contou. Talvez eu possa ligar para ela hoje a noite... ou talvez não devesse encorajá-la. Huh. Eu espero que ele passe por ela com pressa. Mike é bonitinho mas... uau.
“Te vejo mais tarde, Bella”.
Bella caminhou na minha direção, parando a um passo de distância, ainda incerta. Sua pele estava rosa sobre as bochechas.
Eu a conhecia bem o bastante para ter certeza que não havia medo por trás de sua hesitação. Aparentemente, isso era devido a algum abismo que ela imaginava existir entre os seus sentimentos e os meus. Mais do que ele gosta de mim. Absurdo!
“Olá”, eu disse, minha voz um pouco rude.
Sua expressão se iluminou. “Oi”.
Ela não parecia inclinada a dizer qualquer outra coisa, então eu fiz o caminho até o refeitório e ela seguiu atrás de mim.
A jaqueta havia funcionado – seu cheiro não foi o golpe que costumava ser. Ele apenas intensificou a dor que eu já sentia. Eu podia ignorá-lo mais facilmente do que jamais teria pensado que fosse possível.
Bella estava inquieta enquanto esperávamos na fila, brincando distraída com o zíper de sua jaqueta e nervosamente mudando o apoio de um pé para o outro. Ela me olhava freqüentemente, mas sempre que encontrava meu olhar, olhava para baixo como se estivesse envergonhada. Seria porque tantas pessoas estavam nos encarando? Talvez ela pudesse ouvir os sussurros altos – a fofoca hoje era tão verbal quanto era mental.
Ou talvez ela percebesse, pela minha expressão, que estava encrencada.
Ela não disse nada até eu começar a pegar seu almoço. Eu não sabia do que ela gostava – ainda – então peguei um de cada coisa.
“O que você está fazendo?”, ela sibilou numa voz baixa. “Você não está pegando tudo isso para mim?”
Eu balancei a cabeça, e empurrei a bandeja na direção do caixa. “Metade é para mim, claro”.
Ela levantou uma sobrancelha, cética, mas não disse mais nada enquanto eu pagava pela comida e a escoltava até a mesa em que havíamos sentado na semana passada, antes de sua desastrosa experiência com tipagem sangüínea. Parecia fazer muito mais do que alguns dias. Tudo era diferente agora.
Ela sentou de frente a mim novamente. Eu empurrei a bandeja em sua direção.
“Pegue o que quiser”, encorajei-a.
Ela pegou uma maçã e ficou virando-a em suas mãos, uma aparência especulativa em seu rosto.
“Estou curiosa”.
Que surpresa.
“O que você faria se alguém te desafiasse a comer comida?”, ela continuou numa voz que não seria audível para os ouvidos humanos. Ouvidos de imortais eram outra história, se estes ouvidos estivessem prestando atenção. Eu provavelmente deveria ter mencionado algo para eles hoje mais cedo...
“Você está sempre curiosa”, eu reclamei. Oh bem. Não era como se eu não tivesse tido que comer antes. Era parte da farsa. Uma parte desagradável.
Eu peguei a coisa mais próxima, e encarei seus olhos enquanto mordia um pequeno pedaço do que quer que fosse. Sem olhar, eu não poderia distinguir. Era viscoso e empelotado e repulsivo como qualquer outra comida humana. Eu mastiguei rapidamente e engoli, tentando não fazer cara feia. A gosma de comida se moveu lenta e desconfortavelmente por minha garganta abaixo. Eu suspirei enquanto pensava de como teria que segurá-la para impedir que voltasse. Nojento.
A expressão de Bella estava chocada. Impressionada.
Eu queria rolar os olhos. Claro que teríamos que ter dominado tais enganações.
“Se alguém te desafiasse a comer terra, você não conseguiria?”
Seu nariz se enrugou e ela sorriu. “Eu comi uma vez... em uma aposta. Não foi tão ruim”.
Eu ri. “Acho que não estou surpreso”.
Eles parecem íntimos, não parecem? Boa linguagem corporal. Vou avisar a Bella mais tarde. Ele está se inclinando na direção dela bem como deveria se estivesse interessado. Ele parece interessado. Ele parece... perfeito. Jessica suspirou. Yum.
Eu encontrei os olhos curiosos de Jessica, e ela os desviou nervosamente, dando risinhos para a garota ao lado dela.
Hmmm. Provavelmente melhor me manter em Mike. Realidade, não fantasia... “Jessica está analisando tudo o que faço”, eu informei a Bella. “Ela vai destrinchar tudo para você mais tarde”.
Eu empurrei o prato de comida de volta para sua direção – pizza, percebi – imaginando como seria melhor começar. Minha antiga frustração se reascendeu conforme suas palavras se repetiram em minha mente: Mais do que ele gosta de mim. Mas não vejo como poderia mudar isso.
Ela deu uma mordida no mesmo pedaço de pizza. Me maravilhava o quanto ela confiava em mim. Claro, ela não sabia que eu era venenoso – não que dividir a comida fosse machucá-la. Ainda assim, eu esperaria que ela fosse me tratar diferente. Com distinção. Ela nunca o fez – pelo menos, não de um jeito negativo...
Eu começaria gentilmente.
“Então, a garçonete era bonita, era?”
Ela levantou uma sobrancelha novamente. “Você realmente não reparou?”
Como se qualquer mulher pudesse esperar tirar minha atenção de Bella. Absurdo, de novo.
“Não. Eu não estava prestando atenção. Eu tinha muitas coisas na cabeça”. E uma fração não muito pequena dessas coisas havia sido a forma como sua blusa colava suavemente ao seu corpo...
Ainda bem que ela havia vestido aquele suéter feio hoje.
“Pobre garota”, Bella disse, sorrindo.
Ela gostava do fato de que eu não havia achado a garçonete interessante de nenhuma forma. Eu podia entender isso. Quantas vezes eu havia me imaginado aleijando Mike Newton na aula de Biologia?
Ela não podia realmente acreditar que seus sentimentos humanos, fruto de dezessete curtos anos mortais, poderiam ser mais fortes que as paixões imortais que haviam estado guardadas em mim por um século.
“Algo que você disse a Jessica...”. Eu não consegui manter minha voz casual. “Bom, me incomodou”.
Ela ficou imediatamente na defensiva. “Não estou surpresa por você ter ouvido algo de que não gostou. Você sabe o que dizem sobre pessoas que escutam a conversa dos outros”.
Que elas nunca ouviam coisas boas sobre si mesmas, era este o ditado.
“Eu te avisei que estaria escutando”, recordei-a.
“E eu te avisei de que você não queria saber de tudo o que eu estava pensando”.
Ah, ela estava pensando em quando eu a havia feito chorar. O remorso fez minha voz ficar mais grossa. “Você avisou. Mas você não está totalmente certa. Eu quero saber o que você está pensando – todas as coisas. Eu só queria... que você não estivesse pensando em determinadas coisas”.
Mais meias-mentiras. Eu sabia que não deveria querer que ela gostasse de mim. Mas eu queria. Claro que eu queria.
“É uma bela distinção”, ela reclamou, fechando a cara para mim.
“Mas não é bem disso que eu estou falando agora”.
“Então o que é?”
Ela se inclinou na minha direção, sua mão levemente curvada ao redor da garganta. Isso captou meu olho – me distraiu. Como aquela pele devia ser macia...
Foco, eu comandei a mim mesmo.
“Você realmente acredita que gosta mais de mim do que eu de você?”, eu perguntei. A questão soava ridícula para mim, como se as palavras estivessem desorganizadas.
Seus olhos se arregalaram, e sua respiração parou. Então ela olhou para longe, piscando rapidamente. Sua respiração veio numa tragada baixa.
“Você está fazendo de novo”, ela murmurou.
“O quê?”
“Me deslumbrando”, ela admitiu, encontrando meus olhos cautelosamente.
"Oh" Hm.. Eu não estava certo do que fazer a respeito disso. Eu não tinha certeza se eu não queria deslumbrá-la. Eu estava em êxtase de saber que eu podia. Mas isso não estava ajudando no progresso da conversa.
"Não é sua culpa" Ela suspirou. "Você não pode fazer nada".
"Você vai responder a minha pergunta?" Eu exigi.
Ela encarou a mesa "Sim".
Isso foi tudo o que ela disse.
"Sim você vai responder, ou sim você realmente pensa isso?" Eu perguntei impaciente.
"Sim, eu realmente penso isso". Ela não me olhava. Havia um leve tom de tristeza em sua voz. Ela corou novamente, e seu dente moveu-se inconscientemente para morder o seu lábio.
Bruscamente, eu percebi que isso era muito difícil para ela admitir porque era o que ela realmente acreditava. E eu não era melhor do que o covarde do Mike, a fazendo declarar os seus sentimentos antes de eu mesmo o fazer.Eu não me importei com o que senti, apenas deveria fazer o meu lado ficar completamente evidente. Eu ainda não havia feito a conexão para ela, então eu não tinha desculpas.
"Você está errada" Eu prometi. Ela tinha de ouvir a ternura na minha voz.
Ela olhou para mim, seus olhos opacos, não deixando nada passar. "Você não tem como saber". Ela sussurrou.
Ela pensou que eu estava superestimando o seus sentimentos porque não podia ouvir os seus pensamentos. Mas, na verdade, o problema era que ela estava superestimando os meus.
"O que faz você pensar isso?" E pensei alto.
Ela me encarou novamente e pela milionésima vez eu desejei desesperadamente poder ouvir os seus pensamentos.
Eu estava a ponto de implorá-la para me contar com que pensamento ela estava lutando, mas ela levantou o dedo para me impedir de falar.
"Deixe-me pensar" Ela pediu.
Ela só estava reorganizando os seus pensamentos, eu podia ser paciente.
Ou fingir que podia ser.
Ela juntou as suas mãos, enrolando e desenrolando os seus dedos. Ela olhava para suas mãos como se elas pertencessem a outra pessoa, enquanto falava.
"Bom, tirando que é óbvio". Ela murmurou. “Às vezes.. não tenho certeza - eu não sei como ler mentes - mas às vezes parece que você está tentando dizer adeus, quando está dizendo outra coisa qualquer". Ela não me olhou.
Ela pegou isso, não pegou? Ela percebeu que na realidade a única coisa que me prende aqui é a minha fraqueza e egoísmo? Ela pensa menos de mim por isso?
"Perceptiva" Eu respirei e vi o horror que tomou conta de seu rosto. Eu estava com pressa para contradizê-la. "E é exatamente por isso que você está errada, embora.." Eu comecei e então parei ao lembrar as palavras dela no começo da explicação. Elas me surpreenderam, mas eu não as entendi direito. "O que você quer dizer com "é óbvio" ? "Bom, olhe para mim" Ela disse.
Eu estava olhando. Eu sempre estava olhando. O que isso queria dizer?
"Eu sou tão comum" Ela explicou."Bom, exceto pelas coisas ruins como todas as experiências de quase-morte e sendo tão desajeitada que sou quase deficiente. “E agora olha para você...” Com um movimento ela ventilou o ar em minha direção, como tentasse mostrar o quanto aquilo era óbvio.
Ela pensava que era comum?Ela pensava que eu era de alguma forma melhor do que ela? Nessa estimativa? Tola, mente pequena, humana cega como Jessica ou Senhor Cope? Como ela não conseguia perceber que era o humano mais lindo.. mais requintado. Essas palavras não eram boas o suficiente.
E ela não tinha a mínima idéia.
" Você não se vê claramente, sabia?" Eu falei para ela. "Eu admito você está certa sobre as coisas ruins..." Eu ri com humor. Eu não conseguia encontrar o fato ruim que caçava o cômico. Desajeitada, de qualquer jeito era um pouco engraçado. Simpático. Ela acreditaria se eu a contasse que ela era bonita por dentro e por fora? Talvez ela achasse confirmações mais persuasivas. "Mas você não estava ouvindo o que cada humano masculino estava pensando sobre você no primeiro dia".
Ah, a esperança, excitação, a ansiedade desses pensamentos. A velocidade com que eles se tornaram fantasias impossíveis. Impossível, porque ela não os queria.
Eu era o único para quem ela falava sim.
Meu sorriso deve ter sido de vencedor.
Seu rosto estava branco de surpresa. "Eu não acredito nisso" Ela resmungou.
"Acredite em mim pelo menos dessa vez - você é o oposto de comum".
Sua existência era uma desculpa suficiente para a justificativa da criação do mundo inteiro.
Ela não estava acostumada com elogios, como pude perceber. Outra coisa que ela devia se acostumar, também. Ela corou, e então mudou de assunto. "Mas eu não estou dizendo adeus".
"Você não vê? Isso é o que prova que eu estou certo. Eu me importo mais, se eu não posso fazer isso..- " Será que eu não seria egoísta o bastante para fazer o certo? Eu balancei a cabeça em disparato. Ela merecia uma vida. Não o que Alice havia visto o que a esperava. "Se te deixar é fazer a coisa certa.." E tinha que ser a coisa certa, não era? Não havia anjo imprudente. Bella não me pertencia. "Então eu machucaria a mim mesmo para evitar que você se machucasse, para mantê-la segura".
Quando eu disse as palavras, eu desejei que elas fossem verdade.
Ela me lançou um olhar furioso, algo que eu havia falado havia a irritado. "Você não acha que eu faria o mesmo?".Ela exigiu furiosamente.
Tão furiosa- tão macia e tão frágil. Como ela poderia alguma vez machucar alguém? "Você nunca teve que fazer a escolha" Eu disse a ela, percebendo quantas diferenças havia entre nós.
Ela me encarou, preocupada em substituir a raiva em seus olhos e os franzindo um pouco.
Havia algo verdadeiramente errado no universo se alguém tão bom e tão quebrável não merecesse um anjo guardião para livrá-la dos problemas.
Bom, eu pensei com o meu humor negro. Eu sorri. Como eu amei a minha desculpa para falar. "É claro que mantê-la viva é o meu trabalho integral e requer a minha presença constante".
Ela sorriu também. "Ninguém tentou me matar hoje" Ela disse alegremente e então sua expressão ficou especulativa por alguns segundos e depois se tornou opaca novamente.
"Ainda". Eu adicionei secamente.
"Ainda" Ela concordou, para a minha surpresa. Eu esperava que ela negasse qualquer tipo de proteção.
Como ele pôde? Aquele egoísta idiota! Como ele pode fazer isso com a gente? Os resmungos mentais de Rosalie quebraram a minha concentração.
"Calma, Rose" Eu escutei o sussurro de Emmett atravessando a cafeteria. Seus braços estavam em volta dos ombros dela, a segurando fortemente do seu lado - a detendo.
Desculpa, Edward. Alice pensou se sentindo culpada. Ela pode contar que Bella sabe demais a partir de sua conversa.. e bom, isso teria sido pior se eu não tivesse contado a ela longe de casa. Acredite em mim.
Eu observei a imagem mental que apareceu em seguida, o que aconteceria se eu contasse a Rosalie que Bella sabia que eu era um vampiro, em casa, onde ela não tinha que manter uma fachada. Eu teria que esconder o meu Aston Martin em algum lugar fora do estado se ela não se acalmasse antes de a escola terminar. A vista do meu carro preferido, mutilado e queimado, era entristecedora - embora eu soubesse que merecia.
Jasper não estava mais feliz do que Rosalie.
Eu lidaria com eles mais tarde.Eu tinha tão pouco tempo para partilhar com Bella e eu não ia desperdiçá-lo. E ouvir Alice havia feito eu me lembrar que tinha alguns negócios para tratar.
"Eu tenho outra pergunta para você" Eu disse, ignorando as histerias mentais de Rosalie.
"Manda".Bella disse, sorrindo.
"Você realmente tem de ir a Seattle esse sábado ou é apenas uma desculpa para dizer não a todo os seus admiradores?".
Ela fez uma careta para mim."Você sabe, eu ainda não te perdoei pelo o lance do Taylor. É por sua culpa que ele fica se iludindo achando que eu vou ao Baile de final de ano com ele".
"Oh, ele teria achado uma chance de te convidar sem a minha ajuda - eu só queria ver a sua cara".
Eu ri agora, me lembrando de sua expressão horrorizada. Nada que eu havia contado a ela sobre a minha própria história sombria havia a feito ficar tão aterrorizada.
A verdade não a assustava. Ela queria ficar comigo.
"Se eu te perguntasse você teria me dispensado?"
"Provavelmente não" Ela disse. "Mas eu cancelaria depois - dizendo que estava doente ou que tinha torcido o tornozelo".
Que estranho. "Por que você faria isso?"
Ela balançou a sua mão, como se estivesse desapontada que eu não tivesse entendido de primeira. "Eu acho que você nunca me viu na aula de Educação Física, mas se você tivesse visto entenderia".
Ah. "Você está se referindo ao fato que não consegue andar em uma superfície plana e estável sem encontrar nada pra tropeçar?".
"Obviamente".
"Isso não seria o problema. Tudo depende de quem conduz".
Por uma fração de segundo, eu fui dominado pela idéia de segurá-la em meus braços num baile – onde certamente ela estaria vestindo algo bonito e delicado ao invés deste suéter horrível.
Com perfeita clareza, eu me lembrei de como foi sentir seu corpo sob o meu depois que eu a empurrei do caminho da van que se aproximava. Mais forte que o pânico ou que o desespero ou que a frustração, eu podia me lembrar desta sensação. Ela era tão quente e tão macia, encaixando-se facilmente na minha forma de pedra...
Eu me forcei a retornar da lembrança.
“Mas você nunca me disse –”, falei rapidamente, para evitar que ela argumentasse comigo sobre como era desajeitada, como ela claramente pretendia fazer. “Você está decidida a ir a Seattle, ou se importa se nós fizermos algo diferente?”
Tortuoso – dando-lhe a opção de escolher sem lhe dar a opção de escapar de passar o dia comigo. Justo o bastante da minha parte. Mas eu lhe havia feito uma promessa na noite passada... e eu gostava da idéia de cumpri-la – tanto quanto esta idéia me horrorizava.
O sol estaria brilhando no Sábado. Eu poderia mostrar-lhe meu verdadeiro eu, se fosse corajoso o suficiente para encarar seu horror e seu asco. Eu conhecia o lugar simplesmente ideal para correr tal risco...
“Estou aberta a alternativas”, disse Bella. “Mas eu gostaria de pedir um favor”.
Um sim condicionado. O que ela iria querer de mim?
“O quê?”
“Posso dirigir?” Era esta sua idéia de humor? “Por quê?”
“Bem, principalmente porque quando eu contei a Charlie que iria a Seattle, ele especificamente perguntou se eu estava indo sozinha e, até então, eu estava. Se ele perguntasse de novo, eu provavelmente não iria mentir, mas eu não acho que ele vá perguntar de novo, e deixar minha picape em casa apenas levantaria o assunto desnecessariamente... E também, porque a maneira como você dirige me assusta”. Eu rolei os olhos. “De todas as coisas as coisas em mim que poderiam assustá-la, você se preocupa sobre como eu dirijo“. Era verdade, seu cérebro trabalhava de trás para frente. Eu balancei a cabeça, desgostoso.
Edward, Alice chamou com urgência.
De repente, eu estava vendo um claro círculo de luz do sol, captado em uma das visões de Alice.
Era um lugar que eu conhecia bem, o lugar a que havia acabado de considerar levar Bella – uma pequena clareira aonde ninguém ia além de mim. Um lugar bonito e silencioso onde eu podia esperar que fosse estar sozinho – longe o bastante de qualquer trilha ou habitação humana para que até a minha mente pudesse ter paz e silêncio.
Alice reconheceu-a também, porque ela havia me visto ali não fazia tanto tempo assim, em outra visão – uma daquelas oscilantes e indistintas visões que Alice havia me mostrado na manhã em que salvei Bella da van.
Naquela visão oscilante, eu não estava sozinho. E agora estava claro – Bella estava lá comigo. Então eu era corajoso o suficiente. Ela me encarava, um arco-íris dançando pelo seu rosto, seus olhos indecifráveis.
É o mesmo lugar, Alice pensou, sua mente cheia de um horror que não combinava com a imagem. Tensão, talvez, mas horror? O que ela queria dizer, o mesmo lugar?
E então eu vi.
Edward!, protestou Alice num tom agudo. Eu a amo, Edward!
Eu a tirei de sintonia ferozmente.
Ela não amava Bella da maneira como eu amava. Sua visão era impossível. Errada. Ela estava de alguma forma cega, vendo coisas impossíveis.
Nem meio segundo havia passado. Bella ainda estava olhando curiosamente para o meu rosto, esperando que eu concordasse com seu pedido. Teria ela visto a onda de medo, ou havia sido rápido demais para ela?
Eu me foquei nela, em nossa conversa inacabada, empurrando Alice e suas visões falhas e mentirosas para longe de meus pensamentos. Eles não mereciam minha atenção.
Mas eu não fui capaz de manter o tom brincalhão de nossas provocações.
“Você não quer contar para o seu pai que vai passar o dia comigo?”, perguntei, minha voz ficando sombria.
Eu espantei as visões novamente, tentando empurrá-las para mais longe, evitar que elas oscilassem na minha cabeça.
“Com Charlie, menos é sempre mais”, disse Bella, com segurança. “Onde nós vamos, de qualquer forma?”
Alice estava errada. Mortalmente errada. Não havia chance de aquilo acontecer. E era apenas uma visão antiga, que já não valia mais. As coisas haviam mudado.
“O tempo vai estar bom”, eu lhe disse lentamente, lutando contra o pânico e a indecisão. Alice estava errada. Eu continuaria como se não tivesse ouvido ou visto nada. “Então eu vou evitar os olhos públicos... e você pode ficar comigo, se quiser”.
Bella entendeu o significado imediatamente; seus olhos estavam brilhantes e ansiosos. “E você vai me mostrar o que quis dizer, sobre o sol?”
Talvez, como tantas vezes antes, sua reação fosse ser o oposto do que eu esperava. Eu sorri com a possibilidade, lutando para recuperar a leveza do momento. “Sim. Mas...” Ela ainda não havia dito sim. “Se você não quiser estar... sozinha comigo, eu ainda assim iria preferir que você não fosse para Seattle sozinha. Eu tenho calafrios de pensar nos problemas que você poderia arranjar numa cidade daquele tamanho”.
Seus lábios apertaram-se; ela estava ofendida.
“Phoenix é três vezes maior que Seattle – só no tamanho da população. No tamanho físico – ”
“Mas aparentemente sua hora não estava marcada em Phoenix”, eu disse, interrompendo suas justificativas. “Então eu preferiria que você ficasse comigo”.
Ela poderia ficar pela eternidade e não seria o bastante.
Eu não devia pensar desta forma. Nós não tínhamos a eternidade. Cada segundo que passava contava mais do que jamais haviam contado; cada segundo a modificava, enquanto eu permanecia intocado.
“Acontece que eu não me importo de estar sozinha com você”, ela disse.
Não – porque seus instintos eram invertidos.
“Eu sei”. Eu suspirei. “Mas você devia contar a Charlie”.
“Por que motivo eu faria isso?”, ela perguntou, soando horrorizada.
Eu a encarei bravo, as visões que eu não tive sucesso em reprimir rodopiando doentiamente pela minha cabeça.
“Para me dar um pequeno incentivo de trazê-la de volta”, sibilei. Ela devia me dar este tanto – uma testemunha para compelir-me a ser cuidadoso.
Por que Alice havia forçado esta lembrança em mim justo agora?
Bella engoliu alto, e me encarou por um longo momento. O que ela teria visto?
“Acho que vou correr o risco”, ela disse.
Ugh! Ela sentia algum prazer em arriscar sua vida? Ansiava por alguma dose de adrenalina?
Eu franzi o cenho para Alice, que encontrou meus olhos com um olhar de aviso. Ao lado dela, Rosalie me encarava furiosamente, mas eu não poderia ter me importado menos. Deixe que ela destruísse o carro. Era só um brinquedo.
“Vamos falar sobre outra coisa”, sugeriu Bella subitamente.
Eu olhei de volta para ela, imaginando como era possível ela ser tão inconsciente do que realmente importava. Por que ela não conseguia enxergar o monstro que eu era? “Sobre o que você quer falar?”
Seus olhos correram para a esquerda e então para a direita, como se ela estivesse checando para ter certeza de que ninguém estava escutando. Ela devia estar planejando introduzir outro assunto relacionado com os mitos. Seus olhos congelaram por um instante e seu corpo se enrijeceu, e então ela olhou de volta para mim.
“Por que você foi até aquele local, Goat Rocks, na semana passada... para caçar? Charlie disse que não era um bom lugar para se escalar, por causa dos ursos”.
Tão inconsciente. Eu a encarei, levantando uma sobrancelha.
“Ursos?”, ela engasgou.
Eu sorri com ironia, assistindo enquanto ela absorvia a informação. Será que isto a faria me levar a sério? Alguma coisa faria?
Ela recompôs sua expressão. “Sabe, não estamos na temporada de ursos”, ela disse severamente, estreitando os olhos.
“Se você ler com cuidado, as leis só mencionam caçar com armas”.
Ela novamente perdeu o controle sobre seu rosto por um momento, e ficou de boca aberta.
“Ursos?”, ela disse novamente, desta vez uma tentativa de questionamento ao invés de uma expressão de seu choque.
“O urso pardo é o favorito de Emmett”.
Eu vigiei seus olhos, assistindo enquanto isso penetrava.
“Hmm”, ela murmurou. Ela deu uma mordida na pizza, olhando para baixo. Mastigou pensativamente, e então pegou uma bebida.
“Então”, ela disse, finalmente olhando para cima. “Qual é o seu favorito?”
Eu supus que deveria ter esperado por algo assim, mas não tinha. Bella era sempre interessante, para dizer o mínimo.
“Leão da montanha”, eu respondi bruscamente.
“Ah”, ela disse num tom neutro. Seus batimentos continuaram estáveis e compassados, como se estivéssemos discutindo sobre o restaurante favorito.
Está bem, então. Se ela queria agir como se isso não fosse algo fora do comum... “É claro, nós temos que ter cuidado para não impactar o meio ambiente sendo imprudentes ao caçar”, eu lhe disse, minha voz impessoal e clínica. “Nós tentamos nos focar em áreas onde há uma superpopulação de predadores – buscando o quão longe precisarmos. Sempre há uma grande quantidade de cervos e alces por aqui, e eles bastariam, mas onde estaria à graça nisso?”
Ela ouviu com uma expressão educadamente interessada, como se eu fosse um professor dando uma palestra. Eu tive que sorrir.
“De fato, onde”, ela murmurou calmamente, dando outra mordida na pizza.
“O início da primavera é a temporada de ursos favorita de Emmett”, eu disse, continuando a palestra. “Eles acabaram de sair da hibernação, então estão mais irritadiços”.
Setenta anos depois, e ele ainda não havia superado o fato de ter perdido aquela primeira luta.
“Nada mais divertido que um urso pardo irritadiço”, Bella concordou, acenando solenemente com a cabeça.
Eu não consegui segurar um risinho torto conforme balançava minha cabeça para sua calma ilógica. Tinha que ser encenação. “Diga em que está pensando, por favor”.
“Estou tentando visualizar a cena – mas não consigo”, ela disse, a ruga entre seus olhos aparecendo. “Como se caça um urso sem armas?”
“Oh, nós temos armas”, eu disse, e então escancarei um sorriso. Eu esperava que ela fosse se encolher, mas ela ainda estava parada, me olhando. “Apenas não do tipo que eles levam em conta quando escrevem as leis sobre caça. Se você alguma vez já viu um ataque de urso na televisão, deve ser capaz de visualizar Emmett caçando”.
Ela espiou a mesa onde os outros estavam sentados e teve um calafrio.
Finalmente. E então eu ri para mim mesmo, porque sabia que parte de mim desejava que ela permanecesse inconsciente.
Seus olhos escuros estavam arregalados e profundos quando me encararam desta vez. “Você é como um urso, também?”, ela perguntou quase num sussurro.
“Mais como um leão, é o que dizem”, eu disse, me esforçando para soar impessoal novamente. “Talvez nossas preferências sejam um indicativo”.
Seus lábios levantaram um pouco nos cantos. “Talvez”, ela repetiu. E então ela inclinou a cabeça para o lado, e a curiosidade estava subitamente clara em seus olhos. “É algo que eu possa chegar a ver um dia?”
Eu não precisava das imagens de Alice para ilustrar este horror – minha imaginação bastava.
“Absolutamente não”, eu rosnei para ela.
Ela se afastou rapidamente de mim, seus olhos confusos e assustad

terça 28 julho 2009 16:22


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